A PRESENÇA FEMININA NA BIBLIOTECONOMIA: ESPAÇO E PODER

  • Autor
  • Carmen Lucia de Cassia Pongelupe Assis
  • Co-autores
  • Raquel Quirino
  • Resumo
  •  
    A presença feminina na Biblioteconomia constitui um fenômeno histórico marcado por processos de feminização do trabalho, divisão sexual das profissões e desigualdades estruturais que atravessam gênero e raça. Embora as mulheres representem a maioria na área, especialmente em bibliotecas públicas, escolares e universitárias, sua predominância numérica não se traduz, necessariamente, em ocupação equitativa de espaços de poder, reconhecimento institucional ou valorização salarial. No contexto da Economia Política da Comunicação, essa realidade pode ser analisada à luz das dinâmicas de distribuição de recursos, hierarquização profissional e produção simbólica que estruturam o campo informacional. Assim, este estudo insere-se no GT 8 – Estudos Críticos sobre identidade, gênero e raça, ao examinar como gênero e raça operam na configuração da profissão bibliotecária.
    O problema de pesquisa consiste em compreender de que maneira as relações de gênero e raça influenciam a estrutura ocupacional, a valorização profissional e a representação social das mulheres bibliotecárias no âmbito dos sistemas informacionais. Questiona-se: como a feminização histórica da Biblioteconomia impacta a distribuição de poder e recursos na profissão? De que forma marcadores raciais aprofundam desigualdades já existentes?
    O objetivo geral é analisar criticamente a presença feminina na Biblioteconomia sob a perspectiva da Economia Política da Comunicação, considerando as intersecções entre gênero, raça e trabalho informacional. Como objetivos específicos, busca-se: (a) identificar processos históricos de feminização da profissão; (b) examinar desigualdades raciais e de gênero na ocupação de cargos de gestão; e (c) refletir sobre a atuação contra-hegemônica de bibliotecárias em práticas informacionais inclusivas.
    A justificativa reside na necessidade de ampliar os estudos críticos sobre trabalho informacional, incorporando a perspectiva interseccional para compreender como estruturas capitalistas e midiáticas reproduzem desigualdades no campo da informação. Embora a Biblioteconomia seja majoritariamente feminina, ainda são escassas análises que articulem gênero, raça e economia política na compreensão dessas dinâmicas.
    O referencial teórico fundamenta-se na Economia Política da Comunicação (Mosco, 2009; Bolaño, 2000), nos estudos feministas e no pensamento negro (Federici, 2017; Davis, 2016; Crenshaw, 2002), além das contribuições da interseccionalidade para análise das desigualdades estruturais. Dialoga-se também com autoras da Ciência da Informação que discutem mediação, poder e responsabilidade social das bibliotecas.
    Metodologicamente, a pesquisa adota abordagem qualitativa, de natureza exploratória e descritiva, com base em revisão bibliográfica e análise documental de dados institucionais sobre composição de gênero e raça na profissão, além de estudos de caso que evidenciem práticas contra-hegemônicas desenvolvidas por mulheres bibliotecárias.
    Como resultados esperados, pretende-se evidenciar que, apesar da predominância feminina, persistem desigualdades na distribuição de poder e reconhecimento, especialmente quando considerados os marcadores raciais. Espera-se, ainda, contribuir para o fortalecimento de perspectivas críticas que reconheçam a atuação das bibliotecárias como agentes de transformação social e resistência no campo informacional.
     
  • Palavras-chave
  • Gênero, Presença feminina, Mulheres, Biblioteconomia.
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
  • GT 8 - Estudos Críticos sobre identidade, gênero e raça
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