Por que desenvolver coleções negras?

  • Autor
  • Rodrigo Santos Oliveira
  • Co-autores
  • Gleice Pereira , Ana Claudia Borges Campos
  • Resumo
  •  

    As bibliotecas são historicamente reconhecidas como guardiãs do conhecimento e veículos de preservação da memória humana. No entanto, o processo de construção de seus acervos frequentemente reflete visões eurocêntricas que invisibilizam a produção intelectual e a história das populações negras. Este trabalho contextualiza a biblioteca como espaço de democratização e a importância do bibliotecário no papel de curador social. A justificativa reside na necessidade de reparação histórica e representatividade em um país de maioria negra, onde o sistema escravocrata e movimentos eugenistas deixaram marcas de apagamento cultural e racismo estrutural. O problema de pesquisa interroga: "Por que desenvolver coleções negras?", tendo como objetivo geral analisar os fundamentos e parâmetros para o desenvolvimento de coleções com temática étnico-racial em bibliotecas públicas. Os objetivos específicos buscam descrever o processo de desenvolvimento de coleções, contextualizar a luta negra por representação e identificar normativas que amparam acervos decoloniais. A metodologia caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica de abordagem qualitativa. O marco teórico fundamenta-se nas etapas de desenvolvimento de coleções propostas por Vergueiro (1989), Figueiredo (1998), Weitzel (2006) e Maciel & Mendonça (2006), determinando estudos de comunidade, políticas de seleção, aquisição e avaliação dos acervos em bibliotecas. Essas bases são somadas às discussões sobre identidade e letramento racial de Munanga (2019) e Gomes (2017). Munanga fundamenta a discussão sobre a construção da identidade, argumentando que a aceitação da negritude é um ato político e cultural necessário para que o sujeito negro reconheça traços de beleza e humanidade em sua própria cor, combatendo o racismo internalizado. Já Gomes (2017) apresenta o "Movimento Negro Educador" como um fenômeno que produz saberes emancipatórios, tensionando as instituições a descolonizarem seus currículos e práticas informacionais. A processualidade metodológica envolve a análise documental de legislações e diretrizes nacionais e internacionais. A discussão preliminar apresenta como resultados esperados a confirmação de que a Lei Nº 10.639/03 e o Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) são instrumentos vitais de fomento, fortalecendo a distribuição de materiais pertinentes. Além disso, aponta-se que as diretrizes da Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA) e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS 4 e 10) da Agenda 2030 conferem respaldo global para que a biblioteca, como uma instituição social e cultural, atue na promoção de equidade sócio-racial. Conclui-se que o desenvolvimento de coleções negras não é apenas uma tarefa técnica de gestão e das atividades biblioteconômicas, mas uma ação de "curadoria social" essencial para a decolonialidade do saber e o fortalecimento da identidade afro-brasileira.

  • Palavras-chave
  • Bibliotecas públicas, Desenvolvimento de coleções, Relações étnico-raciais
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
  • GT 8 - Estudos Críticos sobre identidade, gênero e raça
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