Práxis e o reverso da automação na inteligência artificial

  • Autor
  • Kaio Lucas da Silva Rosa
  • Resumo
  •  

    Na administração, a busca pela automação evoluiu dos sistemas especialistas (TRAHAN & HOPPEN, 1988) para aplicações contemporâneas da inteligência artificial (IA). A literatura tem recomendado e enaltecido sua adoção, associando o porquê ao como do uso da IA em três abordagens principais: a que se quer define o que é a IA (GABRIEL et al., 2024; SILVA et al., 2024; SOARES et al. 2023); a que se restringe à definição técnica (SERRA et al., 2024; SUCENA & CURY, 2024); e a da IA forte (BORY et al., 2024), que atribui capacidades de cognição/simulação humana ou sobre-humana à IA (BLUMEN & CEPELLOS, 2023; NONATO et al., 2024; OLIVEIRA & EL KHATIB, 2024). Abordagens essas que atualizam a tradição científica ontologicamente esvaziada do ser social como objeto (LUKÁCS, 2010). Para tensionar esses paradigmas, este trabalho introduz alguns elementos que orientam uma pesquisa de doutorado em andamento voltada à análise ontológica da IA, ancorando-a em sua forma de produção e organização social.

    Permanecendo no nível estritamente técnico/operacional, é possível definir a IA como composta por uma variedade de ferramentas e técnicas baseadas em matemática, código, estatística e probabilidade, aplicadas de forma específica para problemas específicos (HUNTER et al., 2018). Trata-se, conforme o argumento central da pesquisa em desenvolvimento, de uma tecnologia teleologicamente confrontada pela práxis do trabalho que imprime uma orientação no acaso e na causalidade (LUKÁCS, 2010; MARX, 2013). A práxis, ao selecionar e realizar alternativas objetivas, ajuíza de modo que não separa radicalmente o subjetivo do objetivo. Isso demonstra que o trabalho exige uma concretização essencial intimamente ligada ao problema da possibilidade (LUKÁCS, 2010).

    Na produção da IA, a “geleia” de trabalho humano social (MARX, 2013, p. 116) reúne microtrabalhadores (GRAY & SURI, 2019; GROHMANN et al., 2022), os quais desempenham um continuum de funções de preparação dos dados para treinar os algoritmos, verificação de seus resultados e até imitação ou complementação da operação dos algoritmos (TUBARO et al., 2020). Também reúne os chamados tech workers (NIEBLER, 2025), programadores e desenvolvedores de softwares que se relacionam com microtrabalho, em grande medida, como insumo ao trabalho que realizam.

    Voltada à análise ontológica da IA, a tese busca reposicionar a práxis teleológica no centro do debate a partir do trabalho de programação e desenvolvimento da IA (LUKÁCS, 2010). Para isso, ocupando uma lacuna empírica, será realizada a investigação da dimensão social da produção da IA a partir do trabalho de programadores e desenvolvedores relacionados à produção de softwares de IA baseada na enquete operária (MARX, 2022).

    Essa delineação considera que a superestimação da IA espelha certa distância gnosiológica da administração em relação à sua forma social. Compreendendo que essa agenda não apenas limita a sua compreensão constitutiva da IA, mas também deixa de lado suas implicações, com a tese, espera-se oferecer elementos para uma análise ontológica da inteligência artificial ancorada no processos organizativo do “trabalho heteromatizado” (EKBI & NARDI, 2017) aquele, ao contrário de ser eliminado, é reorganizado complexamente para o aproveitamento da capacidade laboral humana pelas tecnologias digitais.

  • Palavras-chave
  • Inteligência artificial; Automação; Práxis do trabalho; Ontologia social
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
  • GT 6 - Teoria e Epistemologia da Economia Política da Comunicação
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