No cenário midiático paraibano, a disseminação de informações em veículos de comunicação é um elemento do cotidiano. Entretanto, observa-se uma disparidade latente na qualidade dessa divulgação, que transita frequentemente entre o sensacionalismo e abordagens pretensamente parciais. Em ambos os espectros, identifica-se a urgência de um direcionamento ético e não sexista, especialmente no que tange à publicização de dados e relatos sobre a violência contra a mulher.
Andrade (2022) define violência contra a mulher como uma expressão da violência de gênero, que é toda ação ou omissão que cause dano psicológico, físico, moral, patrimonial, sexual e até à morte, em âmbito público ou privado. O ápice dessa progressão violenta é o feminicídio, crime que ganha notoriedade nas mídias televisivas e digitais (GOBBI; MACHADO FILHO, 2015), além das redes sociais, vinculadas ou não aos canais oficiais de notícias.
Notadamente, não é rara a divulgação de notícias sobre feminicídio que exponham de maneira negativa as vítimas, culpabilizando as pelas violências sofridas e “justificando” o crime pelas vestes da mulher, ausência de denúncia, terminar ou não o relacionamento, perdoar várias vezes o autor das violências entre outros. Tais narrativas ignoram a complexidade do ciclo da violência, que Andrade (2022) descreve em três fases: a tensão (violências psicológicas); a explosão (agressões físicas intensas); e a lua de mel (pedidos de perdão e promessas de mudança). A incompreensão dessas fases pela mídia reforça estigmas e silencia a gravidade do risco, que se eleva drasticamente quando há filhos envolvidos, utilizados muitas vezes como instrumentos de coerção.
Apresenta-se um recorte das algumas falas veiculadas para toda a Paraíba, em horários de grande audiência: “É negócio de satanás mesmo, né? Porque a mulher apanha, apanha e depois perdoa o marido” - TV Correio - Correio Verdade, 25 de setembro de 2020” (PARAÍBA, 2024, p. 6). A análise de falas veiculadas em horários de grande audiência na Paraíba revela o descompasso ético, vão de encontro ao que assinala a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) em seu artigo 8º que é imperativo promover o “Respeito nos meios de comunicação social aos valores éticos, não sexistas e prol da equidade de gênero [...]” (BRASIL, 2006).
Neste contexto, o presente trabalho tem como objetivo geral analisar as principais notícias veiculadas no noticiário paraibano no ano de 2025, tomando como marco temporal a publicação do Guia de Enfrentamento da Violência contra as Mulheres (2024). Especificamente, tem-se de descrever a construção das chamadas jornalísticas; identificar termos sexistas e verificar se houve mudanças estruturais na cobertura local. Como metodologia, a pesquisa apresentar-se-á como qualitativa, com uso do nível dissertativo-explicativo, a tipologia será considerada como pesquisa documental, tendo as notícias veiculadas análogas aos documentos, como técnica o uso da análise de conteúdo semântica (BARDIN, 2011). Espera-se, verificar se ocorreram mudanças após a publicação do referido Guia (PARAÍBA, 2024).Entende-se que o sexismo e a misoginia são combustíveis letais, portanto, uma comunicação pautada na ética de gênero é essencial para romper com o senso comum de que “em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”.
Comissão Organizadora
Sociedade EPTICC
Comissão Científica
Ana Beatriz Lemos da Costa (TCU/UnB)
Anderson David Gomes dos Santos (UFAL)
Antônio José Lopes Alves (UFMG)
Carlos Alberto Ávila Araújo (UFMG)
Carlos Peres de Figueiredo Sobrinho (UFS)
César Ricardo Siqueira Bolaño (UFS)
Débora Ferreira de Oliveira (UFMG)
Edvaldo Carvalho Alves (UFPB)
Fernando José Reis de Oliveira (UESC)
Helena Martins do Rêgo Barreto (UFC)
Janaina do Rozário Diniz (UEMG/UFMG)
Janaíne Sibelle Freires Aires (UFRJ)
Kaio Lucas da Silva Rosa (UFMG)
Lorena Tavares de Paula (UFMG)
Manoel Dourado Bastos (UEL)
Mardochée Ogecime (UFOP/UFMG)
Marília de Abreu Martins de Paiva (UFMG)
Rafaela Martins de Souza (Universidade de Coimbra)
Rozinaldo Antonio Miani (UEL)
Rodrigo Moreno Marques (UFMG)
Ruy Sardinha Lopes (USP)
Sophia de Aguiar Vieira (UFMG)
Verlane Aragão Santos (UFS)