NOVOS TEMPOS, VELHOS PROBLEMAS: Investigações sobre a atualidade da Teoria Marxista da Dependência na era digital

  • Autor
  • Caíque Storti Apolonio
  • Resumo
  • Neste artigo, se investiga a atualidade da Teoria Marxista da Dependência (TMD) para a análise de possíveis novas expressões de relações dependente, e em que medida se expressariam características de imperialismo e colonialismo no âmbito digital. A investigação concentra-se nas assimétricas relações de poder e tecnologia, apontando para os seus impactos gerados, principalmente, em realidades latino-americanas. Nesse sentido, problematiza-se as possibilidades de desenvolvimento de soberania digital e de dados em países de economia periférica como o Brasil. 

    Remetendo-se ao campo de estudos críticos em Ciência da Informação, a investigação sobre a questão soberana requer orientar-se mediada sob as configurações sociais, econômicas, geopolíticas e históricas compostas pelo tema. Nesse sentido, reafirma-se a devida contextualização do objeto amparado por categorias chaves: a historicidade, a totalidade e a tensionalidade: “a historicidade como condição para a explicação dos fenômenos, o conflito, a inserção de todo fato isolado no contexto global de relações de luta por poder” (Araújo, 2009). Assim, compreende-se que, à luz da Teoria Marxista da Dependência, é possível obter importantes insumos teóricos voltados para uma leitura sobre as duas faces de uma mesma moeda: soberania e subordinação.

    Historicamente, o imperialismo estruturou a divisão internacional do trabalho (Lênin, 2011), condicionando a inserção da economia brasileira no sistema capitalista mundial de modo subordinado (Marini, 2013). Interpretada essa dinâmica pelos teóricos da TMD não como um estágio, mas uma condição vigente, no século XXI esse arcabouço revelaria um novo processo de inserção subordinada na nova divisão internacional do trabalho (Faustino; Lippold, 2023).

    Na medida em que a economia política digital e de dados se apresenta sob o domínio formado por Grandes Corporações Digitais (GCDs) sediadas nos EUA (Lastres et al, 2025), a prática destas empresas indicariam possíveis novas expressões do imperialismo, assumido a partir de seu caráter tecnológico e digital. De acordo com Silveira (2025), elas estabelecem uma relação de dependência com a periferia, caracterizada por: 1) extração massiva e alienação de dados das populações locais; 2) a imposição do consumo de infraestruturas, plataformas e serviços tecnológicos estrangeiros; e 3) a subordinação dos sistemas de inovação locais aos padrões e modelos controlados pelas GCDs estadunidenses.

    Dados evidenciam que as remessas ao exterior das GCD’s no Brasil saltaram de 17,12% para 55,66% de seu faturamento entre 2014 e 2024. Nesse aspecto, a transferência desigual de valor se intensifica através de mecanismos financeiros como remessas de lucros, royalties e pagamentos por licenças, indicando uma alienação da riqueza socialmente produzida no território nacional. Esse processo viola a base tributária do país, que além de se encontrar sob condições de "aluguel digital ", aprofunda o processo de subordinação do Estado às big techs.  

    A busca por soberania digital na periferia do capitalismo, nesse sentido, se revela condicionada aos interesses estrangeiros. Finalmente, considera-se que, amparado por uma leitura crítica às relações dependente, reconhecendo o imperialismo e o colonialismo na nova divisão internacional do trabalho, poderíamos desenvolver projetos emancipatórios visando uma soberania real, capaz de reverter a histórica lógica de expropriação e subordinação das nações latino-americanas.

  • Palavras-chave
  • Teoria Marxista da Dependência; Imperialismo; Soberania digital;
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
  • GT 7 - Estudos Críticos em Ciência da Informação
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