COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA E DISPARIDADE DE GÊNERO NA GESTÃO EDITORIAL: estudo preliminar com revistas científicas de Alagoas

  • Autor
  • Ellen Cristina da Silva
  • Co-autores
  • Lorena Tavares de Paula , Laysa Lorena Alves de Araújo , Jusmenne Jasão Melo da Silva , Ronaldo Ferreira de Araújo
  • Resumo
  • A superação das desigualdades de gênero na ciência constitui um desafio estrutural. No Brasil, embora as mulheres representem quase metade da comunidade de pesquisadoras, sua presença em posições de poder e reconhecimento ainda reflete disparidades. A literatura especializada documenta lacunas persistentes na ascensão na carreira, autoria em periódicos, acesso a financiamento e ocupação de cargos de liderança. Esse cenário se estende à comunicação científica, onde a participação feminina nas estruturas editoriais mostra-se consistentemente desproporcional. Para analisar essa dinâmica, Olinto (2011) e Jordão et al. (2022) oferecem o referencial teórico dos mecanismos de segregação horizontal, que concentra mulheres em áreas consideradas “femininas”, e vertical, que diz respeito a barreiras invisíveis que impedem sua progressão na carreira.

    Diante disso, este estudo investigou a composição por gênero das equipes editoriais de periódicos científicos da Universidade Federal de Alagoas, com o objetivo de mapear padrões de distribuição por função e área do conhecimento. A pesquisa, de abordagem quantitativa e caráter documental, abrangeu 26 periódicos e catalogou 633 integrantes, com gênero inferido a partir do nome e confirmado em fontes públicas.

    Os resultados revelaram uma aparente paridade global, com distribuição quase equilibrada no conjunto das posições (50,1% mulheres, 49,9% homens). Contudo, a desagregação dos dados por função e área evidenciou padrões estruturais de desigualdade que confirmam a atuação conjunta da segregação vertical e horizontal.

    A segregação vertical manifestou-se na hierarquia editorial. Embora o cargo de Editor-Chefe apresente paridade, as demais posições de liderança são predominantemente masculinas: 75% dos Editores Gerais/Responsáveis, 61,5% dos Editores Associados/Adjuntos e mais de 60% dos membros dos conselhos editorial, científico e internacional são homens. Em contraste, funções operacionais e de suporte técnico-administrativo, como secretaria, revisão de linguagem e mídias sociais, são majoritariamente ocupadas por mulheres.

    A segregação horizontal mostrou-se igualmente expressiva. Nas Ciências Exatas e da Terra, apenas 17,6% dos cargos são ocupados por mulheres. Nas Ciências Humanas, campo tradicionalmente associado à equidade, observou-se desvantagem feminina (45,6% de mulheres ante 54,4% de homens). Já nas Ciências da Saúde, a participação feminina é elevada (60,7%). Áreas como Linguística, Letras e Artes (51,8%), Ciências Sociais Aplicadas (53,6%), Multidisciplinar (55,3%) e Ciências Agrárias (50%) apresentaram participações equilibradas ou com ligeira maioria feminina.

    Conclui-se que a paridade numérica geral mascara desigualdades atuantes de modo combinado nos eixos vertical e horizontal. A sub-representação feminina em cargos de liderança e prestígio pode perpetuar vieses na avaliação do mérito científico, enquanto sua baixa presença em áreas como as Exatas reforça estereótipos de gênero arraigados na trajetória acadêmica. O diagnóstico oferece subsídios empíricos para políticas institucionais comprometidas com a equidade de gênero na comunicação científica, evidenciando que iniciativas nesse campo devem considerar tanto a hierarquia das funções quanto a distribuição por áreas, sob pena de reproduzirem um cenário de paridade apenas aparente.

  • Palavras-chave
  • Comunicação científica, Periódicos científicos, Equidade de gênero.
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
  • GT 8 - Estudos Críticos sobre identidade, gênero e raça
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