A Creator Economy refere-se ao conjunto de atividades econômicas centradas em indivíduos que produzem conteúdo digital e monetizam sua audiência por meio de publicidade, patrocínios, venda de produtos, assinaturas e financiamento coletivo. Nesse contexto, as plataformas digitais atuam como intermediárias que organizam a produção e circulação de conteúdos a partir de dispositivos algorítmicos que regulam alcance, engajamento e visibilidade (PINHEIRO, 2023; HUWS, 2009). Relatórios corporativos e publicações especializadas apresentam esse fenômeno como modelo democrático de geração de renda e autonomia criativa, difundindo a ideia de que qualquer indivíduo pode alcançar sucesso mediante esforço e empreendedorismo.
O crescente impacto da Creator Economy sobre práticas culturais e econômicas justifica uma análise crítica de seu caráter ideológico. Embora as plataformas promovam visibilidade e oportunidades de monetização, a literatura aponta que essa aparente liberdade convive com precarização, centralização de poder e intensificação da exploração do trabalho imaterial (BOLAÑO; BASTOS, 2020; MORAIS, 2024). Sob a perspectiva da Economia Política da Comunicação (EPC), compreender a Creator Economy como ideologia permite revelar os mecanismos pelos quais discursos de autonomia e meritocracia naturalizam interesses mercantis e contribuem para a consolidação da hegemonia no capitalismo de plataformas (BOLAÑO, 2004 [1988]; GRAMSCI, 1996).
O problema que orienta esta pesquisa consiste em investigar de que forma a Creator Economy atua como ideologia, moldando subjetividades e consolidando hegemonia no contexto do capitalismo digital. O objetivo geral é analisar a Creator Economy enquanto fenômeno econômico, cultural e ideológico, considerando sua função na construção do consenso e na reprodução das relações de exploração. Parte-se da hipótese de que o discurso da autonomia financeira e do empreendedorismo criativo opera como mediação ideológica necessária à reprodução das relações capitalistas, transferindo riscos aos criadores de conteúdo e subordinando a produção cultural à lógica da valorização do capital. Sustenta-se ainda que a estrutura da Creator Economy contribui para a reprodução de desigualdades, favorecendo sujeitos dotados de maior capital social e cultural.
Metodologicamente, trata-se de pesquisa qualitativa, documental e teórico-crítica. O corpus será composto por relatórios de agências de marketing de influência, publicações corporativas de plataformas digitais e livros de divulgação sobre a Creator Economy. A análise de conteúdo (BARDIN, 2011) será articulada a uma abordagem dialética orientada pela EPC, buscando identificar estratégias discursivas, categorias recorrentes e elementos ideológicos que estruturam a narrativa da Creator Economy e evidenciar suas contradições no interior do capitalismo de plataformas.
Espera-se contribuir para as disputas epistemológicas no campo da Comunicação ao reafirmar a EPC como alternativa paradigmática capaz de apreender a comunicação como forma social articulada à dinâmica da acumulação e às lutas pela hegemonia.
Comissão Organizadora
Sociedade EPTICC
Comissão Científica
Ana Beatriz Lemos da Costa (TCU/UnB)
Anderson David Gomes dos Santos (UFAL)
Antônio José Lopes Alves (UFMG)
Carlos Alberto Ávila Araújo (UFMG)
Carlos Peres de Figueiredo Sobrinho (UFS)
César Ricardo Siqueira Bolaño (UFS)
Débora Ferreira de Oliveira (UFMG)
Edvaldo Carvalho Alves (UFPB)
Fernando José Reis de Oliveira (UESC)
Helena Martins do Rêgo Barreto (UFC)
Janaina do Rozário Diniz (UEMG/UFMG)
Janaíne Sibelle Freires Aires (UFRJ)
Kaio Lucas da Silva Rosa (UFMG)
Lorena Tavares de Paula (UFMG)
Manoel Dourado Bastos (UEL)
Mardochée Ogecime (UFOP/UFMG)
Marília de Abreu Martins de Paiva (UFMG)
Rafaela Martins de Souza (Universidade de Coimbra)
Rozinaldo Antonio Miani (UEL)
Rodrigo Moreno Marques (UFMG)
Ruy Sardinha Lopes (USP)
Sophia de Aguiar Vieira (UFMG)
Verlane Aragão Santos (UFS)