O presente estudo analisa o uso dos dados e TICs na atividade violenta da opressão militar imperialista veiculada por plataforma. Nota-se que o decrépito estado de capitalismo necessita níveis inéditos de vigilância para, violentamente, manter a superexploração periférica.
A Palantir, representa este cenário. A gigante de análise de dados e IA, fundada em 2003 por Peter Thiel e Alex Karp, origina-se de algoritmos antifraude do PayPal, integrando bancos de dados para um panóptico em inteligência militar. Seu nome vem dos livros de J. R. R. Tolkien, um item mágico que permite visão atemporal e integração dos povos, mas perigoso demais pela projeção de poder, dominação e manipulação.
A Palantir atua em guerras e no policiamento civil, e seu viés algorítmico, interesses de acionistas e do Estado embasam a violência institucional do Oriente Médio à California. A plataforma, cuja extração de valor se assenta na vigilância e IA, enraíza no Estado interesses privados, levando à uma “cadeia de abate digital” (JACOBSEN, 2021) que fornece mais dados e potencializa a extração de novo valor pela empresa.
Na constituição desse cenário o imperialismo se apresenta enquanto inerente ao capitalismo globalizado (SANTOS, 2011). Sua reestruturação com tecnologias subsumidas atualiza ferramentas de manutenção da ordem internacional. Nesse processo as TICs desempenham um papel central para a circulação do capital monopolista neoliberal, e na medida em que são assimiladas pela Indústria Cultural, se difundem no cotidiano dos trabalhadores pelo mundo. O desenvolvimento das TICs e tecnologias digitais culmina nas Inteligências Artificiais, que por sua vez operam para lucratividade das big techs internacionais como ferramentas para hegemonia.
Santos (2011) afirma que ideologicamente o imperialismo se configurava pela personificação do capitalismo como "mundo livre" em antítese ao socialismo autoritário que ameaçava o capitalismo enquanto alternativa. Contudo, a forma de articulação econômica entre países socialistas após a Segunda Guerra gera um efeito desagregador com a queda da potência soviética, e, portanto, crise econômica no bloco global, e crise ideológica para o campo político. A dissolução soviética representa o fim de uma concorrência de modo social, e atualiza a narrativa imperialista para a noção de fim da história e, eventualmente, de realismo capitalista, como inevitável, ainda que reconhecidamente trágico (FISHER, 2009).
As contradições inerentes ao capital se aprofundam desde então, culminando, segundo Martins (2011), na superexploração também no centro do capitalismo. Esse fenômeno, típico nas periferias, atua como a sustentação econômica do imperialismo. A violência é inerente ao processo enquanto mantenedora das taxas de lucro, e sua intensidade se eleva na medida em que se agudiza a intrínseca crise do capital – que, segundo Marini (2022), tem papel social de centralização monopolista.
A escalada na violência do capitalismo imperialista em crise se desdobra junto do desenvolvimento das TICs e IAs. Enraizadas cotidianamente por plataformas, operam segundo a vampirização de dados em massa, trabalhados intelectualmente por profissionais de diversos setores e então mercadorizados enquanto ativo informacional, cujo valor se dá de forma dual (BOLAÑO, 2011) e opera inclusive no aparato violento do imperialismo mediante plataforma.
Comissão Organizadora
Sociedade EPTICC
Comissão Científica
Ana Beatriz Lemos da Costa (TCU/UnB)
Anderson David Gomes dos Santos (UFAL)
Antônio José Lopes Alves (UFMG)
Carlos Alberto Ávila Araújo (UFMG)
Carlos Peres de Figueiredo Sobrinho (UFS)
César Ricardo Siqueira Bolaño (UFS)
Débora Ferreira de Oliveira (UFMG)
Edvaldo Carvalho Alves (UFPB)
Fernando José Reis de Oliveira (UESC)
Helena Martins do Rêgo Barreto (UFC)
Janaina do Rozário Diniz (UEMG/UFMG)
Janaíne Sibelle Freires Aires (UFRJ)
Kaio Lucas da Silva Rosa (UFMG)
Lorena Tavares de Paula (UFMG)
Manoel Dourado Bastos (UEL)
Mardochée Ogecime (UFOP/UFMG)
Marília de Abreu Martins de Paiva (UFMG)
Rafaela Martins de Souza (Universidade de Coimbra)
Rozinaldo Antonio Miani (UEL)
Rodrigo Moreno Marques (UFMG)
Ruy Sardinha Lopes (USP)
Sophia de Aguiar Vieira (UFMG)
Verlane Aragão Santos (UFS)