VII SEMINÁRIO DIÁLOGOS PARA PRÁTICAS EM DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

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Será o Resíduo o Nosso Legado?

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Secretarias apresentam o panorama da coletiva seletiva em Niterói, Salvador e Manaus

Por Ana Carla Longo

“Onde nós temos coleta seletiva em larga escala funcionando no mundo?”, questionou Paulo Ricardo Rocha Farias, Secretário Municipal de Limpeza Pública de Manaus. Através de um panorama da situação da coleta seletiva na Alemanha, o secretário fez um quadro comparativo da gestão dos resíduos no mundo e no Brasil. Destacou ainda o número expressivo de embalagens que são descartadas diariamente, pontuando o conflito presente nos discursos dos produtores de embalagens e dos produtores de conteúdo.

A terceira palestra do segundo dia de evento reuniu representantes de três cidades diferentes e buscou abordar perspectivas da gestão municipal de resíduos no Brasil. André Fraga, Secretário Cidade Sustentável e Inovação de Salvador, explicou iniciativas como o Programa de Coleta Seletiva de Salvador. Exemplo de responsabilidade compartilhada, o programa trabalha com base em uma coleta porta a porta e estabeleceu pontos de entrega em toda cidade.

Representando a Secretaria do Meio Ambiente da Prefeitura de Niterói, Raissa Torres falou sobre o Plano Municipal de Gestão de Resíduos do município, através de programas de coleta porta a porta e de vinte e três pontos de entrega voluntária. Também abordou iniciativas de recolhimento de pneus e óleos de cozinha, além de projetos de educação ambiental e compostagem.

“O que os resíduos têm a ver com a mudança do clima?”

O segundo painel da parte da tarde discutiu as mudanças climáticas envolvidas na gestão de resíduos. Ednaldo Oliveira dos Santos, Professor do Programa de Pós-Graduação em Práticas em Desenvolvimento Sustentável da UFRRJ, trouxe o seguinte questionamento: “O que os resíduos têm a ver com a mudança do clima?”.

O professor relacionou a geração de resíduos a problemas como a emissão de gases estufa e efluentes líquidos. Durante sua fala, trouxe dados referentes à emissão per capta de resíduos sólidos em vários países, inclusive o Brasil, que vêm crescendo. Como alternativa, o professor apresentou casos de aterros sanitários que foram transformados em usinas para o reaproveitamento de energia e redução de emissões de CO2.

Em seguida, o problema da geração de metano na atmosfera foi tema da fala de João Carlos Xavier de Brito, Técnico da Comlurb. Segundo ele, técnicas como a compostagem trazem a necessidade de áreas extensas, assim como a incineração de resíduos possui custos elevados, o que torna a situação um desafio. Também apresentou processos alternativos aplicados em países europeus, sem deixar de abordar o problema de adaptação desses processos às características do clima e dos resíduos brasileiros. Para concluir, Xavier de Brito apontou as vantagens dos processos nacionais, mas ainda apontou que o Brasil está jogando fora 2,5% da energia.