Que implicações clínicas surgem para um sujeito que sustenta um discurso em uma língua imagética e não sonora? Que efeitos pode-se recolher dessa experiência clínica? Trazemos no presente trabalho um recorte de experiência: a escuta de alguns analisandos surdos que falam através da libras, língua brasileira de sinais. Por ser uma língua icônica, pode-se dizer que há significante, chiste, equívoco, na língua de sinais? Há formações do inconsciente? Haveriam especificidades em um tratamento psicanalítico de pessoas com surdez? Quais são os efeitos do tratamento psicanalítico? 
    O curso propõe pensar a possibilidade e os impasses de atendimento clínico a pessoas portadoras de surdez. Visamos articular a teoria à clínica, tanto no que diz respeito aos atendimentos clínicos e à supervisão, para avançar nas questões que surgem no campo psicanalítico relativas à escuta em libras. Nosso público-alvo são os profissionais de saúde que lidam com questões da saúde mental, tais como psicólogos, psiquiatras, médicos, enfermeiros, etc e também profissionais da educação, visto que a saúde mental engloba vários âmbitos sociais aos quais os sujeitos transitam. Dividiremos o curso em dois grandes blocos: teoria e clínica. 
    No bloco teórico, faremos um histórico das pesquisas em línguas de sinais principalmente na área da psicologia, abordando teóricos de referência no campo da psicologia e surdez. São eles: Benoît Virole e seu tratado: a psicologia da surdez e na área da psicanálise, abordando desde Freud a Lacan, os pontos onde esses grandes autores tocam na questão dos surdos mas também trazendo autores da atualidade: Jean-Claude Maleval, que diferencia a posição dos surdos e dos autistas; Michel Poisat e seu livro A voz surda e também o construto de Jean Michel Vivès, sobre o ponto surdo, necessário no desenvolvimento dos sujeitos.
    Já no bloco sobre a clínica, tratemos a experiência da prática e de como o setting analítico e os grandes conceitos da psicanálise, inconsciente e transferência, se apresentam na clínica em libras.  Lembrando aqui que sempre preservamos o sigilo dos casos clínicos abordados. 
    Portanto, o curso será importante para as autoras, para os profissionais de saúde e principalmente para a comunidade surda, visto que é imprescindível difundir o conhecimento nesta área, tão pouco pesquisada ainda e tão essencial, pois não se pode sustentar uma análise com a presença de um intérprete e tampouco se trata somente do psicanalista ou psicólogo aprender libras. Nós que sustentamos uma escuta em sinais precisamos estudar e estar atentos a esses pontos que abordaremos.

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