GUERRA CONTRA EXPERTISE E A REPRESENTAÇÃO DA (DES)INFORMAÇÃO: O CASO DO TYLENOL E O TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA

  • Autor
  • Marianna Zattar
  • Co-autores
  • Juliana de Assis
  • Resumo
  •  

    Este estudo investiga a marcação social em contextos digitais a partir da noção de práticas informacionais, que considera o contexto e comunidade em interação de comunidades discursivas nas dinâmicas de produção e uso de informações sobre temas específicos. Para tanto, problematiza como a informação e a desinformação sobre a relação entre o uso de medicamentos e o Transtorno do Espectro Autista é construída no ambiente digital, tendo como recorte temporal as duas semanas subsequentes ao pronunciamento do presidente da república Donald Trump O negacionismo científico, que neste estudo evidencia uma guerra narrativa contra expertise científica, é examinado como uma estratégia discursiva que relativiza a legitimidade da produção do conhecimento científico, onde a imprecisão e a dúvida criam espaços para a defesa de formas alternativas de poder e ideologias. O método da pesquisa na coleta de dados abarca um total de 128 tweets foram coletados entre 22 de setembro e 10 de outubro de 2025, utilizando a hashtag #tylenol na Plataforma X. Assim, análise dos dados foi realizada uma análise exploratória e qualitativa dos tweets que utilizaram a hashtag #tylenol com a utilização das análises de redes sociais e de sentimentos, que foram empregadas para examinar as práticas de marcação social relacionadas à associação entre o uso de medicamentos e o Transtorno do Espectro Autista. A análise de redes sociais enfatiza as conexões entre eles, investigando como esses vínculos estruturam comportamentos, influenciam a difusão de informações e moldam a dinâmica social. E a análise de sentimento permite o estudo de como as manifestações nas mídias sociais, por meio da representação colaborativa, agregam opiniões sem necessariamente se aterem aos fatos. Um script em Python foi desenvolvido para auxiliar na extração, processamento, visualização e análise dos dados. As hashtags funcionam como signos condensadores de crenças, afetos e posicionamentos ideológicos, organizando o discurso público em torno de temas controversos. Os resultados mostraram que o viés de confirmação e o raciocínio motivado explicam como as práticas informacionais e a representação da informação com a folksonomia, enquanto ações socioculturais, demonstram intencionalidade discursiva em grupos que compartilham afinidades e até mesmo compromissos em relação à sua visão de mundo. As descobertas demonstraram que a representação social pode reforçar vieses e favorecer narrativas pseudocientíficas ou de captura da noção de evidência científica. Foi possível observar que o "Tylenol" foi ressignificado como um símbolo de desconfiança nas instituições científicas, enquanto as hashtags funcionaram como marcadores ideológicos e de identidade, formando um ecossistema de desinformação impulsionado pela força emocional do discurso.

     

  • Palavras-chave
  • Negacionismo científico, Guerra contra expertise, Representação da informação, Desinformação, Tylenol, Transtorno do espectro autista
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
  • GT 7 - Estudos Críticos em Ciência da Informação
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