Quais são, o que vendem e como as Big Techs “made in USA” afetam o mundo?

  • Autor
  • Marcelo Fernandes de Oliveira
  • Resumo
  • As Big Techs são empreendimentos privados monopólicos na área de Tecnologia da Informação e Comunicação (TICs) algorítmicas. São as empresas responsáveis pelo desenvolvimento de bens e serviços inovadores demandados pela sociedade do conhecimento (ROSECRANCE, 2021).

    Elas atuam na coleta e no processamento de dados e informações para desenvolver serviços e produtos às pessoas e aos mercados. O papel central delas é prover serviços à conexão digital e, consequentemente, se transformaram em controladoras das redes de comunicação e compartilhamento de informações do mundo globalizado.

    A questão é que a sociedade do conhecimento e a liberalidade que as Big Techs tiveram para materializá-la, a partir do ciberespaço, constituem uma invenção política-estatal-militar dos Estados Unidos.

    Daí propormos o conceito de Big Techsmade in USA”. As cinco principais representantes do mundo corporativo estadunidense são: Google, Apple, Microsoft, Amazon e Meta. A literatura denomina essas empresas pela sigla GAMAM.

    O problema é que o empreendedorismo dos yuppies norte-americano se apropriou do ciberespaço e das TICs algorítmicas como propriedade privada, com total apoio da burocracia estatal-militar, dos acadêmicos e dos políticos dos Estados Unidos. E hoje, com o apoio do Estado norte-americano, suas empresas oligopolizaram o mercado das TICs (MILKLER, 2018).

    Mais grave ainda é a apropriação e o uso que essas corporações vêm fazendo dos dados pessoais e sua utilização, tanto na ampliação da lucratividade quanto na disseminação de informações enviesadas à manipulação da opinião pública em favor de atores políticos antissistema, contribuindo, dessa maneira, à erosão das bases da economia de mercado e dos regimes democráticos, no mundo todo (MOROZOV, 2018).

    Diante desse quadro, cabe indagarmos: quem são, o que vendem, quais seus interesses e como as Big Techsmade in USA” podem afetar o mundo, cada país em particular e a nossa vida cotidiana?

    A resposta a essa questão compreende nossos objetivos: demonstrar quais são, o que vendem e como as Big Techs made in USA” podem afetar o mundo e a vida cotidiana individual; apresentar como essas empresas nasceram enquanto startups, no mundo virtual “inventado” pelos investimentos estatais norte-americanos; a partir desses aspectos, indicar os produtos digitais que as Big Techs criaram, os quais modelaram a sociedade do conhecimento e como vivemos hoje; e compreender as potencialidades que essas empresas, reunidas pela sigla GAMAM, têm para afetar a dinâmica mundial.

    A metodologia possui natureza exploratória, com abordagem qualitativa, sedimentada em conhecimento teórico transdisciplinar de Ciência da Informação e Relações Internacionais (PRODANOV et. al, 2013).

    Os resultados obtidos foram: articular conceitos da Ciência da Informação e das Relações Internacionais, principalmente sobre economia política da informação e a ação soberana de Estados no mundo; a fim de evidenciar como eles podem ser utilizados na análise do papel das Big Techs e suas tecnologias orientadas ao exercício da governação algorítmica.

    Conclui-se que o assunto é muito relevante para ser ignorado pela academia brasileira; e faz-se necessário implementar estudos transdisciplinares sobre os países ricos e suas companhias que dominam a arte da governança algorítmica; e, infelizmente, o Brasil está atrasado uma década nessa tarefa.

  • Palavras-chave
  • Big Techs, GAMAM, Internet, Estados Unidos, Mundo
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
  • GT 7 - Estudos Críticos em Ciência da Informação
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