O dia 19/03, encerrando o Congresso, foi marcado por uma programação que consolidou uma das principais mensagens do evento: a agricultura orgânica avança quando ciência, prática e cooperação internacional caminham juntas. As palestras reuniram visões complementares — do cenário global às experiências brasileiras — mostrando como o conhecimento acumulado ao longo de décadas está sendo aplicado para enfrentar desafios atuais como mudanças climáticas, segurança alimentar e sustentabilidade dos sistemas produtivos.
Abrindo a programação, a palestra da Sociedade Internacional de Pesquisas em Agricultura Orgânica (ISOFAR), mediada por Alexandre Harkaly, trouxe uma perspectiva internacional com o professor Dr. Ulrich Köpke, uma das maiores referências mundiais no tema. Em sua apresentação, Köpke destacou como a agricultura orgânica se consolidou como um campo científico robusto, baseado em estudos de longo prazo, experimentação contínua e forte integração entre pesquisa e prática agrícola. Ao compartilhar experiências da Europa e conexões construídas com o Brasil desde a década de 1980, ele reforçou a importância de sistemas produtivos adaptados às condições locais, com foco em manejo de nutrientes, fixação biológica de nitrogênio, biodiversidade e resiliência dos agroecossistemas. A trajetória de iniciativas como a fazenda experimental Wiesengut e o modelo das “Pilot Farms” evidenciou como a cooperação entre agricultores, pesquisadores e instituições pode transformar conhecimento científico em soluções aplicáveis no campo. A fala despertou grande interesse do público, especialmente pela capacidade de conectar pesquisa de excelência com resultados concretos na produção.