“EU TENHO QUE FAZER TUDO NESSA CASA?”: A INTERSECÇÃO DE GÊNERO, RAÇA E MATERNAGEM NA REPRESENTAÇÃO DA PERSONAGEM ROCHELLE

  • Autor
  • Tales Gandi Veloso de ANDRADE
  • Resumo
  •  

    RESUMO

    Introdução

    O seriado Todo Mundo Odeia o Chris (2005–2009), é uma comédia de situação norte-americana ambientada no Brooklyn, nos anos 1980, que retrata o cotidiano de uma família negra atravessada por desigualdades raciais, econômicas e sociais. Dentre os personagens, destaca-se Rochelle, matriarca da Família Rock, cuja representação mobiliza questões centrais relativas a gênero, raça, classe social, trabalho e maternagem. A série, amplamente consumida no Brasil, constitui um objeto relevante para a análise das representações midiáticas de mulheres negras e de suas experiências interseccionais.

    Justificativa

    A relevância do estudo reside na escassez de análises acadêmicas que abordem, de forma aprofundada, a representação da maternagem negra em produtos audiovisuais de grande circulação. Em um contexto midiático historicamente marcado por estereótipos racistas e sexistas, investigar a personagem Rochelle permite compreender como a televisão pode, simultaneamente, reproduzir estigmas e evidenciar desigualdades estruturais que atravessam a vida das mulheres negras. Além disso, o forte impacto cultural do seriado no Brasil reforça a pertinência da análise.

    Problema e Objetivos de Pesquisa

    O artigo busca responder à seguinte questão: de que maneira Todo Mundo Odeia o Chris constrói a representação da personagem Rochelle e em que medida essa construção reforça ou problematiza estereótipos associados às mulheres negras? O objetivo geral é analisar a representação interseccional de Rochelle, considerando os marcadores de gênero, raça, classe, trabalho e maternagem. Como objetivos específicos, pretende-se identificar as responsabilidades atribuídas à personagem no espaço doméstico, examinar sua autoridade familiar e discutir os significados sociais associados à maternagem negra.

    Metodologia

    A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, fundamentada na análise do discurso, conforme a perspectiva de Rosalind Gill (2002). O marco teórico articula contribuições do feminismo negro e do conceito de interseccionalidade, especialmente a partir de autoras como Angela Davis, Kimberlé Crenshaw, Patricia Hill Collins, Sueli Carneiro e Lélia Gonzales. Metodologicamente, o seriado foi acompanhado do início ao fim; contudo, para uma análise mais aprofundada, selecionaram-se dois episódios da primeira temporada: o episódio Piloto e o episódio Todo Mundo Odeia Funerais. Os episódios foram transcritos e analisados com o auxílio do software Voyant Tools, permitindo a identificação de recorrências discursivas e temáticas relacionadas à personagem Rochelle.

    Discussão Preliminar e Resultados Esperados

    A análise preliminar indica que Rochelle é representada como uma mulher negra forte, autoritária e sobrecarregada, concentrando sobre si o trabalho doméstico, o cuidado com os filhos e a mediação dos conflitos familiares. Embora o seriado reproduza estereótipos historicamente associados às mulheres negras, como a figura da mulher “durona” e impaciente, também evidencia as condições estruturais que produzem essa sobrecarga, como a precariedade econômica, o racismo e a divisão sexual do trabalho. A maternagem de Rochelle é marcada pelo medo que possui da convivência dos filhos com a violência urbana, a criminalidade e a gravidez precoce, revelando especificidades da experiência materna negra. Espera-se demonstrar que a série constrói uma representação ambígua: ao mesmo tempo em que reforça estigmas, oferece uma crítica às desigualdades sociais que moldam a vivência interseccional das mulheres negras, contribuindo para uma leitura reflexiva sobre a personagem Rochelle.

  • Palavras-chave
  • Indústria Midiática; Sitcom; Televisão; Mulher Negra; Todo Mundo Odeia o Chris
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
  • GT 3 - Indústrias Midiáticas
Voltar Download
  • GT 1 - Políticas de Comunicação
  • GT 2 - Comunicação popular, alternativa e comunitária
  • GT 3 - Indústrias Midiáticas
  • GT 4 - Políticas Culturais e Economia Política da Cultura
  • GT 5 - Economia Política do Jornalismo
  • GT 6 - Teoria e Epistemologia da Economia Política da Comunicação
  • GT 7 - Estudos Críticos em Ciência da Informação
  • GT 8 - Estudos Críticos sobre identidade, gênero e raça
  • Sessões Especiais em "Comunicação e Extensão"

Comissão Organizadora

Sociedade EPTICC

Comissão Científica

Ana Beatriz Lemos da Costa (TCU/UnB)

Anderson David Gomes dos Santos (UFAL)

Antônio José Lopes Alves (UFMG)

Carlos Alberto Ávila Araújo (UFMG)

Carlos Peres de Figueiredo Sobrinho (UFS)

César Ricardo Siqueira Bolaño (UFS)

Débora Ferreira de Oliveira (UFMG)

Edvaldo Carvalho Alves (UFPB)

Fernando José Reis de Oliveira (UESC)

Helena Martins do Rêgo Barreto (UFC)

Janaina do Rozário Diniz (UEMG/UFMG)

Janaíne Sibelle Freires Aires (UFRJ)

Kaio Lucas da Silva Rosa (UFMG)

Lorena Tavares de Paula (UFMG)

Manoel Dourado Bastos (UEL)

Mardochée Ogecime (UFOP/UFMG)

Marília de Abreu Martins de Paiva (UFMG)

Rafaela Martins de Souza (Universidade de Coimbra)

Rozinaldo Antonio Miani (UEL)

Rodrigo Moreno Marques (UFMG)

Ruy Sardinha Lopes (USP)

Sophia de Aguiar Vieira (UFMG)

Verlane Aragão Santos (UFS)