DESINFORMAÇÃO E (NEO)FACISMOS

  • Autor
  • Lucas da Costa Brandão
  • Resumo
  •  

    A distorção dos fatos é algo característico de regimes autoritários ao longo da história. Grandes exemplos internacionais que são recorrentemente lembrados são o regime nazista na Alemanha e o regime facista na Itália (Costanzo, 2023; O’Shaughnessy, 2017). No entanto, a desinformação, enquanto estratégia política, tem feito parte da história do Brasil, em maior ou menor nível, de forma considerável. Seja através de campanhas desinformativas, ou por meio da censura, a manipulação dos fatos ocorreu desde a república velha, se intensificando no Estado Novo e na ditadura militar (Jardim; Zaidan, 2018).

    Da mesma forma, o meio comunicacional e informacional atual, constantemente modificado por meio das atualizações tecnológicas, parece ser um importante instrumento apropriado pelos movimentos políticos autoritários contemporâneos. A eleição de Trump em 2016 demonstrou a capacidade da extrema direita de apropriação de tecnologias digitais para disputar a hegemonia do processo eleitoral, que continuou durante o seu mandato (Kakutani, 2018).

    No Brasil, os aprendizados do laboratório da desinformação de Trump fizeram parte da estratégia política de Bolsonaro, que também saiu vitorioso da disputa eleitoral (Brandão, 2019). No governo Bolsonaro a desinformação se expressou como um pilar do seu governo, sendo uma das principais estratégias de gestão da pandemia (Brandão; Lacerda, 2025). Durante o seu governo foi constatada a existência de um sistema estruturado de disseminação de desinformação no Estado brasileiro, liderado pela presidência da república (Senado Federal, 2021).

    No contexto de ascensão da extrema direita, pesquisadores têm associado suas características com movimentos fascistas. De fascismo do século XXI (Melo, 2020) a neofascismo (Mattos, 2020), não há um consenso entre pesquisadores sobre como tratar os movimentos políticos autoritários contemporâneos (Sanchez, 2023). O que nos chama atenção nessa discussão é o papel que a desinformação tem desenvolvido nessa análise. Calil, por exemplo, entende que a negação dos fatos faz parte de uma “estratégia de fascistização” da extrema direita (Calil, 2020).

    Este estudo buscou, por meio de análise bibliográfica, refletir sobre o papel que a desinformação, em seus diversos sentidos, têm sido considerado nas análises que relacionam os movimentos políticos autoritários contemporâneos com o fascismo.

    Embora exista uma grande diferença entre o meio comunicacional atual e os meios de comunicação do século passado, é possível estabelecer paralelos no que diz respeito à estratégia de disputa ideológica na qual a desinformação é utilizada, como por exemplo, para a construção de um inimigo em comum. A relevância da pesquisa consiste na possibilidade de contribuição para a compreensão do papel que a desinformação tem desenvolvido na realidade política contemporânea.

  • Palavras-chave
  • desinformação; fascismo; extrema direita
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
  • GT 6 - Teoria e Epistemologia da Economia Política da Comunicação
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