A Maré Me Contou é uma vivência de contação de histórias afrocentrada, sensorial e poética, pensada para crianças e adolescentes que habitam territórios banhados por memórias, águas salgadas e histórias não contadas. A proposta parte da ideia de que a maré é narradora, mestra e metáfora viva da ancestralidade: ela conta histórias que não estão nos livros, mas que brotam da terra, das conchas, das marisqueiras e dos corpos que resistem no silêncio do mangue. A vivência se inicia com um ritual de escuta sensorial: em roda, as crianças são convidadas a tocar, cheirar, observar e escutar elementos trazidos diretamente do universo da maré, conchas de diferentes tamanhos, búzios, redes de pesca, mariscos ainda com o cheiro do mangue são cuidadosamente apresentados. A história mergulha nas ancestralidades africanas, nos ecos dos quilombos, nas presenças indígenas e nas encruzilhadas que formam o Brasil profundo. Não há linearidade na narração: ela flui como a maré, indo e voltando, atravessando tempos, corpos e vozes. A proposta está fundamentada em práticas pedagógicas afrocentradas, que compreendem a oralidade como tecnologia ancestral de ensino e aprendizagem, como defendem autores como Muniz Sodré (2006), Molefi Kete Asante (1987) e Leda Martins (1995). O objetivo não é apenas contar histórias, mas provocar um deslocamento de escuta, convocando as infâncias a se reconhecerem como parte de uma história potente, que é sua por direito e por herança. A apresentação acontece no Auditório, no dia 07/11/2025, às 09h00.