Adriana C. A. Rodrigues (PPGL/UFAM)
Elen K. S. da Silva (UFAM)
Providence Bampoky (FAPEAM)
Resumo: A escrita subversiva e a insurgência de escritoras oriundas das margens se presentifica no campo literário e intelectual, contribuindo para a construção de novas formas de representação, além de questionar e rasurar estereótipos estabelecidos sob as perspectivas eurocêntrica e colonial. Nesse sentido, considera-se que, estudar, divulgar e pesquisar literatura de autoria feminina em África e na América Latina é, sobretudo, um gesto de ordem política. Isso porque, este é um espaço no qual é possível pensar sobre mulheres publicando obras literárias no país e no exterior, a partir de um diálogo Sul-Sul. Dadas as questões históricas que atravessam essas geografias, é preciso ter consciência das tensões de gênero e raça que se inscrevem diversos âmbitos da cultura brasileira e estrangeira, o que, evidentemente, estende-se à literatura. Nesse sentido, multiplicam-se antologias de produções literárias em inúmeros gêneros e de autorias de diferentes ideologias e etnias, nas quais as vozes subalternizadas de indígenas, lésbicas, feministas, exiladas, refugiadas, entre outras, empoderam-se, em um enredamento de etnia, classe social e gênero. Nessa perspectiva, este simpósio espera receber propostas que discutam nomes/obras de escritoras africanas (vivendo atualmente no continente ou na diáspora), escritoras afro-latino-americanas e escritoras afro-brasileiras. Ao realizarmos este exercício crítico, acreditamos ser imperativo a reflexão em torno da produção de escritoras oriundas da África e da América Latina, ainda pouco publicadas, estudadas e/ou lidas no Brasil, encarando suas produções como formas culturais que nos possibilitam compreender a literatura como geradora de uma rasura e como formadora de um discurso estético-político, marcado por questões étnico-raciais que revelam o lugar de pertencimento dessas escritoras. Convidamos, portanto, a apresentarem resumos de comunicação oral pesquisadoras e pesquisadores cujos trabalhos dialoguem com as questões aqui expostas, notadamente a literatura de escritoras africanas e afro-latino-americanas, seja aquela produção que nasce do cotidiano, das memórias, das vivências de quem escreve, do seu lócus de pertencimento, do coletivo no qual estão inseridas; seja aquela que busque recuperar uma memória ancestral ou uma escrita de si, objetivando pensar a ausência daqueles que no decorrer da história de sua existência foram apagados socialmente.
Huarley Mateus do Vale Monteiro (UERR)
Valéria Crístian Soares Ramos da Silva (UEPA/DLLT)
Resumo: Este simpósio propõe uma reflexão sobre estratégias que invisibilizam temas que envolvem questões relativas aos povos originários, sejam elas sobre as produções artísticas ou mesmo as formas de (r)existência étnica no Brasil. Os diferentes meios de interação produzido pela sociedade contemporânea atuam impondo aos povos indígenas o isolamento como meio de invisibilizar o fenômeno negacionista, preconceituoso. Por vezes, o debate se concentra apenas na desigualdade racial, contudo o fenômeno é maior e se amplia em dimensões estruturais de processos históricos colonialistas, ainda em vigência, que refletem os desdobramentos da biopolítica negacionista e excludente. Dessa forma, as cosmologias e os processos identitários, construídos em outras lógicas de tempo e espaço, reorganizam-se no mundo contemporâneo. Demonstram que as formas de (r)existência indígena (cultural, artística, literária, dentre outras semioses), apontam para saberes ancestrais em pleno dinamismo no/com o mundo contemporâneo. As reverberações dessa dinâmica estão presentes nos discursos, no performático/artístico, nas ações políticas, contrária as formas de extermínio e silenciamentos historicamente construídos, no compartilhar das formas de entender o mundo (educacionais, sociológicas), na atitude de manterem vivas suas línguas, e, além de apresentarem suas próprias versões da história, atuam contrários às formas de esquecimento. É pautado nessas reflexões que os trabalhos apresentados neste simpósio priorizam aspectos da memória, cosmo-identitários, artísticos e literários indígenas contemporâneas.
Palavras-chave: Memória; Resistência; Identidades; Cosmologias; Literaturas indígenas
Me. Gil Derlan S. Almeida (UFPI/IFMA/NYU)
Dr. Sebastião Alves Teixeira Lopes (UFPI)
Resumo: Dentro do cerne dos Estudos Literários, a temática das relações de gênero e seus desdobramentos têm ganhado cada mais vez mais força, com discussões que se pautam num olhar desmitologizante sobre o feminino e suas mais variadas formas. Desta maneira, entender o gênero como uma categoria de análise reforça um entendimento não binário acerca dos processos sociais que, por vezes, ainda são calcados em construções e entendimentos preconceituosos e que precisam ser combatidos. (SCOTT, 2019) Este simpósio busca a contribuição de trabalhos acadêmicos em seus mais diversos níveis, e que pautem suas pesquisas em como a imbricação do estudo das relações gênero, utilizando o texto literário como matéria, fornece material para um forte reflexão sobre o social. Almejam-se trabalhos que versem sobre análises críticas de obras literárias, que em seu bojo trabalhem com a representação de mulheres e suas “mulheridades” (NASCIMENTO, 2021); grupos marginalizados a partir da ótica do gênero, bem como as intersecções desta categoria com outras que possibilitem um diálogo político, tais como raça, classe, etc. Destarte, entendemos a noção de representação a partir da ótica que esta ao apontar para leituras e interpretações deve sempre ser “posta em xeque”. (ZINANI, 2018) O aporte teórico das submissões é de livre escolha dos proponentes, mas sugere-se diálogos com nomes tais como Bourdieu (2019), Butler (2018; 2021; 2022); Connel e Pearse (2018); Scott (2019), dentre outros que suscitem em suas pesquisas essas inquietações. O presente simpósio é, acima de tudo, espaço e momento de partilha de conhecimento, anseios, dores e conquistas, sobre como o corpus literário é, ao passo, um reforço de padrões, mas arma de combate social.
Josenildo C. Brussio (UFMA - São Bernardo)
E-mail: josenildo.brussio@ufma.br
Elizete A. Ferreira (PUC – Goiás)
E-mail: elizetealbinaferreira@gmail.com
Resumo: "Uau, o que é isso?” Tal frase gera uma curiosidade, dúvida, expectativa, especulação ou hesitação de algo “ainda” desconhecido. Se pensarmos nos contextos discursivos nos quais se encaixaria bem a pergunta acima, esbarraríamos em reflexões sobre temas que fogem do usual ou do previsto, que são fora do comum, não regulares, são temas raros, excepcionais, estranhos, esquisitos, inacreditáveis, inabituais, inusuais, imprevistos, maravilhosos (Garcia, 2014). O presente simpósio pretende agregar trabalhos e comunicações que dialoguem com os temas do insólito ficcional, da ficção científica, do multiverso, das distopias, do imaginário, do fantástico, da monstruosidade, do gótico, da tanatologia, da (anti)religiosidade, das distopias, do realismo mágico, entre outros. Por isso, convidamos àqueles que tenham interesse em ampliar os debates sobre a literatura insólita, inspirados em Todorov, Filipe Furtado, Rosemary Jackson, David Roas, Irene Bessiére, Remo Ceserani, entre outros, que se destacam nos debates deste campo abrangente, dinâmico, ilimitado e contemporâneo de possibilidades, tal como afirmam Gama-Khalil e Milanez (2013): “a imagem de uma rede repleta de fios diversos possibilita-nos pensar também na constituição da ficção fantástica, no enredamento do mundo diegético apresentado por ela”, ou seja, o ilógico também faz parte da lógica do mundo, a apresentarem as suas reflexões e críticas no presente simpósio
Palavras-chave: Insólito Ficcional. Distopias. Contemporaneidade.
Drª. Paula Fabrisia Fontinele de Sá (LLER/UESPI)
Dr. Diógenes Buenos Aires de Carvalho (LLER/UESPI)
Resumo: O simpósio "Literatura infantil e juvenil: inter-relações contemporâneas" pretende discutir o papel e a transformação da literatura destinada a crianças e jovens na contemporaneidade. Os trabalhos podem explorar temas como a diversidade de narrativas, a representatividade de diferentes grupos étnicos, culturais e sociais, a importância da tecnologia na disseminação e criação de conteúdos literários para crianças e jovens, e o papel dos escritores e ilustradores na construção de mundos imaginários que dialogam com os desafios contemporâneos enfrentados pelos jovens. Debater-se-á também os elementos que contribuem para a formação de leitores críticos e reflexivos, a relação entre literatura infantil/juvenil e outras mídias, como cinema e jogos, e as práticas de mediação de leitura como instrumentos para promover o acesso e o apreço pela leitura desde a infância. O simpósio visa proporcionar um espaço de reflexão e diálogo entre pesquisadores, educadores e demais interessados no universo da literatura infantil e juvenil, enriquecendo o entendimento sobre suas inter-relações contemporâneas e seu potencial transformador na sociedade atual.
Palavras-chave: literatura infantil e juvenil; contemporaneidade; tecnologia; diversidade.
Leocádia A. Chaves (UnB)
Drª. Manuela Rodrigues Santos (UnB)
Resumo: Conforme demonstra Regina Dalcastagnè (2012, 2021), o sistema literário brasileiro, como dispositivo de poder, também é produtor e reprodutor do status quo. Ou seja, confirma e reafirma pelo modo artístico-discursivo um ordenamento social mantido por múltiplos supremacismos. Como demonstra a pesquisadora, essa produção se efetiva sob um mapa de violências de grupos subalternizados, seja pela sua ausência – como autores e autoras –, seja em representações estigmatizadoras – não homem, não branco, não heterossexual, não rico, não urbano, não titulado academicamente – como ocorre, por exemplo, com a representação de personagens negras e dissidentes gênero-sexuais. Porém, como confirmam Michel Foucault (1988), Judith Butler (2018) e as “guinadas” no nosso próprio sistema literário: onde há poder, há resistência. Diante dessa certeza histórico-sociológica é que indagamos: a quantas anda a produção literária na contemporaneidade de pessoas dissidentes a esse “padrão de humanidade”? Como a crítica literária tem se comportado diante desta produção? Em que medida suas produções têm colocado em xeque o status quo? Essa produção se confirmaria como uma outra face da literatura brasileira contemporânea? Quais linguagens têm usado para produzir seus saberes neste campo de saber ? Salientamos que, ao qualificar e delimitar a instância da autoria como gênero-dissidente (BUTLER, 2017), ou seja, de pessoas que por múltiplas formas irrompem contra a compulsoriedade identitária cisheteronormativa, não desprezamos a existência de outros marcadores sociais que associados àquele vêm reforçando extermínios em nossa sociedade (CRENSHAW, 1991), portanto, não negligenciável nas propostas de comunicação a serem apresentadas. Assim, a proposição deste simpósio temático vem da compreensão da necessidade de se garantir a ocupação deste importante espaço de poder – o sistema literário – para que essa produção e a sua crítica irrompam de forma fraturadora do status quo, portanto, resistindo, rebelando, revoltando contra as produções e modelagens hegemônicas de existir (es) e saber (es).
Referências bibliográficas:
BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão de identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2017.
BUTLER, Judith. Corpos em aliança e a política das ruas: notas para uma teoria performativa de assembleia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018.
CRENSHAW, Kimberlé. Mapping the margins: intersectionality, identity politics, and violence against women of color. Stanford Law Review, v. 43, n. 6, p. 1241-1299, jul. 1991.
DALCASTAGNÈ, Regina. Literatura brasileira contemporânea: um território contestado. Rio de Janeiro: Editora da UERJ; Horizonte, 2012.
DALCASTAGNÈ, Regina. Ausências e estereótipos no romance brasileiro das últimas décadas: alterações e continuidades. Letras de hoje, Porto Alegre, v. 56, n. 1, p. 109-143, jan.-abr. Disponível em: https://revistaseletronicas.pucrs.br/index.php/fale/article/view/40429/26848. Acesso em: 20 ago. 2021.
FOUCAULT, Michel. História da Sexualidade I: A vontade de saber. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1988.
Leocádia Aparecida Chaves, 803.630.836-34, 5.865.670, (61) 98120-6870, leocadiachaves@gmail.com
Dr. Rubenil da S. Oliveira (UFMA)
Dr.ª Renata C. da Cunha (UESPI)
Me. Ednólia da S. Farias (SEDUC-MA)
Resumo: O presente Simpósio pretende ampliar o debate acerca das vozes da subalternidade expressas pelos grupos de maiorias minorizadas na cena literária e nas outras manifestações artísticas. Auxiliado pela leitura da indiana Gayatri Chakravorty Spivak (2010) entende-se que homens e mulheres negros no continente africano e diasporizados, população LGBTQIAP+, mulheres e povos originários à medida que se intelectualizaram mostraram-se como vozes de resistência ao poder opressor. Neste sentido, intersecciona-se a voz da indiana à do crítico brasileiro, Alfredo Bosi (2002) que atesta que a resistência pode estar tanto no autor quanto na temática, assim, percebe-se que ao ler Mia Couto, Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo, José Craveirinha, James Baldwin, Silviano Santiago, Cassandra Rios, Márcia Kambeba, Eliane Potiguara, Daniel Munduruku e tantos outros, a autoria e o texto mostram um coro de vozes que recusam a subalternidade. Desse modo, não é mais apenas o eu lírico de Cristiane Sobral que se recusa a lavar os pratos ou o de Craveirinha que refuta o ser chamado de “Ninguém” em “Já caiu alguém dos andaimes? Ninguém. Só dois pretos”. Portanto, o Simpósio comporta uma discussão contemporânea de raízes históricas e profundas, abrindo espaço para que incomodemos a “Casa Grande da Academia” e compartilhemos nossas pesquisas finalizadas e/ou em andamento.
Palavras-chave: Subalternidade. Biopoder. Resistência. Estudos culturais/pós-culturais/ decoloniais.
Drª. Claudia Letícia G. Moraes (UFMA)
Dr. Rayron Lennon C. Sousa (UFMA)
Drª. Linda Maria de J. Bertolino (UEMA)
Resumo: O presente simpósio intenta reunir pesquisas acadêmicas, práticas pedagógicas e vivências relacionadas à área da Literatura Negra Brasileira e das Literaturas Africanas, considerando os conceitos de memória e autorias emergentes como fundamentais para a prática de uma escrita literária de cunho decolonial e propondo debates sobre as produções literárias do Sul Global (África, Latino-América, etc). Trata-se de pensar o modo como a escrita de autoria negra atua num espaço de rompimento de silêncios, preenchendo lacunas pelo viés da memória e auxiliando num processo de reescrita da história de países considerados subalternizados. Assim, a literatura pode ser compreendida como um constructo cultural cuja potência é representativa destas novas subjetividades que emergem no contexto contemporâneo. Busca-se, com este ST, a construção de um espaço de discussão sobre propostas alicerçadas em uma abordagem interdisciplinar, com foco em reflexões contemporâneas acerca de temas como diálogos entre literatura, história, memória; práticas literárias decoloniais; literatura e política; autoria negra; ancestralidade dentre outros. Assim, há de se considerar a literatura como campo vasto, sempre em diálogo com outras áreas de conhecimento, que pode enriquecer o conhecimento que se tem acerca da autoria negra brasileira, da literatura africana e diaspórica como espaço de afirmação e de guinada decolonial em resposta ao sistema patriarcal, eurocêntrico e colonizador que por muito tempo foi considerado como centro das produções artísticas mundiais.
Caroline Kirsch Pfeifer (UNLP)
Resumo: A literatura é um modo de reflexão da realidade. As ficções ilustram de maneira simbólica as práticas sociais, as relações, as opressões e as violências, e através do texto literário é possível recuperar histórias e proporcionar outros significados. Para Antonio Candido (2011), a literatura tem um papel humanizador, transformador e torna os seres humanos mais compreensivos em relação a si mesmos e aos outros. Ou seja, que é relevante explorar a literatura, não só no seu potencial estético, mas também como um meio de expressão de direitos fundamentais de todos e todas. Dentro desse contexto, este seminário tem como objetivo incluir reflexões teóricas, práticas e metodológicas sobre o ensino da literatura em língua materna, língua estrangeira, língua de herança e/ou língua adicional em espaços formais e não formais. Convidamos professores(as) e pesquisadores(a) a enviarem trabalhos que contemplem o ensino da literatura a partir do letramento literário, da mediação de leitura, leitura literária e práticas pedagógicas.
10. Literatura de Autoria Negra e outras artes: Escritas e Artefatos
Dr. Sidnei Costa¹
Dra. Beatriz Campos²
Resumo: A literatura de autoria de pessoas negras tem sido revisitada nas últimas décadas a partir de uma revisão sobre a perspectiva do universo imagético criado e de diálogos entre as vozes e as artes. Nesse sentido, a proposição deste Simpósio é reunir estudos que tenham por base as criações literárias de pessoas negras em diálogo com as outras artes: música, pintura e artefatos que se unem em um campo imagético. Assim, autores como Carolina Maria de Jesus (1914-1977), Lima Barreto (1981-1922), Cruz e Sousa (1861-1898), Maria Firmina dos Reis (1822-1917), Conceição Evaristo (1946), entre outras propõem um olhar no qual a arte é concebida a partir de um contexto crítico, percorrendo o criar e o existir. A literatura para esses autores atravessa uma perspectiva de expressões artístico-culturais entre o existir e o situar, em um campo ancestral e contemporâneo. Isto, com efeito na representação e em consonância com uma nova crítica fundada em percepções de direitos humanos que consignam a subjetividade no encontro com o outro. Sob esse aspecto, busca-se dialogar com conceitos os quais inscrevem um outro corpus literário e artístico brasileiro criado a partir de imagens de autorrepresentação negra: “Toma-se o lugar da escrita, como direito, assim como se toma o lugar da vida” (EVARISTO, 2005). Desse modo, pensadores como Lélia Gonzalez (1935-1994), Beatriz Nascimento (1942-1995), Miriam Alves (1952), Abdias do Nascimento (1914-2011), Sueli Carneiro (1950), entre outros rompem com o pensamento colonialista o qual propicia o surgimento de uma outra crítica sociocultural, contidas em letras de rap, no samba, nas rimas, na escrita e em outros “modos de fazer arte” que se destacam pelo viver e criar em um plano de identificação, a partir de vivências e subjetividades. Portanto, este Simpósio tem por finalidade possibilitar a reunião de professoras, professores, pesquisadoras e pesquisadores, estudiosas e estudiosos que reflitam sobre a representação negra, a partir do diálogo entre a literatura e as outras expressões artísticas. Assim, o que é uma crítica de literatura e outras artes dentro de um campo de criações e de existências? Ainda sobre esse propósito, cita-se o livro: Entre Orfe(x)u e Exunouveau: análise de uma estética de base afrodiaspórica na literatura brasileira, de Edimilson de Almeida Pereira (2022), em que consta a proposição de dois neologismos que visam apresentar as diversas variantes da poesia e da literatura nacional. Além disso, em um plano simbólico, Pereira afirma que a linguagem e o ato de nomear formam o tecido por onde se pode reimaginar e reconstruir os laços rompidos, ou nunca estabelecidos, de uma sociedade.
Palavras-chave: Autoria de pessoas negras; Literatura e outras artes; Representação; Crítica sociocultural.
[1] Doutor em Literatura pelo Programa de Pós-Graduação em Literatura da UnB. E-mail: sidsouleu@gmail.com
[2] Doutora em Literatura pelo Programa de Pós-Graduação em Literatura da UnB. E-mail: bscampos@yahoo.com.br
11. Literatura e outras artes: dialogias em (des)construção
Prof. Dr. Francisco Alves (UFRR/PPGL)
E-mail: francisco.alves@ufrr.br
Resumo: Os estudos sobre as relações entre a literatura e as outras artes têm avançado frutuosamente na contemporaneidade. A ideia de literatura vem sendo reinscrita em outros territórios do saber, atravessados frontalmente por outras artes, tais como: o teatro, a dança, a fotografia, a pintura, o cinema, a performance e tantas outras manifestações artísticas que contribuem efetivamente com um desnorteamento em torno do próprio conceito de literatura, e embora as ideias clássicas de Horácio e Aristóteles prossigam em fantasmagoria estruturante no pensar literário, é impossível ignorar os inúmeros encontros fronteiriços entre o fazer literário e as outras artes. Neste campo dialógico a literatura passa então a ocupar um especialíssimo lugar, uma vez que sua complexa identidade se hibridiza em outras formas de expressão, seja em derrisão, limite, deslimite, fronteira, margem, ou seja, em espaços em que o termo “interartes” conduz as linguagens coadunadas à literatura para a vertigem de outros campos de compreensão, que necessariamente, carecem de abordagens teóricas alicerçadas em certa indisciplina epistemológica. Neste sentido, o presente simpósio pretende arregimentar pesquisas que coloquem a literatura em estado de tensão profícua com as outras artes, uma vez que nesse encontro de poéticas, o texto se desdobra em imagem, som, pintura, movimento, corpo-corporalidade e etc, sendo, assim, em construção artística permanente de experiências que se retroalimentam e contribuem com a expansão dos estudos sobre essa temática.
Palavras-chave: Literatura; Artes; Interartes; Relações;
12. Literatura brasileira no século XXI: entre permanência e renovação
Dra. Helena Bonito Couto Pereira (UFPA)
E-mail: helenabonito.pereira@gmail.com
Me. Aldecina Costa Sousa (UEMA/UFPA)
E-mail: aldecina35@hotmail.com
Resumo: A literatura brasileira, inserida no contexto sócio-artístico-cultural contemporâneo, tornou-se palco de contínuos movimentos de renovação, ao mesmo tempo em que mantém temáticas, características e modalidades presentes desde o século passado – ou antes ainda, pois o texto literário, sejam quais forem suas formas, reapresenta e suscita reflexões sobre as grandes questões humanas. Este simpósio discute as narrativas que contemplam essa diversidade, característica essencial da literatura do nosso tempo, como observou Beatriz Resende (2008). Assumindo o método Entre permanência e renovação podem situar-se diversas tendências, como o realismo – crítico, documental, “brutalista”, hiper-real etc. – veiculado em narrativas que priorizam componentes ideológicos, de cunho social e político, sem maiores preocupações com a elaboração textual. A violência expressa nas obras de Rubem Fonseca desde os anos sessenta, conquistou uma legião de seguidores, fato que se deve a numerosos fatores, como a degradação da vida nos grandes centros urbanos e a massificação, para citar os mais visíveis. A temática permanece viva em narrativas de Marçal Aquino, Marcelino Freire, Bernardo Carvalho. Outras narrativas focalizam fatores de natureza interna em relação a personagens e/ou narradores, voltando-se para a interioridade, o mundo psíquico, a memória e a subjetividade. Destacam-se ainda as temáticas da sexualidade em aspectos como o homoerotismo, o feminismo e as diversidades hoje aceitos e reconhecidos. Narrativas carregadas de subjetividade, como as de Clarice Lispector e de João Gilberto Noll, encontram representações contemporâneas. A grande inovação consiste na tendência verificada, não apenas em estudos literários, que confere visibilidade a protagonistas outrora excluídos, seja na qualidade de personagens, seja na de escritores e agentes sociais. A exclusão socioeconômica e racial vem sendo combatida com sucesso, embora ainda haja um longo percurso pela frente. Hoje se reconhece o valor da escrita de Carolina Maria de Jesus, que nunca foi devidamente apreciada em seu tempo, graças às narrativas de Conceição Evaristo, Jarid Arraes e outras escritoras que superam a tripla barreira do racismo, do gênero e da condição econômica. Outra tendência persistente, de origens longínquas em toda a literatura ocidental, compreende narrativas altamente irônicas, em viés satírico ou paródico. Suas versões contemporâneas podem associar-se a outros temas, como o consumo de massa, a alienação do indivíduo, a banalização do cotidiano etc. Ignacio de Loyola Brandão talvez seja o escritor mais relevante, tendendo algumas vezes para a distopia. As conexões entre literatura e história verificam-se nas obras sobre a ditadura: tanto as publicadas ainda no período de exceção, como as de Renato Tapajós (1979), Frei Betto (1983), quanto as contemporâneas, de autoria de Bernardo Kucinski (2011), Claudia Lage (2017) e Marcelo Rubens Paiva (2018). Ao reconhecer diversas tendências e suas relações de continuidade ou subversão do percurso literário anterior, cumpre acrescentar que escritores com expressiva produção aproximam-se de uma ou de outra, em tempos diferentes, sem prejuízo da qualidade de suas publicações. Nesse caso, Adriana Lisboa, Mílton Hatoum, Luiz Ruffato, Godofredo de Oliveira Neto, dentre outros, circulam à vontade nos meandros da escrita literária.
Palavras-chave: Literatura Brasileira Contemporânea. Permanência. Renovação.
13. Teoria da Residualidade: remanescências de imaginários sobre o feminino em literatura de mulheres dos séculos XX e XXI
Dra. Cássia Alves da Silva (IFCE)
Dra. Mary Nascimento da Silva Leitão (UECE)
Resumo: Essa proposta de Grupo Temático consiste na investigação daquilo que remanesce de imaginários de diferentes épocas e lugares sobre o feminino em literatura de mulheres dos séculos XX e XXI. O objetivo principal é destacar que, embora o pensamento misógino apareça nas obras de autoria feminina, muitas vezes essa forma de pensar é contestada. A Teoria da Residualidade, sistematizada por Roberto Pontes, tem a ver com tudo que remanesce de uma cultura em outra. Segundo Mary Nascimento (2013, p. 89), a Residualidade é um método investigativo que busca apontar em determinada época certos vestígios de um período anterior. Assim, alguns aspectos de comportamento e cultura vivos, tidos como pertencentes a um dado período, são dados passíveis de serem retomados por uma pessoa ou por um determinado grupo de forma consciente ou inconsciente em outra época. Entretanto, a Residualidade não se propõe apenas a identificar vestígios; de certo, se assim fosse, não teria status de teoria. Ela vai além, pois procura explicar de que forma os modos de agir, de pensar e de sentir de determinado(s) indivíduo(s) foram parar noutras formações culturais e literárias em tempo posterior. Desse modo, a identificação dos vestígios de outra época faz sentido ao se compreender o caminho seguido por esses vestígios e o modo como eles atravessaram o tempo e o espaço para adentrar e construir o modo de pensar de povos de diferentes lugares e culturas. Isto mostra a complexidade dos modos de ser de uma determinada sociedade, mas também concorre para melhor entendimento das características de um povo. Para compreender como certos vestígios transpõem os limites do espaço e do tempo em que residem inicialmente, o método residual parte de alguns conceitos: resíduo, mentalidade, hibridação cultural, cristalização, imaginário e endoculturação (PONTES, 1999, 2006). A partir dos referidos conceitos é possível investigar como determinados elementos ligados à História da Mulher se perpetuam em obras literárias e ilustram uma deturpação de sua imagem. E quando se trata de autoria feminina certas temáticas apontam para a reflexão crítica em torno dessa História. Ao investigar obras literárias produzida por mulheres, algumas temáticas são recorrentes, entre as quais destacam-se: a) a demonização da mulher e da sua sensualidade; b) a imposição às mulheres de um comportamento baseado no silenciamento do seu modo de agir, vestir e pensar; c) a apresentação do sexo feminino como inferior ao masculino. Esses componentes, produzidos em épocas e lugares distantes e distintos, reelaboram- se, apresentando-se de forma residual nos séculos XX e XXI. Essa reelaboração, muitas vezes, se dá por meio da contestação desse modo de pensar. Portanto, neste Grupo Temático, receberemos trabalhos que destaquem obras literárias escritas por mulheres neste e no século passado em que seja visível a resistência feminina em relação ao modo de pensar misógino de outros períodos históricos, os quais, de alguma forma, ainda são observáveis na atualidade.
Palavras-chave: Residualidade. Mulheres. Literatura.
14. Diferença e identidades culturais nas Literaturas de Língua Inglesa
Dr. José Ailson Lemos de Souza (UEMA)
Carla Marina da S.T. Sousa (IFMA/UEMA)
Resumo: A amplitude de experiências estéticas, narrativas e culturais que, na atualidade, se atrela ao estudo de Literaturas de Língua Inglesa, pensado como disciplina acadêmica, deve-se em grande medida aos desdobramentos teóricos resultantes da crítica feminista, dos estudos pós-coloniais, dos estudos culturais e da desconstrução. Categorias da diferença, como classe, gênero, raça e sexualidade, ganham proeminência nesse contexto ao serem problematizadas nas relações entre literatura e cultura, com enfoques que reformulam os termos da discussão sobre estética e do alcance político dessas novas narrativas. Cielo Festino (2014) parte da ideia de diferença como jogo ininterrupto de forças eruptivas que geram diferentes identidades culturais. Segundo Stuart Hall (1990), essas identidades são posicionamentos momentâneos, marcados por rupturas e descontinuidades. Assim como o significado na linguagem não cessa de se deslocar, abrangendo outros sentidos, as identidades culturais movimentam-se continuamente, sempre em construção através de memórias, fantasias, narrativas e mitos (HALL, 1990). O próprio literário se transforma mediante diferentes contingências culturais, uma vez que cada cultura produz repertórios estéticos, retóricos e artísticos, evidenciando que o estudo de outras culturas literárias demanda uma maior atenção para os diferentes contextos de produção e recepção. Um exemplo de tais contingências pode ser observado em Garota, Mulher, Outras (2020), de Bernardine Evaristo, no qual um dos questionamentos é sobre o ensino de literatura, que, na Inglaterra, foi historicamente pautado pela autoria de homens brancos, cujas narrativas pouco, ou em nada, dialogava com a experiência de mulheres, imigrantes e seus descendentes que habitam o universo ficcional daquele romance. O presente simpósio almeja reunir trabalhos e pesquisas sobre literaturas de língua inglesa que têm questionado os antigos regimes estéticos e os padrões que por muito tempo impuseram conceitos demasiado restritivos para se pensar a literatura, a cultura e a experiência nas sociedades contemporâneas.
Palavras-chave: diferença; identidades culturais; literaturas de língua inglesa.
15. Literatura, música e crítica social no Brasil contemporâneo
Prof. Dr. Cleber José de Oliveira (PPG-FALE / UFGD)
Resumo: Nas palavras de Candido (2000, p.20-21) “a arte é social em dois sentidos:depende da ação de fatores do meio, que se exprime na obra em graus diversos de sublimação; produz sobre os indivíduos um efeito prático, modificando a sua conduta e concepção do mundo, ou reforçando neles o sentimento dos valores sociais”. No limite, Rocha (2004) teoriza que as expressões artísticas, literárias e cancionais, produzidas por sujeitos e coletivos oriundos dos estratos populares se estruturam no que ele denomina de “dialética da marginalidade”, isto é, vinculam um discurso crítico contundente e uma postura de confronto frente aos canônes e ao status quo. Isso considerado, e com olhar atento às pautas e reivindicações das minorias nacionais, este GT propõe refletir e discutir em que medida expressões como as literaturas periféricas, o rap negro, indígena e cabloco, os slams, o samba, entre outras, podem atuar como instrumentos de intervenção na realidade social e promoverem de fato mudanças nas estruturas social, política e cultural brasileiras e nas relações de poder que dela decorrem.
16. Perspectivas para novos caminhos da crítica literária hoje
Antonio Aílton Santos Silva (UEMA/Campus Itapecuru)
Ricardo Nonato Almeida de Abreu Silva (UFMA/Bacabal)
Thais Rabelo de Souza (PPGL/UFPE)
Resumo: Diante da percepção da crítica como intrínseca ao campo literário, são ensejados novos impulsos, perspectivas e interrogações sobre seu lugar no momento contemporâneo. Ela se torna possível como pensamento e reflexão sobre o campo da literatura diante de novas formas, demandas e processos em todos os campos da cultura e da sociedade, com total participação na discussão de tais processos. Tais instâncias envolvem questões como as de gênero, étnicas e éticas, os mais recentes quadros de violência, as transformações do planeta e alterações da experiência humana, o pós-humanismo, entre outras tantas mudanças vivenciadas pelo contemporâneo, além daquelas que dizem respeito também às próprias formas da literatura, seus suportes, modos de criação, produção e recepção, relações com o universo tecnológico, e reconfigurações do ser literário. Quais serão as novas demandas e perspectivas de uma crítica posta em dúvida, quem são os novos críticos e como são estabelecidas suas relações com os escritores, a cultura emergente da oralidade, o papel dos “booktubers”? Quais os caminhos possíveis de uma crítica que se ressignifique ante as novas manifestações da prosa, da poesia e proesia? A proposta deste grupo é empreender as discussões sobre estas e outras questões que nos levem a enriquecer o debate e os processos em torno das perspectivas para os novos caminhos da crítica literária hoje.
17. Documentos, arquivos, acervos e repositórios digitais
Dra. Marylucia Cavalcante Silva (UEMA)
Ma. Eliana Almeida Reis Rocha (UFBA)
Resumo: Com o advento das tecnologias digitais de informação e comunicação houve, avanço exponencial na forma de acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos e resolver problemas. Num cenário híbrido (não digitais e digitais), o presente simpósio alinha-se ao eixo temático literatura, recepção e circulação para refletir sobre procedimentos e operações técnicas relativo a documentos, arquivos, acervos e repositório digital. A materialidade dos documentos presentes em arquivos, acervos e repositórios digitais nos transmite conhecimentos, saberes necessários a evolução da ciência. Os estudos de Chartier (1990), Marc Bloch (2008), Le Goff (1990), Ginzburg (1989) e Belotto (2004) dentre outros, corroboram no processo do ofício do pesquisador/historiador em sua maneira de atuar, agir e pensar em pesquisas nas respectivas áreas onde desenvolveram suas atividades.
Palavras-chave: Fontes documentais. Arquivos e acervos. Bibliotecas. Repositório Digital. Arquivologia.
REFERÊNCIAS
BELOTTO, H. L. Arquivos permanentes: tratamento documental. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2004.
BLOCH, M. Apologia da História ou ofício do Historiador. Rio de Janeiro: ZAHAR, 2008.
CHARTIER, R. A história cultural: entre práticas e representações. Lisboa: Difel, 1990.
GINZBURG, C. Mitos, emblemas, sinais: morfologia e história. Tradução: Federico Caroti. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.
LE GOFF, J. Documento/Monumento. In: _____________. História e Memória. Campinas: Editora da Unicamp, 1990.
18. Desafios no ensino de literaturas em Língua Portuguesa no século XXI
Danglei de Castro Pereira (UnB/FAP-DF)
Lucilo Antonio Rodrigues (UEMS)
Resumo: Agrupamos, neste simpósio, trabalhos que pensem aspectos teóricos/metodológicos relacionados ao ensino de literaturas em Língua Portuguesa (LsELP) no Brasil, em países da América Latina ou da comunidade lusófona, sobretudo, após a promulgação da Lei nº 11.645, de 10 de março de 2008 e da BNCC em 2017. A proposta pensa, também, a complexidade da presença de obras literárias na Educação Básica em diferentes espaços de interação, não só a escola, mas também influências e tensões presentes no diálogo com leitores literários em espaços midiáticos, as possíveis estratégias de ensino, a complexidade do literário no “chão da escola”. Nossa hipótese é que a apresentação da literatura, especificamente, e da arte, em sentido amplo, contribuem para a formação do cidadão e, por isso, a apresentação de obras literárias inerentes a diferentes países de expressão de Língua Portuguesa não só no Brasil promove a valorização de identidades em contato com as identidades da comunidade lusófona em processo de diálogo e formação de leitores literários. Os trabalhos agrupados no simpósio indicam, portanto, pontos de reflexão vinculados a ações desenvolvidas em diferentes espaços de reflexão e, por isso, contribuem para uma visão em mosaico do valor que se dá ao ensino de literatura em língua portuguesa em diferentes contextos de ensino.
Palavras-chave: Leitura. Leitura literária. Escola. Ensino de literatura. Lusofonia.
19. Literatura, cinema, música e outras artes
Me. Lucas Evangelista Saraiva Araújo (Doutorando em Letras/UFRGS/UEMA)
e-mail: lucasevansaraiva@gmail.com
Dra. Samara Liz Silva Machado (Doutora em Letras/UEMA/UNB)
e-mail: sliz.slm@gmail.com
Me. Cristianne Silva Araújo Dias (Mestre em Letras/SEDUC-MA)
e-mail: prof.cristiannearaujo@gmail.com
Resumo: Diversas linguagens e manifestações artísticas colaboram com a literatura, como o cinema, o teatro, a pintura, a música, a arquitetura. Artes e/ou tecnologias que contribuem com a literatura não só enquanto linguagem ou arte, bem como disciplina, seja na educação básica pública (ensino médio) e/ou na educação superior pública (graduação). Diante disso, é necessário “adotar uma perspectiva multicultural, em que a Literatura obtenha a parceria de outras áreas, sobretudo artes plásticas e cinema, não de um modo simplista, diluindo as fronteiras entre elas e substituindo uma coisa por outra, mas mantendo as especificidades e o modo de ser de cada uma delas, pois só assim, não pejorativamente escolarizados, serão capazes de oferecer fruição e conhecimento, binômio inseparável da arte” (BRASIL, 2006, p. 74). Destarte, a arte cinematográfica “como linguagem rica e sensorialmente composta, o cinema, enquanto meio de comunicação, está aberto a todos os tipos de simbolismo e energias literárias e imagísticas, a todas as representações coletivas, correntes ideológicas, tendências estéticas e ao infinito jogo de influências no cinema, nas outras artes e na cultura de modo geral” (STAM, 2008, p. 24). Com isso, estamos falando também de uma educação multimidiática, que abarque aquilo que interessa ao aluno; a sua interação com outras artes, além da literatura – aquilo que o sujeito gosta de ler, assistir/ver e/ou ouvir. Para tanto, nosso objetivo é lançar olhares sobre a relação da literatura com e por meio das supracitadas artes ou de outras. Este simpósio agregará comunicações que atinjam esse objetivo a partir de estudos/pesquisas sobre o diálogo entre elas.
Palavras-chave: Literatura; Artes; Educação; Diálogo; Linguagens.
20. Memória, Literatura e Sociedade
Lucélia Almeida (UFMA)
Elijames Moraes dos Santos Muniz (UEMA)
Resumo: O simpósio recebe trabalhos com base teórica de estudiosos que tratam da relação temática entre memória, literatura e sociedade. A base teórica poderá contemplar autores como Maurice Halbwachs, Paul Ricoeur, Michael Pollak, dentre outros autores que exploram a relação com a memória.
1. Estudos Semânticos e Enunciativos
Claudiene Diniz da Silva (UEMA)
Keylliane de Sousa Martins (IFMA)
Resumo: Este simpósio tem a pretensão de reunir pesquisas que versem sobre as questões semânticos, em todas as suas abordagens, como também estudos sob a perspectiva enunciativa. Serão aceitos trabalhos que adotem os pressupostos da Semântica Formal, Semântica Cultural, Estudos Cognitivos, Metáforas Conceptuais, etc. Também engloba estudos voltados para a Enunciação e as variadas teorias enunciativas, desde as pesquisas Benveniste, Culioli, Ducrot até os estudos mais atuais sobre essa área. Pesquisas que mostram a intersecção entre as duas áreas também podem ser inseridas neste simpósio. Desse modo, promoverá a exposição e discussão de objetos de estudo variados, mas sob duas abordagens específicas, ora o sentido ora a enunciação, contribuindo para uma ampliação desses campos de conhecimento e uma percepção científica da língua em uso.
2. Leitura, escrita literária e multiletramentos
Dr. Antonio Valbert A. Silva – (UEMA)
Dr. Valderi Ximenes de Meneses – (UEMA)
Resumo: O presente simpósio objetiva promover reflexões sobre a leitura e suas diferentes concepções (KOCH & ELIAS, 2018). Propomos, então, trabalhos que dialoguem com o texto literário em suas mais diversas facetas, buscando discussões que apresentem como foco os diferentes gêneros na perspectiva da interdisciplinaridade. Além disso, o presente simpósio pretende reunir pesquisas que abordem o texto e seus diversos sentidos numa relação com os multiletramentos, sejam eles fundamentado no letramento acadêmico, escolar, digital, vernacular, religioso ou quaisquer outros letramentos pertencentes à perspectiva de letramento como prática social. Esse simpósio se justifica pelo interesse que professores universitários e da educação básica, alunos da educação básica e universitários têm demonstrado com vistas às inquietações que todos devem ter para se desenvolver a leitura e a escrita nos mais diferentes contextos. As perguntas a seguir, podem contribuir com as discussões: Como promover a leitura proficiente nos diferentes níveis educacionais? A literatura pode contribuir para a compreensão e sentido do texto? O letramento como prática social proporciona o desenvolvimento das habilidades leitoras e escritoras?
3. Texto e Argumentação: Elementos para o Estudo dos Gêneros
Dra. Vilma Maria R.Cavalcante (UEMA)
Dr. Waltersar José de M. Carneiro (UEMA)
Resumo: O objetivo do presente grupo temático é aprofundar o diálogo entre várias categorias textuais e as estratégias argumentativas, buscando contribuir para os estudos dos gêneros textuais. Lembramos que desde os anos 80 os estudos relacionados ao texto e à argumentação têm sido impulsionados quer por estudos ligados às questões relacionadas às categorias textuais, quer pelo crescente interesse nas estratégias de argumentação, o que tem propiciado inúmeras publicações sobre o tema. Importante ressaltar que para este grupo temático serão acolhidas propostas sob variadas perspectivas de análise.
4. Análise de Discurso
José Antonio Vieira (UEMA)
Mariana Ribeiro (UFMA)
Resumo: Neste simpósio temos o objetivo de criar um espaço de apresentações que tomam como pressupostos teóricos os estudos discursivos materialistas ligados a Michel Pêcheux, abordando desde sua origem à pressupostos da contemporaneidade. Pretendemos desenvolver um lugar de discussão que contribua com os estudos linguísticos discursivos. Para isso, aceitaremos trabalhos com análises baseadas nas oposições conceituais de: discurso x texto; língua x ideologia, condições de produção, história x memória, interdiscursividade; identidade x alteridade; subjetividade x assujeitamento; ideologia x formação discursiva; e heterogeneidade enunciativa.
Palavras-Chave: discurso, língua, condições de produção
5. Estudos do Léxico
Dr. Luís Henrique Serra – UFMA
Resumo: Considerando a importância que o léxico tem para a compreensão da realidade, além de mostrar o quanto a relação língua e sociedade permeia as formas linguísticas, os estudos lexicais são um conjunto infinito de possibilidades analíticas da linguagem em que pesquisadores de muitas partes do Brasil e do mundo demonstram uma riqueza de metodologias de investigações e análises. Nesse sentido, desde uma perspectiva estritamente formal (análise de estruturas morfológicas, morfossintáticas e organização conceitual e semântica) até uma perspectiva funcionalista (estudos do uso discursivo, literários, educacionais e funcional de determinados usos das unidades léxicas), os estudos do léxico são amplos e ricos. Nesse sentido, o presente simpósio, entendendo a importância desses estudos e do nível léxico para a compreensão de uma realidade, seleciona trabalhos no âmbito dos estudos do léxico (Biderman, 2002), busca reunir trabalhos no campo da Lexicologia, Lexicografia, Terminologia, Terminografia, Toponímia entre outras áreas em que os estudos da unidade lexical seja objeto de análise e reflexões sobre a realidade concreta ou ficcional. O simpósio busca reunir trabalhos em nível de graduação e pós-graduação em que a unidade léxica esteja em perspectiva.
6. Descrição e análise de línguas indígenas brasileiras
Ana Claudia Menezes Araujo (UEMA)
claudia-ama@hotmail.com
João Henrique Santos de Souza (PPGL/UFRR)
hnrqssz@gmail.com
Resumo: As línguas indígenas, assim como a diversidade de línguas do mundo, diferem entre si por suas características fonológicas, morfológicas, sintáticas, semânticas e lexicais. Tais aspectos linguísticos têm sido interesse de pesquisas sobre as diversas línguas brasileiras em diferentes áreas do conhecimento científico. Nessa perspectiva, o objetivo desse simpósio é discutir acerca da heterogeneidade linguística no âmbito das línguas indígenas, as quais podem ser classificadas em diversos troncos e famílias linguísticas, tais como os troncos Tupi e Macro-Jê e as famílias Aruak, Karib e Pano, entre outras, além de línguas isoladas. Assim, espera-se receber trabalhos que apresentem pesquisas concluídas ou em andamento sobre as temáticas de variação linguística, situação sociolinguística atual, crenças e atitudes linguísticas, aspectos fonético-fonológicos, morfossintáticos, semânticos e lexicais das línguas indígenas brasileiras, e documentação e descrição linguística. O intuito é promover a socialização dessas pesquisas, bem como incentivar os estudos acadêmicos na área de línguas indígenas brasileiras com vistas à preservação e revitalização dessas línguas.
Palavras-chave: Línguas indígenas. Descrição. Análise. Linguística descritiva.
7. Análise do discurso e multimodalidades: interfaces entre a linguística e a literatura
Dra. Izenete Nobre Garcia (UEMA/Colinas)
izenetegarcia@gmail.com
Dra. Luciana Martins Arruda (UEMA/Colinas)
lucianamartinsarruda@gmail.com
Ma. Ana Célia Soares Moura (Diocesano – PI)
anacelia.sm@hotmail.com
Resumo: Todo texto traz, de maneira explícita ou implícita, as ideologias e maneiras de pensar e de se expressar na sociedade de uma determinada época. Os textos literários ou não são criados, modificados e extintos conforme as necessidades comunicativas dos seus interlocutores. De acordo com Ribeiro (2016, 2021), a noção de texto vem sendo construída, descontruída e reconstruída ao logo do tempo, pois existem diferentes recursos linguístico-semióticos que são empregados na construção textual, como palavras, imagens, cores, sons, movimentos etc. Esses recursos contribuem para o surgimento de textos multimodais, isto é, diferentes tipos de linguagem. Para os analistas do discurso, os textos correspondem à materialização dos discursos e a língua é o lugar material onde se realizam os “efeitos de sentido” (Gregolin, 1995). Diante do exposto, este simpósio objetiva suscitar algumas discussões acerca da aplicação dos conceitos de discurso, texto, ideologia, condições de produção, formação discursiva, formação ideológica, dentre outros, utilizados pela Análise do Discurso para o estudo de textos multimodais, promovendo uma interface entre as áreas da Linguística e da Literatura, seja em meio impresso ou digital. Assim, poderão ser apresentadas propostas de análise de textos como memes, charges, quadrinhos, fanfics, anúncios publicitários, vídeos, documentários, StoryTellers e outras formas de expressar o pensamento e a cultura que têm surgido contemporaneamente.
Palavras-chave: Análise do Discurso. Textos multimodais. Linguística. Literatura.
REFERÊNCIAS:
GREGOLIN, M. R. V. A Análise do Discurso: conceitos e aplicações. Alfa, São Paulo, 39: 13-21,1995.
RIBEIRO, A. E. Multimodalidades, textos e tecnologias: provocações para a sala de aula. 1. ed. São Paulo: Parábola, 2021.
RIBEIRO, A. E. Textos multimodais: leitura e produção. 1. ed. São Paulo: Parábola, 2016.
8. Leitura e produção textual: práticas letradas no contexto da graduação e da pós-graduação
Bárbara Olímpia Ramos de Melo (UESPI-LEIA/CNPq)
E-mail: barbara.olimpia@ccm.uespi.br
John Hélio Porangaba de Oliveira (UESPI-LEIA/CAPES)
E-mail: johnhelio@uespi.br
Resumo: Ler e produzir textos na universidade requer vivências em letramentos acadêmicos que podem ser consideradas complexas, especialmente, para os membros menos experientes da comunidade discursiva. Neste simpósio, temos o objetivo de acolher discussões sobre leitura e produções, orais ou escritas, acadêmicas, considerando estudos sobre letramentos e gêneros acadêmicos em contextos de graduação e de pós-graduação. O tratamento explícito das questões de leitura, escrita e oralidade, por meio de pesquisas em andamento ou concluídas, em torno dos textos como os analisamos (lemos e produzimos) em gêneros, constitui uma contribuição metodológica significativa para valorizar a natureza dos estudos da linguagem e dos processos culturais acadêmicos. Assim, desenvolvem-se as práticas de letramentos acadêmicos ao tempo em que lemos e produzimos gêneros específicos como o resumo, a resenha, o projeto de pesquisa, o artigo científico, a monografia, a dissertação, a tese, a comunicação oral, as defesas públicas de trabalhos de final de curso etc., abrangendo sua inter-relação contextual (Street, 2017; Swales, 2019; Bezerra, 2022). Desse modo, para este simpósio temático, podem ser submetidas pesquisas concluídas ou em andamento que abordem questões de leitura e de produção textual acadêmicas, incluindo estudos de letramentos e análise de gêneros específicos. Consideramos que as propostas e participação de todos, com atenção para a temática deste simpósio, proporcionará significativos insights e compreensões para avançarmos no desenvolvimento acadêmico do ensino, da pesquisa e da extensão.
Palavras-chave: Letramentos acadêmicos; Leitura, escrita e oralidade; Gêneros acadêmicos.
REFERÊNCIAS:
BEZERRA, Benedito Gomes. O gênero como ele é (e como não é). São Paulo: Parábola 2022.
STREET, Brian. Letramentos acadêmicos: avanços e críticas recentes. In: AGUSTINI, Cármen; BERTOLDO, Ernesto (Orgs.) Incursões na escrita acadêmico-universitária:
letramento, discurso, enunciação [online]. Uberlândia: EDUFU, p. 21-33, 2017.
SWALES, John M. The futures of genres studies: a personal viewpoint. Jornal of English for Academic Pursposes, v.38, p. 75-82, 2019.
M.ª Mariana L. da Silva (UEMA)
M.ª Deyse Gabriely M. Brito (UEMA)
Dr. Waldemberg Araújo Bessa (UEMA)
Resumo: O presente simpósio pretende reunir pesquisas que abordem a perspectiva dos estudos discursivos materialistas relacionados a Michel Pêcheux em torno dos conceitos de texto e discurso, sujeito, identidade, subjetividade, alteridade, memória e história, ideologia e formação discursiva etc.; bem como trabalhos que articulem essas questões conceituais com a área da literatura, e discussões que envolvam identidade (Stuart Hall) e gênero (Spivak, Saffioti, Lugones, Dalcastagnè), pensando na quebra de apagamentos e estereótipos que a literatura de autoria e/ou representação feminina fomenta como forma de re-existência. Pretendemos, assim, desenvolver um espaço de discussão que possa contribuir para o desenvolvimento dos estudos linguísticos, discursivos e literários, refletindo sobre representação de sujeitos e construção de sentidos.
10. A Sociolinguística em debate
Dr. Antônio Luiz Alencar Miranda (UEMA/FAPEMA/CNPq)
antonioluiz_am@hotmail.com
Ma. Rayane de Andrade Rodrigues (UFMA)
rayane.andrade@discente.ufma.br
Resumo: A Sociolinguística Variacionista pode ser adotada em investigações sobre fenômenos fonológicos, morfológicos, sintáticos, semânticos e discursivos por meio de recursos metodológicos diversificados e diferentes tendências científicas (Labov, 2006[1996]; 2008[1972]; Eckert, 2012; Drager, 2015; Guy, 2016). Este Simpósio Temático, vinculado à área de Linguística, tem como objetivo congregar trabalhos que suscitam discussões para além dos estudos sociolinguísticos, e das suas possíveis interfaces, dentre as quais: estudos de Crenças, Atitudes, Avaliação, Percepção, Sociolinguística Educacional, Dialetologia/Geolinguística e áreas afins. Portanto, nossa intenção é promover a pluralidade dos saberes, abrir espaços para agregar trabalhos construídos com base na variação e mudança, por meio de um vasto repertório de pesquisas que permitam que o estudo da língua seja debatido por abordagens teóricas e metodológicas, dessa forma são convidados a apresentar propostas de apresentação de trabalho dos diferentes campos da Sociolinguística. Interessa-nos, ainda, trabalhos que discutam a língua partir de uma abordagem construcionista e pesquisas que estejam atentas à descrição, análise e discussão de fenômenos que caracterizem o Português do Brasil. Aceitamos pesquisas de estudantes, professores, pesquisadores e demais interessados pela temática que estejam em fase de conclusão e andamento que abordem diferentes perspectivas à luz da Sociolinguística Variacionista.
Palavras-chave: Variação. Mudança. Língua.