ECONOMIA POLÍTICA DA COMUNICAÇÃO COMO BASE TEÓRICA PARA O ESTUDO DA DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA

  • Autor
  • Ana Paula Vieira
  • Co-autores
  • Magno Medeiros
  • Resumo
  • Como parte da pesquisa em andamento “Economia política da comunicação da ciência: a produção de conteúdo de divulgação científica a partir de diferentes formas de financiamento”, este trabalho objetiva demonstrar que a Economia Política da Comunicação (EPC) tem muito a contribuir no embasamento teórico do estudo da divulgação científica. Para tal, a técnica de pesquisa utilizada foi uma revisão sistemática de literatura no Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e no Scientific Electronic Library Online (Scielo) para verificar os trabalhos já existentes que interligam essas duas perspectivas. A partir de alguns filtros, foram encontrados 29 trabalhos e lidos os resumos, dos quais nenhum mencionava o referencial teórico da EPC como base. Desses 29, foram selecionados 11 para leitura. Nesse contexto, foi possível considerar que mesmo não havendo referências específicas à EPC, o conjunto de estudos mostra que esse referencial teórico, que se interessa em “estudar o todo social ou a totalidade das relações sociais que formam os campos econômico, político, social e cultural” (MOSCO, 1999, p. 3), pode ser útil a temas correlatos à divulgação científica; entretanto, as abordagens encontradas foram tangenciais. Considerando que a divulgação científica compreende a “utilização de recursos, técnicas, processos e produtos (veículos ou canais) para a veiculação de informações científicas, tecnológicas ou associadas a inovações ao público leigo” (BUENO, 2009, p. 192 apud BUENO, 2022, p. 11), é preciso lembrar ainda que a ciência não é neutra e que analisar a sua divulgação a partir de um ponto de vista teórico que considera a transformação social, totalidade social, filosofia moral e práxis, de forma que as questões políticas e econômicas estão entrelaçadas às esferas das relações sociais e simbólicas do mundo da vida (MOSCO, 1999, p. 99) proporciona uma visão holística, histórica, crítica e complexa do tema. A noção de campo de Pierre Bourdieu analisa que a “(...) explicação sobre a produção de conhecimento passa, agora, com Bourdieu, pela concepção de que esta produção é um caso especial da produção e distribuição capitalista de mercadorias. Portanto, aqui, a ciência só pode ser entendida a partir da determinação social do seu conteúdo” (BOURDIEU, 1975:37 apud HOCHMAN, 1994, p. 209). Sendo assim, é possível fazer uma analogia ao referencial teórico da EPC: “Toda escolha científica é uma estratégia política de investimento dirigida para a maximização de lucro científico, isto é, o reconhecimento dos pares-competidores (HOCHMAN, 1994, p. 210). Dessa forma, a visibilidade e publicidade conferidas às temáticas científicas, ou a falta delas, influencia no capital simbólico e no crédito científico dos cientistas. Portanto, a comunicação e os conteúdos oriundos da sua prática têm o poder de agregar valor ao trabalho científico, de forma que a divulgação científica se configura em uma prática fundamental e um objeto de estudo relevante no contexto da importância da ciência para a sociedade. Esse trabalho também mostra que há lacunas a serem investigadas, além de indicar o pioneirismo nos estudos sobre divulgação científica embasados na EPC.

     
  • Palavras-chave
  • Divulgação científica, Economia Política da Comunicação, Ciência
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
  • GT 6 - Teoria e Epistemologia da Economia Política da Comunicação
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