Em duas publicações resultantes de pesquisas apresentadas no congresso da Ulepicc, elaborei críticas à Economia Política da Comunicação (EPC): uma mais geral (FIGUEIREDO, 2024), que engloba todo o subcampo da EPC, e outra em que faço a crítica aos estudos de jornalismo mainstream e a certas teorizações que fazem parte do que podemos chamar de campo crítico, principalmente a EPC (FIGUEIREDO, 2024a). Neste resumo, expando a crítica, levando-a a um nível de radicalidade maior e incluindo uma autocrítica a trabalhos anteriores (FIGUEIREDO, 2019 e FIGUEIREDO, 2020) em que aplico a EPC ao jornalismo. Nesse caso, a crítica assume um caráter negativo, baseado no princípio da não-identidade (ADORNO, 2009), cujo objetivo é a crítica categorial, visando a destruição dos objetos representados por esses conceitos, e a superação do Capital e do Estado (KURZ, 2011, KURZ, 2011a, BONEFELD, 2014).
Esse movimento é um dos possíveis desdobramentos lógicos (BASTOS, 2025) do aparato teórico-metodológico desenvolvido por César Bolaño (2000, 2011) ao derivar a informação da mercadoria e compreendê-la como uma forma social . Esse movimento significa um salto de uma Economia Política da Comunicação (EPC), lugar teórico em que o maior radicalismo possível é ser um ricardiano com consciência social, para uma Crítica da Economia Política da Comunicação, única saída para a existência de uma teoria realmente crítica do Jornalismo. Para isso, é preciso abandonar o conforto de ideias - muitas delas divididas com as teorias mainstream do jornalismo - como o papel do jornalismo como cão de guarda da democracia, saídas regulatórias e criticar a precarização do trabalho jornalístico como um mero ardil dos proprietários de empresas jornalísticas. O Estado, baseado na abstração da vontade geral, assim como o mercado, baseado na abstração da mão invisível, são duas faces do mesmo problema: o sujeito automático. (KURZ, 2011, KURZ, 2011a)
Portanto, esse movimento consiste em criticar não apenas o que chamo as teorias mainstream e tecno-deterministas do jornalismo (2024), mas também uma certa EPC que se apoia na economia política clássica como em Golding e Mrdock (2023) para justificar a necessidade de regulamentação, algo que já estava presente embrionariamente no trabalho de Adam Smith, e, ao mesmo tempo, não parecer tão radical ao invocar apenas a literatura marxista. O mesmo ardil pode ser encontrado no vocábulo Political Economy of News, escrito por Hardy (2019), para a The International Encyclopedia of Journalism Studies.
Também criticamos a defesa do fim da precarização do jornalista com a justificativa – baseada na credo liberal - de que a qualidade do jornalismo cairia e, logo, a democracia perderia seu cão de guarda e estaria em perigo (FONSECA, 2008). Além de uma atitude de positividade em relação à categoria Estado de direito, a justificativa para acabar com a precarização do jornalista deixa de estar ligada a sua raiz, que é libertar o trabalhador do processo que transforma seu fazer (HOLLOWAY, 2002) em trabalho abstrato, para se transformar na defesa de uma das funcionalidades da informação na indústria cultural, que é cumprir chamada função propaganda, ou seja, legitimar o sujeito automático.
Comissão Organizadora
Sociedade EPTICC
Comissão Científica
Ana Beatriz Lemos da Costa (TCU/UnB)
Anderson David Gomes dos Santos (UFAL)
Antônio José Lopes Alves (UFMG)
Carlos Alberto Ávila Araújo (UFMG)
Carlos Peres de Figueiredo Sobrinho (UFS)
César Ricardo Siqueira Bolaño (UFS)
Débora Ferreira de Oliveira (UFMG)
Edvaldo Carvalho Alves (UFPB)
Fernando José Reis de Oliveira (UESC)
Helena Martins do Rêgo Barreto (UFC)
Janaina do Rozário Diniz (UEMG/UFMG)
Janaíne Sibelle Freires Aires (UFRJ)
Kaio Lucas da Silva Rosa (UFMG)
Lorena Tavares de Paula (UFMG)
Manoel Dourado Bastos (UEL)
Mardochée Ogecime (UFOP/UFMG)
Marília de Abreu Martins de Paiva (UFMG)
Rafaela Martins de Souza (Universidade de Coimbra)
Rozinaldo Antonio Miani (UEL)
Rodrigo Moreno Marques (UFMG)
Ruy Sardinha Lopes (USP)
Sophia de Aguiar Vieira (UFMG)
Verlane Aragão Santos (UFS)