Comunicação Pública e Saúde Coletiva em contextos de colonialismo digital: Plataformas, Estado e saúde pública no pós-pandemia de Covid-19

  • Autor
  • Davi Figueiredo de Sousa
  • Resumo
  •  

    Este trabalho inscreve-se no campo da Economia Política da Comunicação em interlocução com a tradição crítico-teórica da Saúde Coletiva, partindo de um deslocamento reflexivo que toma como base pesquisa de mestrado dedicada à comunicação pública de saúde no contexto da pandemia de Covid-19. O ponto de partida empírico é a análise das redes textuais produzidas na seção de notícias do portal da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), compreendidas como práticas comunicacionais de uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Saúde, dotada de relativa autonomia técnico-científica, cuja atuação se deu em meio a uma crise sanitária atravessada por disputas políticas, informacionais e simbólicas.

    Ancorado em referenciais da Comunicação Pública e da Saúde Coletiva, o estudo evidencia como a Fiocruz construiu uma gramática comunicacional orientada pela defesa do direito à saúde, pela valorização da ciência e pela mediação qualificada da informação em um cenário marcado pela desinformação e pelo negacionismo governamental. Mais do que uma resposta conjuntural à emergência pandêmica, essa experiência comunicacional é compreendida como expressão de uma racionalidade comunicativa estatal tensionada pelas dinâmicas do capitalismo de plataformas, da economia da atenção e da circulação algorítmica de sentidos.

    É a partir desse acúmulo analítico que o trabalho propõe um movimento de aproximação teórica com um problema contemporâneo que vem adquirindo centralidade no debate internacional em saúde pública: o recrudescimento das experiências de solidão e isolamento social em contextos de hiperconectividade digital. Sem confundir objetos empíricos, o artigo sugere que a pandemia operou como revelador histórico de processos já em curso, nos quais as infraestruturas comunicacionais das plataformas digitais reconfiguram formas de sociabilidade, pertencimento e vínculo, produzindo paradoxos entre conexão permanente e isolamento social.

    Nesse deslocamento, a comunicação é pensada como mediação estratégica entre políticas públicas, tecnologias digitais e processos de subjetivação. Tal perspectiva permite articular a crítica da economia política das plataformas às preocupações históricas da Saúde Coletiva com os determinantes sociais da saúde e com a produção social do sofrimento. Ao analisar a comunicação institucional da Fiocruz como prática estatal situada em um ambiente comunicacional profundamente assimétrico, o trabalho contribui para o debate sobre políticas de comunicação em contextos periféricos do capitalismo, marcados por disputas em torno da soberania informacional e da mediação pública da ciência.

     

  • Palavras-chave
  • Comunicação pública, Saúde coletiva, Economia política da comunicação, Colonialismo digital, Capitalismo de plataformas
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
  • GT 1 - Políticas de Comunicação
Voltar Download
  • GT 1 - Políticas de Comunicação
  • GT 2 - Comunicação popular, alternativa e comunitária
  • GT 3 - Indústrias Midiáticas
  • GT 4 - Políticas Culturais e Economia Política da Cultura
  • GT 5 - Economia Política do Jornalismo
  • GT 6 - Teoria e Epistemologia da Economia Política da Comunicação
  • GT 7 - Estudos Críticos em Ciência da Informação
  • GT 8 - Estudos Críticos sobre identidade, gênero e raça
  • Sessões Especiais em "Comunicação e Extensão"

Comissão Organizadora

Sociedade EPTICC

Comissão Científica

Ana Beatriz Lemos da Costa (TCU/UnB)

Anderson David Gomes dos Santos (UFAL)

Antônio José Lopes Alves (UFMG)

Carlos Alberto Ávila Araújo (UFMG)

Carlos Peres de Figueiredo Sobrinho (UFS)

César Ricardo Siqueira Bolaño (UFS)

Débora Ferreira de Oliveira (UFMG)

Edvaldo Carvalho Alves (UFPB)

Fernando José Reis de Oliveira (UESC)

Helena Martins do Rêgo Barreto (UFC)

Janaina do Rozário Diniz (UEMG/UFMG)

Janaíne Sibelle Freires Aires (UFRJ)

Kaio Lucas da Silva Rosa (UFMG)

Lorena Tavares de Paula (UFMG)

Manoel Dourado Bastos (UEL)

Mardochée Ogecime (UFOP/UFMG)

Marília de Abreu Martins de Paiva (UFMG)

Rafaela Martins de Souza (Universidade de Coimbra)

Rozinaldo Antonio Miani (UEL)

Rodrigo Moreno Marques (UFMG)

Ruy Sardinha Lopes (USP)

Sophia de Aguiar Vieira (UFMG)

Verlane Aragão Santos (UFS)