PARA ALÉM DA MORTE FÍSICA: A MORTE SIMBÓLICA DO CORPO NEGRO NA COBERTURA MIDIÁTICA DAS AÇÕES POLICIAIS UM ESTUDO SOBRE A DESUMANIZAÇÃO E A LEGITIMAÇÃO DA VIOLÊNCIA INSTITUCIONALIZADA

  • Autor
  • Marcelo Machado da Motta
  • Resumo
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    Este artigo tem por objetivo analisar a construção discursiva midiática em torno das mortes dos negros nas comunidades, durante ações policiais. Não apenas a morte física, mas a morte simbólica, explorada como práticas de discursos institucionalizados que contribuem para a desumanização da população negra periférica e para a legitimação da violência de Estado. A partir de um recorte teórico que aborda teorias da ciência política, racismo, sociologia e contexto histórico, buscamos compreender como o corpo negro é, constantemente, destituído do seu valor social e transformado em alvo preferencial da repressão estatal e peça do discurso midiático sensacionalista.
    A pesquisa tem como escopo dados estatísticos, além de análise de caso, visando problematizar as formas de naturalização do discurso da violência sob o prisma do bandido bom é bandido morto. A narrativa diária da violência urbana, especificamente, nos principais centros urbanos do país, noticiada nos principais veículos de comunicação de massa e, atualmente, intensificada na internet pelas mídias sociais conduziram ao desenvolvimento dessa reflexão. Nesse sentido, nossos pressupostos apontam que um processo de midiatização da sociedade parece cada vez mais amplo, na medida em que mais pessoas têm acesso a plataformas de mídias sociais, em relação à construção de narrativas sobre o processo de repressão do aparelho estatal. Para nós, a atualização dos dispositivos discursivos, a partir da expansão do uso destas plataformas, tem amplificado o caráter sensacionalista, em torno da figura do bandido/vilão e inimigo da sociedade. Tais ações, buscam legitimar o confronto e o extermínio nas favelas e comunidades mais pobres. Um dos efeitos mais perceptíveis é que a instrumentalização política da violência no Rio de Janeiro e no país emerge como elemento estruturante de uma proposta de reorganização social e política, que objetificam formas de representação democrática sob o selo do controle social e da disciplina, próprio de conjunturas históricas de ascensão      de forças políticas autoritárias e reacionárias.
    A morte diária de jovens, em sua maioria negros, nos apresenta uma nova morte, nesse caso, em específico, a simbólica, já, previamente, utilizado pelos veículos de comunicação de massa de radiodifusão tradicionais, amplificados pelas mídias sociais e os algoritmos. Nosso escopo principal é que o corpo negro é, historicamente, desumanizado e apresentado como ameaça à ordem social, legitimando a violência de Estado como prática cotidiana. O assassinato físico do corpo negro, amplamente documentado midiaticamente e por dados oficiais, é sucedido por outro processo: a morte simbólica, através da desumanização, justificativas para o ato e a normalização de processos de violência nas comunidades pobres. Ainda que haja a comprovação de cometimento de crime (em muitos casos, não há), existe a necessidade da garantia da dignidade humana, como prevê a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Nesse contexto, qual é o papel da mídia na formação da opinião pública?  Analisar, debater, propor reflexões acerca do tema são questões de ordem social e a proposta deste trabalho.
     
  • Palavras-chave
  • Violência, Imprensa, Jornalismo
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
  • GT 8 - Estudos Críticos sobre identidade, gênero e raça
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