DIVA MOREIRA E ZUZU ANGEL: TRAJETÓRIAS FEMININAS DE RESISTÊNCIA NA DITADURA MILITAR

  • Autor
  • Mariana de Oliveira Santos
  • Co-autores
  • Letícia Gomes de Oliveira
  • Resumo
  • Este trabalho busca analisar as experiências de Diva Moreira e Zuzu Angel, duas figuras femininas que, em contextos distintos, revelam como raça e gênero operaram de forma decisiva na estrutura social e política do período da ditadura militar. A escolha dessas trajetórias se justifica pela possibilidade de evidenciar tanto as desigualdades raciais e de gênero que marcaram as experiências de repressão, quanto as diferentes maneiras da resistência feminina, contribuindo na ampliação das narrativas históricas de um dos períodos mais importantes do Brasil.

    O problema que orienta esta pesquisa é compreender como as identidades de gênero e raça moldaram as formas de resistência e denúncia durante a ditadura, e como essas trajetórias contribuem para os debates contemporâneos sobre memória, verdade e justiça. O objetivo geral é analisar as experiências de Diva Moreira e Zuzu Angel como exemplos de resistência feminina, destacando suas contribuições para a luta contra o autoritarismo e para a visibilidade das mulheres na história política brasileira. Nesse sentido, o estudo propõe uma leitura comparativa das duas trajetórias, buscando mostrar como diferentes marcadores sociais produziram experiências distintas de repressão, resistência e reconhecimento, ao mesmo tempo que reafirma a importância das perspectivas de gênero e raça na construção da memória histórica sobre o período da ditadura.

    A metodologia adotada é qualitativa, fundamentada na análise documental e na perspectiva dos estudos de gênero e raça. Foram consultados acervos como Memórias Reveladas e Brasil Nunca Mais, além de relatórios da Comissão Nacional da Verdade, entrevistas, artigos acadêmicos e reportagens jornalísticas.

    Os resultados preliminares indicam que Diva Moreira, mulher negra e militante, enfrentou dupla opressão: pela repressão política e pelo racismo estrutural. Sua atuação em jornais sindicais, movimentos femininos e na Casa Dandara revela uma preocupação constante com a condição da mulher negra, denunciando desigualdades educacionais, econômicas e sociais. Em paralelo, a trajetória de Zuzu Angel evidencia outra forma de resistência feminina. Após o desaparecimento e morte do seu filho, Stuart Angel, Zuzu transformou a moda em instrumento de denúncia, utilizando desfiles e criações simbólicas para expor a violência e a repressão do regime, com alcance nacional e internacional. As trajetórias representadas por elas evidenciam como mulheres, inseridas em diferentes contextos sociais e raciais, desenvolveram estratégias distintas de enfrentamento político, seja atuando por meio da militância, imprensa e organização comunitária, ou usando da arte como forma de denúncia e ressignificação do papel da maternidade, assim convertendo suas experiências em ações de resistência e de preservação da memória histórica.

    Conclui-se que o estudo das trajetórias de Diva Moreira e Zuzu Angel evidenciam o protagonismo feminino na resistência à ditadura militar, ao mesmo tempo em que revelam como raça e gênero condicionaram de forma desigual as experiências de repressão, os modos de atuação política e os processos de reconhecimento histórico. Ao recuperar essas histórias, a pesquisa contribui para a ampliação das narrativas sobre o período ditatorial, reforçando a importância da memória como instrumento de justiça e de enfrentamento aos silenciamentos históricos.

  • Palavras-chave
  • Ditadura militar; resistência feminina; gênero e raça; memória histórica; mulheres na política.
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
  • GT 8 - Estudos Críticos sobre identidade, gênero e raça
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