Os megaeventos esportivos consolidaram-se, nas últimas décadas, como arenas estratégicas das indústrias midiáticas contemporâneas, nas quais o esporte se articula a interesses econômicos, midiáticos e culturais em escala global. Inseridos na lógica da Indústria Cultural, esses eventos ultrapassam a dimensão competitiva e passam a operar como mercadorias simbólicas, produzidas, circuladas e disputadas em ecossistemas comunicacionais complexos.
Nesse contexto, os Jogos Olímpicos de Paris 2024 configuram-se como um objeto privilegiado para a análise do esporte enquanto fenômeno comunicacional midiatizado, especialmente diante da centralidade assumida pelas plataformas digitais na organização da visibilidade, da circulação discursiva e da interação com os públicos.
Este trabalho parte de pesquisa mais ampla de mestrado, que tem como objetivo analisar como o esporte, compreendido como indústria cultural (SANTOS & SANTOS, 2016), é discursivamente construído e colocado em circulação nas plataformas digitais do Comitê Olímpico Internacional, especificamente no Instagram e no Twitter/X. Aqui, realiza-se um teste de análise no perfil @jogosolimpicos do Instagram, durante a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Paris 2024, considerando as interações de usuários brasileiros.
O eixo teórico-metodológico parte da Economia Política da Comunicação (EPC), articulando a crítica da Indústria Cultural às noções de mediação e midiatização (BOLAÑO & BASTOS, 2020; BRITTOS & SANTOS, 2012) com o seu desenvolvimento quanto às plataformas digitais (BOLAÑO, BARRETO & VALENTE, 2022).
Entende-se que as plataformas digitais operam como infraestruturas comunicacionais que condicionam formatos narrativos, regimes de visibilidade e possibilidades de interação, reorganizando os modos de produção e circulação dos discursos esportivos. Nesse cenário, as publicações institucionais do Comitê Olímpico Internacional e os comentários dos usuários configuram uma circulação discursiva marcada por disputas de sentido, apropriações simbólicas e negociações entre instâncias institucionais e públicos.
Como procedimentos metodológicos, o estudo realiza pesquisa exploratória, que adota uma abordagem qualiqualitativa, interpretativa e crítica, ancorada na Análise de Discurso Crítica (FAIRCLOUGH, 2001). O corpus será coletado em publicações institucionais veiculadas pelo perfil @jogosolimpicos no Instagram no dia da abertura dos Jogos Olímpicos de Paris (26 de julho de 2024). A partir disso, escolheremos a postagem com maior interação para análise dos comentários. A delimitação do corpus privilegia a densidade analítica e a possibilidade de examinar as condições de produção, circulação e apropriação dos discursos esportivos nas plataformas digitais.
Como resultados esperados, pretende-se demonstrar que o esporte olímpico se constitui como processo comunicacional midiatizado, no qual a lógica da Indústria Cultural e das plataformas digitais organiza a circulação de sentidos e a interação entre instituições e públicos, com a abertura do evento sendo um momento exemplar disso, dada a atenção mundial para um megaevento realizado a cada quatro anos.
Comissão Organizadora
Sociedade EPTICC
Comissão Científica
Ana Beatriz Lemos da Costa (TCU/UnB)
Anderson David Gomes dos Santos (UFAL)
Antônio José Lopes Alves (UFMG)
Carlos Alberto Ávila Araújo (UFMG)
Carlos Peres de Figueiredo Sobrinho (UFS)
César Ricardo Siqueira Bolaño (UFS)
Débora Ferreira de Oliveira (UFMG)
Edvaldo Carvalho Alves (UFPB)
Fernando José Reis de Oliveira (UESC)
Helena Martins do Rêgo Barreto (UFC)
Janaina do Rozário Diniz (UEMG/UFMG)
Janaíne Sibelle Freires Aires (UFRJ)
Kaio Lucas da Silva Rosa (UFMG)
Lorena Tavares de Paula (UFMG)
Manoel Dourado Bastos (UEL)
Mardochée Ogecime (UFOP/UFMG)
Marília de Abreu Martins de Paiva (UFMG)
Rafaela Martins de Souza (Universidade de Coimbra)
Rozinaldo Antonio Miani (UEL)
Rodrigo Moreno Marques (UFMG)
Ruy Sardinha Lopes (USP)
Sophia de Aguiar Vieira (UFMG)
Verlane Aragão Santos (UFS)