Murilo Alves é maestro, pesquisador e gestor cultural, atualmente como diretor artístico e regente da Orquestra Sinfônica de Mato Grosso (OSMT) e presidente do Instituto Ciranda – Música e Cidadania. É doutorando em Música/Sonologia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), sob a orientação do Prof. Dr. José Augusto Mannis, e realiza estágio doutoral na Université Paris 8 (França) por meio do programa CAPES/Cofecub, com coorientação do Prof. Dr. Makis Solomos. Sua linha de pesquisa transita de forma interdisciplinar entre a ecologia sonora, o áudio imersivo, a bioacústica, a criação musical e a educação musical e ambiental. É mestre em Estudos de Cultura Contemporânea, bacharel em Regência e licenciado em Educação Artística/Música pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), instituição na qual também colaborou como professor substituto pelo período de cinco anos.
Sua formação em regência orquestral teve início com Flávia Vieira e Érika Hindrikson. Ao longo de mais de uma década, aperfeiçoou-se em cursos e festivais, sob a orientação de regentes como Daisuke Soga, Osvaldo Ferreira, Isaac Karabtchevsky e Roberto Tibiriçá. Complementando sua especialização no exterior, frequentou o Aruba Symphony Festival, orientado por Osvaldo Ferreira, e o The Conductors Institute no Bard College, em Nova York, orientado por Harold Farberman e Eduardo Navega.
A partir de experiência educacional com o educador Tim Steiner em concertos didáticos realizados em Londres, esteve à frente de mais de uma centena de concertos didáticos integrados às temporadas oficiais da Orquestra do Estado de Mato Grosso. Pelo Instituto Ciranda, participou também do IX Fórum da Juventude da UNESCO, em Paris, no ano de 2015.
Nos últimos anos dirigiu concertos com grandes expoentes da música brasileira, tais como Ivan Lins, Nelson Ayres, Mônica Salmaso, Tiê, Carlos Malta, Daniel D’Alcântara, Vittor Santos, Radegundis Feitosa, Sérgio Galvão, Nailson Simões e Itiberê Zwarg. No audiovisual, colaborou com o cineasta Perseu Azul na concepção e composição de trilhas sonoras originais para os filmes Dois bois e Outro lugar.
Pantanal Mato-Grossense: desdobramentos em processos de educação e criação musical
Na pesquisa investigamos a relação entre a paisagem sonora de ambientes naturais e os sistemas de áudio imersivo, aplicando essa articulação a ações de educação musical e ambiental, criação composicional e performance. Fundamentado na ecologia acústica de R. Murray Schafer, Makis Solomos e Bernie Krause, e nas estruturas biomusicais de François-Bernard Mâche, o estudo adota o Pantanal Mato-Grossense (região de Porto Jofre) como campo de amostragem bioacústica. A investigação avalia em que medida o ambiente sonoro natural, mediado por tecnologias de espacialização, atua no desenvolvimento de abordagens pedagógicas e criativas no ensino de música, além de contribuir para a conscientização sobre pautas ecológicas e de consciência ambiental.
A metodologia articula incursões de campo e experimentação laboratorial. As atividades práticas envolvem a captura de áudio multicanal em 360 graus na região pantaneira, seguida por sessões de escuta e análise no Laboratório de Acústica e Artes Sonoras (LASom) da Unicamp. Tanto para as gravações de campo como para a difusão sonora espacializada, utiliza-se o dispositivo de áudio imersivo hexagonal desenvolvido pelo Prof. Dr. José Augusto Mannis, orientador do trabalho.
No âmbito pedagógico e artístico, o estudo vincula-se às ações do Instituto Ciranda – Música e Cidadania e da ONG Juara Foundation. Por meio do programa Pantanal Aventura Sonora, estruturam-se oficinas interdisciplinares e atividades de escuta imersiva direcionadas ao desenvolvimento de habilidades musicais e à conservação ambiental. No campo da criação e da interpretação contemporânea, explora-se a incorporação de técnicas instrumentais estendidas, improvisação livre e variação sonoras a partir do ecossistema local.