A Economia Política da Informação e da Comunicação se consolida como vertente crítica fundamental para compreender as dinâmicas informacionais que articulam poder, produção simbólica e regimes econômicos no capitalismo contemporâneo. Gerbasi (2021) considera que as áreas de Ciência da Informação e Comunicação, na literatura científica internacional e nacional, são sinônimas ao compartilharem das mesmas agendas de pesquisa e princípios teóricos inter e multidisciplinares. Todavia, a expansão recente do campo, impulsionada pelas transformações digitais e reconfigurações geopolíticas da informação, suscita a necessidade de mapear suas relações temáticas na pesquisa científica. Assim, este estudo tem o objetivo de analisar a estrutura de clusters temáticos na produção científica global sobre Economia Política da Informação e da Comunicação. Para tanto, foi utilizado o software Vosviewer, com análise de clusters temáticos por coocorrência de palavras-chave, como propõe Van Eck e Waltman (2010). Foi levantada a produção científica indexada na Scopus, pela pertinência desta base nas áreas de ciências sociais e humanas (Vera-Baceta; Thelwall; Kousha, 2019). Os descritores utilizados na busca foram “Political Economy of Information” e “Political Economy of Communication”, incluindo o uso de aspas para a procura exata das expressões. A consulta foi pelo campo “Article Title, Abstract, Keywords”, com uso do operador booleano “OR” na divisão dos dois descritores. A tipologia documental foi de artigos científicos e os de revisão, com data limitada até o ano 2025. O resultado revelou 233 registros de produções científicas entre 1980 e 2025. A contagem das palavras-chaves descritas pelos autores revelou 51 termos mais utilizados, tendo os seus nós destacados pela frequência de ocorrência e conectados pela força total de ligação. Os resultados indicam quatro núcleos temáticos relativamente coesos (Figura 1). O cluster vermelho, mais epistemologicamente consolidado, concentra-se na economia política crítica da comunicação e cultura, articulando conceitos como mercantilização, indústrias culturais, poder e teoria crítica, configurando o eixo conceitualmente mais denso e forte articulação crítica. O cluster verde agrega categorias macroestruturais na sociedade da informação que evidenciam a persistência da matriz estrutural clássica como neoliberalismo, capitalismo, economia política da informação, mídia e big data, reforçando a amplitude estrutural temática. O cluster azul se mostra mais conectado às transformações tecnológicas contemporâneas em direção às mídias digitais, plataformas e políticas de mídia, revelando atualização empírica e maior impacto relativo dos assuntos relacionados. O cluster amarelo, de menores densidade e vitalidade contemporânea, remete à tradição normativa internacional, associada à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), ao Relatório MacBride e discussões geopolíticas. Considera-se a observação de rearticulação interna produtiva entre consolidação teórica e renovação empírica nos temas do corpus: enquanto os clusters estruturais mantêm forte ancoragem na crítica ao capitalismo informacional, a vitalidade recente desloca-se para a problemática das plataformas digitais e políticas de mídia. Assim, o campo opera em camadas analíticas, nas quais a tradição crítica fornece base ontológica, ao passo que a agenda digital redefine seus objetos e escalas de análise. Tal configuração desse estudo contribui para a compreensão da arquitetura conceitual do campo, evidenciando subsídios para futuras agendas de investigação.
Comissão Organizadora
Sociedade EPTICC
Comissão Científica
Ana Beatriz Lemos da Costa (TCU/UnB)
Anderson David Gomes dos Santos (UFAL)
Antônio José Lopes Alves (UFMG)
Carlos Alberto Ávila Araújo (UFMG)
Carlos Peres de Figueiredo Sobrinho (UFS)
César Ricardo Siqueira Bolaño (UFS)
Débora Ferreira de Oliveira (UFMG)
Edvaldo Carvalho Alves (UFPB)
Fernando José Reis de Oliveira (UESC)
Helena Martins do Rêgo Barreto (UFC)
Janaina do Rozário Diniz (UEMG/UFMG)
Janaíne Sibelle Freires Aires (UFRJ)
Kaio Lucas da Silva Rosa (UFMG)
Lorena Tavares de Paula (UFMG)
Manoel Dourado Bastos (UEL)
Mardochée Ogecime (UFOP/UFMG)
Marília de Abreu Martins de Paiva (UFMG)
Rafaela Martins de Souza (Universidade de Coimbra)
Rozinaldo Antonio Miani (UEL)
Rodrigo Moreno Marques (UFMG)
Ruy Sardinha Lopes (USP)
Sophia de Aguiar Vieira (UFMG)
Verlane Aragão Santos (UFS)