PLATAFORMIZAÇÃO E IA: DESAFIOS NO USO PELA COMUNICAÇÃO POPULAR DA VIA CAMPESINA NA AMÉRICA LATINA

  • Autor
  • Solange Inês ENGELMANN
  • Co-autores
  • Pablo Nabarrete BASTOS
  • Resumo
  • A Inteligência Artificial (IA) ocupa a centralidade no debate público atual, com impacto destacado no mundo do trabalho e na comunicação. John McCarthy, criador do termo, define a IA como “a ciência e engenharia de produzir sistemas inteligentes” (Barbosa; Portes, 2023, p.17). Ligada ao conceito de computação, a IA trata-se da capacidade dos dispositivos eletrônicos em resolver tarefas imitando o raciocínio humano. Recentemente a escola brasileira da Economia Política da Comunicação (EPC), direciona-se na busca sobre a compreensão das plataformas digitais como estrutura de mediação social característica do atual estágio de desenvolvimento capitalista, quando emerge a função interação (Figueiredo; Bolaño, 2017), o que viabiliza o refinamento na produção da mercadoria audiência e na colonização do mundo da vida. O atual processo de plataformização e IA surgem mediante a crise e reestruturação produtiva dos anos 1970 do sistema capitalista, e resulta do processo de automação, iniciado na Primeira Revolução Industrial, que pressiona por uma maior intelectualização dos processos de trabalho e consumo, e intensificação da subsunção do trabalho intelectual (Bolaño, 2002). 

    Assim, se amplia o processo de informatização e automação do trabalho intelectual e avanço na apropriação dos processos comunicativos pelas tecnologias. Nesse contexto histórico vivenciamos o uso da IA em um processo constante de mais produção de IA e concentração da comunicação nas plataformas digitais, com impactos sociais, econômicos, políticos etc., que alteram ainda rotinas de produção e circulação de estratégias de comunicação popular e comunitária (Miani, 2011), por movimentos populares. A exemplo da Via Campesina, movimento que coordena organizações camponesas de pequenos e médios agricultores, mulheres rurais e comunidades indígenas e negras da Ásia, África, América e Europa, unidos pelo vínculo com a terra (Desmarais, 2013). Criada em 1993, na Bélgica (Vieira, s./d.), atualmente, a organização é composta de 182 organizações em 81 países. Uma das principais políticas da Via Campesina é a defesa da soberania alimentar, definida como uma necessidade dos povos e direito desses povos de decidir sobre sua própria política agrícola e alimentar (Stédile & Carvalho, 2017). 

    O objetivo desta pesquisa é analisar os desafios da Via Campesina no uso da IA, no contexto de plataformização (Poell; Nieborg; Van Dijck, 2020), quanto às estratégias de comunicação popular na luta por direitos e disputa por hegemonia. Bastos (2022, p.10) pensa o conceito de plataformização a partir da “centralidade da base material na organização, mediação e extensão dos processos midiáticos em diferentes práticas sociais e na cotidianidade”. Para o autor o engajamento é usado pelas big techs para capturar a atenção dos usuários na lógica do lucro pelo capital, que passa a usar a “performance algorítmica e métricas das postagens” (Bastos, 2022), como um novo negócio. Metodologicamente a pesquisa se estrutura em revisão bibliográfica não sistemática, com objetos empíricos de análise documental e pesquisa qualitativa, com Análise de Conteúdo (Bardin, 1977), em plataformas digitais do corpus de pesquisa. Espera-se evoluir nos debates sobre o papel da comunicação social e política, com foco nos impactos da IA e plataformização, na representatividade de organizações de movimentos populares globais.

  • Palavras-chave
  • Plataformização; Inteligência Artificial; Comunicação Popular Comunitária; Movimentos Sociais; Mídias Digitais
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
  • GT 2 - Comunicação popular, alternativa e comunitária
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