BAD BUNNY NO SUPER BOWL 2026: OS IMPACTOS SOCIAIS, CULTURAIS E POLÍTICOS DO TOUCHDOWN LATINO NO CORAÇÃO DO MUNDO GLOBALIZADO.

  • Autor
  • Jader Cleiton Damasceno de Oliveira
  • Resumo
  •  

    Este artigo analisa o impacto da apresentação de Bad Bunny no Super Bowl 2026, inserindo o artista porto-riquenho e seu discurso contracolonizador (Bispo Dos Santos, 2023) no debate da EPICC. Benito Antonio Martínez Ocasio, nome social de “Bad Bunny”, nasceu em 10 de março de 1994, na cidade de Vega Baja, região norte da ilha de Porto Rico. Bad Bunny emerge artística e discursivamente em 2016 com uma postura transgressora, underground e marginal (Hall, 2003). O “Coelho Mau” sai da foto compartilhada em rede e ganha força com uma sonoridade marcante entre o global presente nas mídias sonoras e audiovisuais digitais, em diálogo com elementos regionais e tradicionais latino-americanos. Desde o início da carreira, há dez anos, quando lançou o hit “Soy Peor” (2016), Bunny tem contestado as normas e narrativas por meio de debates estéticos, econômicos, políticos e sonoros. Tem seu destaque inicial em 2020 com “El Último Tour del Mundo”, primeiro álbum totalmente em espanhol a alcançar o 1º lugar na Billboard 200 estadunidense, posição repetida em 2025 com o aclamado “Debí Tirar Más Fotos”, ganhador da categoria “Álbum do Ano” no Grammy 2026. Estes números o levaram ao Super Bowl, maior evento esportivo da televisão norte-americana. O impacto direto produzido por Bunny no  epicentro da maior indústria econômica cultural global indica que, em 60 edições do evento organizadas pela National Football League (NFL) e pela American Football League (AFL), entre 15 de jan. de 1967 e 8 de fev. de 2026, o evento alcança mais de 110 milhões de telespectadores conectados pelo modelo tradicional de TV, indicando que esse número poderá crescer se consideradas as transmissões dos novíssimos modelos de consumo de TV disponibilizadas via dispositivos móveis.  Neste contexto, a presença da práxis insurgente de Bad Bunny no Super Bowl (2026) pode ser compreendida como um importante fenômeno no cerne da economia política da cultura contemporânea. A pesquisa parte da hipótese de que a performance de Bunny extrapola o entretenimento, configurando-se como ato de batalhas simbólicas (Marques De Melo, 2013), ao usar a maior transmissão televisionada aberta dos EUA como espaço de afirmação identitária latino-caribenha e tensionamento das hegemonias (Gramsci, 2010) dentro do território da centralidade global. O estudo adota abordagem qualiquantitativa (Fachin, 2005), articulando análise de dados econômicos e métricas digitais com referencial teórico da Economia Política da Comunicação (Brittos; Dourado, 2013 e Brittos; Bolaño, 2009). Paralelamente, a pesquisa dialoga com Milton Santos (2003) a respeito da globalização e território, compreendendo o Super Bowl como arena estratégica de disputa midiática. Os resultados indicam que, mesmo em língua hispânica, o idioma não limita o alcance dos tensionamentos políticos, evidenciando o potencial das práticas de midiativismo (Sodré, 2018) ao incorporar discursos sobre identidade, colonialidade e pertencimento como questões importantes em tempos de violência em diferentes partes do mundo, independentemente da língua. Conclui-se que a apresentação consolidou Bad Bunny como um exemplo de sujeito político que, por meio dos suportes midiáticos e artísticos diversos, foi capaz de mediar importantes pautas no centro da dinâmica predatória do capitalismo contemporâneo.

  • Palavras-chave
  • Bad Bunny, Super Bowl 2026, Contracolonialismo, Insurgências Midiáticas, Economia Política da Comunicação e Cultura
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
  • GT 4 - Políticas Culturais e Economia Política da Cultura
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