As bibliotecas são historicamente reconhecidas como guardiãs do conhecimento e veículos de preservação da memória humana. No entanto, o processo de construção de seus acervos frequentemente reflete visões eurocêntricas que invisibilizam a produção intelectual e a história das populações negras. Este trabalho contextualiza a biblioteca como espaço de democratização e a importância do bibliotecário no papel de curador social. A justificativa reside na necessidade de reparação histórica e representatividade em um país de maioria negra, onde o sistema escravocrata e movimentos eugenistas deixaram marcas de apagamento cultural e racismo estrutural. O problema de pesquisa interroga: "Por que desenvolver coleções negras?", tendo como objetivo geral analisar os fundamentos e parâmetros para o desenvolvimento de coleções com temática étnico-racial em bibliotecas públicas. Os objetivos específicos buscam descrever o processo de desenvolvimento de coleções, contextualizar a luta negra por representação e identificar normativas que amparam acervos decoloniais. A metodologia caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica de abordagem qualitativa. O marco teórico fundamenta-se nas etapas de desenvolvimento de coleções propostas por Vergueiro (1989), Figueiredo (1998), Weitzel (2006) e Maciel & Mendonça (2006), determinando estudos de comunidade, políticas de seleção, aquisição e avaliação dos acervos em bibliotecas. Essas bases são somadas às discussões sobre identidade e letramento racial de Munanga (2019) e Gomes (2017). Munanga fundamenta a discussão sobre a construção da identidade, argumentando que a aceitação da negritude é um ato político e cultural necessário para que o sujeito negro reconheça traços de beleza e humanidade em sua própria cor, combatendo o racismo internalizado. Já Gomes (2017) apresenta o "Movimento Negro Educador" como um fenômeno que produz saberes emancipatórios, tensionando as instituições a descolonizarem seus currículos e práticas informacionais. A processualidade metodológica envolve a análise documental de legislações e diretrizes nacionais e internacionais. A discussão preliminar apresenta como resultados esperados a confirmação de que a Lei Nº 10.639/03 e o Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) são instrumentos vitais de fomento, fortalecendo a distribuição de materiais pertinentes. Além disso, aponta-se que as diretrizes da Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA) e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS 4 e 10) da Agenda 2030 conferem respaldo global para que a biblioteca, como uma instituição social e cultural, atue na promoção de equidade sócio-racial. Conclui-se que o desenvolvimento de coleções negras não é apenas uma tarefa técnica de gestão e das atividades biblioteconômicas, mas uma ação de "curadoria social" essencial para a
Comissão Organizadora
Sociedade EPTICC
Comissão Científica
Ana Beatriz Lemos da Costa (TCU/UnB)
Anderson David Gomes dos Santos (UFAL)
Antônio José Lopes Alves (UFMG)
Carlos Alberto Ávila Araújo (UFMG)
Carlos Peres de Figueiredo Sobrinho (UFS)
César Ricardo Siqueira Bolaño (UFS)
Débora Ferreira de Oliveira (UFMG)
Edvaldo Carvalho Alves (UFPB)
Fernando José Reis de Oliveira (UESC)
Helena Martins do Rêgo Barreto (UFC)
Janaina do Rozário Diniz (UEMG/UFMG)
Janaíne Sibelle Freires Aires (UFRJ)
Kaio Lucas da Silva Rosa (UFMG)
Lorena Tavares de Paula (UFMG)
Manoel Dourado Bastos (UEL)
Mardochée Ogecime (UFOP/UFMG)
Marília de Abreu Martins de Paiva (UFMG)
Rafaela Martins de Souza (Universidade de Coimbra)
Rozinaldo Antonio Miani (UEL)
Rodrigo Moreno Marques (UFMG)
Ruy Sardinha Lopes (USP)
Sophia de Aguiar Vieira (UFMG)
Verlane Aragão Santos (UFS)