RESILIÊNCIA INFORMACIONAL DE GÊNERO DE PROFESSORAS DO ENSINO SUPERIOR NO CONTEXTO PANDÊMICO

  • Autor
  • Andréa Karinne Albuquerque dos SANTOS
  • Co-autores
  • Edvaldo Carvalho ALVES , Leilah Santiago BUFREM
  • Resumo
  •  

    Traz um recorte da tese de doutorado (SANTOS, 2025) que buscou descrever como práticas informacionais mediadas por aplicativos móveis contribuíram para a construção da resiliência informacional de gênero de docentes do ensino superior durante o Ensino Remoto Emergencial (ERE).

    A pesquisa articula a resiliência informacional à perspectiva de gênero na Ciência da Informação, constituindo registro histórico da pandemia de Covid-19 e seus impactos na educação superior. De caráter qualitativo, fundamenta-se na Teoria da Prática Social (SCHATZKI, 1991, 2003, 2012), nos conceitos de práticas informacionais (ARAÚJO, 2017, 2020), resiliência informacional (LLOYD, 2014, 2015; BRASILEIRO,2017) e de Divisão Sexual do Trabalho (DST) (HIRATA & KERGOAT, 2007). A coleta de dados envolveu questionário e entrevistas com oito professoras de um mesmo departamento, cujas respostas foram analisadas por meio da técnica de conteúdo categorial (BARDIN, 2020).

    Na pandemia houve uma ruptura das bases informacionais consolidadas, afetando saúde, trabalho e vida social, resultando em incerteza informacional. A DST ampliou os desafios, impondo às mulheres a conciliação entre docência, tarefas domésticas e cuidados familiares. A resiliência informacional manifestou-se como capacidade de reconstruir referenciais em meio à adversidade (LLOYD, 2014, 2015; BRASILEIRO, 2017), no enfrentamento de “conflitos informacionais emergentes que ameaçam o desenvolvimento emancipatório das práticas de informação” (NASCIMENTO et al., 2024, p. 11)

    Os resultados revelam que a incerteza informacional foi multifacetada, envolvendo dimensões informacionais, emocionais, de saúde, laborais e de gênero, marcada por sobrecarga de dados contraditórios, desinformação institucional e ansiedade coletiva. As restrições ao direito de fala, assimetrias e violências de gênero emergiram no grupo departamental, entendido como microcosmo do campo científico e espaço de disputa (BOURDIEU, 1976). Predominaram modelos de Conciliação da DST, nos quais a responsabilidade pelo trabalho doméstico e de cuidado recaiu majoritariamente sobre as mulheres.

    As estratégias de enfrentamento incluíram busca por competências digitais, escuta ativa dos discentes, apoio institucional e colaboração entre colegas. No mapeamento das práticas situacionais (SCHATZKI, 1991, 2003, 2012), foram identificadas seis: aprendizado, docência, gênero, institucionais, informacionais e de saúde e cuidado. Essas práticas, atravessadas por relações de poder, revelam como as docentes navegaram entre demandas burocráticas, adaptações pedagógicas e preservação da saúde mental.

    Emergiram aprendizados técnicos, como o domínio de ferramentas digitais e metodológicas, com práticas mais sensíveis às realidades sociais dos estudantes. Estiveram presentes práticas emancipatórias de ativismo feminista e resistência às estruturas patriarcais.

    Conclui-se que a resiliência informacional de gênero constitui processo coletivo que mobiliza afetos formativos e socioemocionais em espaços seguros, onde interesses pessoais, profissionais e de gênero se confluem. Essa resiliência não representa mero retorno ao estado anterior, mas transformação qualitativa que agrega criticalidade de gênero às dimensões técnicas da competência informacional. O estudo abre possibilidades para pesquisas futuras sobre gênero na educação superior e para políticas institucionais de informação pautadas nas relações de trabalho e de gênero.

     

  • Palavras-chave
  • resiliência informacional de gênero, práticas informacionais, ensino remoto emergencial, divisão sexual do trabalho
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
  • GT 8 - Estudos Críticos sobre identidade, gênero e raça
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