PIBID E A FORMAÇÃO DOCENTE: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA NA ESCOLA PÚBLICA

  • Autor
  • Hérica Leandra Oliveira de Souza
  • Co-autores
  • Cláudia Soares de Oliveira Braga
  • Resumo
  • Introdução

    O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) visa

    aproximar os estudantes de licenciatura da realidade escolar, oferecendo oportunidades de

    vivenciar práticas pedagógicas e de articular teoria e prática. Participar do programa

    representa não apenas a possibilidade de atuar diretamente em salas de aula, mas também de

    compreender os desafios e as potencialidades da educação pública.

    O presente relato busca apresentar as experiências desenvolvidas em uma escola

    pública estadual no âmbito do PIBID, destacando as contribuições dessa vivência para a

    formação inicial docente. A alfabetização e o letramento constituem eixos centrais da prática,

    considerando que a leitura e a escrita são fundamentais para a inserção social, cultural e acadêmica dos estudantes.

    Fundamentos Teóricos

    A experiência relatada é orientada pela pedagogia crítica e pelas teorias

    sociointeracionistas. Para Freire (1996), ensinar não é transferir conhecimento, mas criar

    possibilidades para a construção do saber, perspectiva que inspirou uma prática educativa

    voltada para a autonomia e a criticidade.

    Vygotsky (1991) reforça que o desenvolvimento cognitivo ocorre por meio da

    interação social, destacando o papel do professor como mediador no processo de

    aprendizagem. Assim, a mediação pedagógica torna-se essencial para possibilitar que os

    alunos avancem em suas zonas de desenvolvimento proximal.

    As metodologias ativas, que estimulam a participação, a colaboração e a

    criatividade dos estudantes, também fundamentam as práticas adotadas. A docência

    contemporânea demanda estratégias diversificadas que dialoguem com as realidades dos

    alunos e que promovam aprendizagens significativas.

    Apresentação da experiência

    As atividades foram desenvolvidas em uma escola estadual localizada em um

    bairro periférico, atendendo turmas dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Desde o início,

    foi possível observar desafios relacionados à falta de recursos pedagógicos, à infraestrutura precária e ao grande número de alunos por sala.

    Em parceria com a professora regente, participei do planejamento de atividades de

    leitura, escrita e matemática, buscando integrar metodologias lúdicas e colaborativas. Foram

    realizadas intervenções individuais e em pequenos grupos, a fim de atender às necessidades

    específicas dos alunos.

    Um dos projetos mais relevantes foi voltado à melhoria da leitura e da escrita,

    envolvendo rodas de conversa, contação de histórias, jogos cooperativos e atividades

    musicais. Essa proposta estimulou a interação entre as crianças, favorecendo tanto o

    desenvolvimento cognitivo quanto socioemocional.

    Apesar das limitações estruturais da escola, a experiência proporcionou momentos

    de aprendizagem significativa, fortalecendo os vínculos entre bolsistas, docentes e discentes, e

    contribuindo para a melhoria gradual da prática pedagógica.

    Análise parcial dos resultados

    Os resultados obtidos até o momento demonstram avanços no engajamento e na

    autoconfiança dos alunos. Crianças que antes apresentavam resistência às atividades de leitura e escrita passaram a participar mais ativamente, mostrando progressos no reconhecimento de

    letras, palavras e frases.

    A utilização de jogos, músicas e recursos lúdicos mostrou-se eficaz para despertar

    o interesse e a concentração dos estudantes. Além disso, a parceria entre bolsistas e

    professores enriqueceu a prática pedagógica, permitindo trocas de experiências e maior

    cooperação no processo educativo.

    Contudo, os desafios persistem, especialmente aqueles relacionados à

    infraestrutura escolar, à escassez de materiais didáticos e ao contexto de vulnerabilidade

    social enfrentado por muitos alunos. Tais limitações evidenciam a necessidade de políticas

    públicas consistentes para fortalecer a educação pública.

    Conclusões

    A participação no PIBID tem se mostrado uma experiência transformadora, que

    contribui para a formação acadêmica e pessoal do licenciando. Ao atuar na escola pública,

    pude compreender que a docência não se restringe à transmissão de conteúdos, mas envolve

    compromisso ético, político e social.

    A vivência no programa reforçou a importância da escuta, da valorização das

    singularidades de cada estudante e da busca por estratégias inovadoras que favoreçam

    aprendizagens significativas. Além disso, possibilitou amadurecimento profissional,

    ampliando a consciência crítica sobre os desafios da educação brasileira e o papel do

    professor como agente de transformação social.

    Conclui-se que o PIBID é um espaço formativo essencial para aproximar teoria e

    prática, preparar o futuro docente para a realidade da escola pública e reafirmar a luta por uma

    educação democrática, inclusiva e de qualidade.

    Referências

    BRASIL. Ministério da Educação. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional –

    LDB (Lei nº 9.394/1996).

    BRASIL. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

    Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – PIBID.

    FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São

    Paulo: Paz e Terra, 1996. VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

     

  • Palavras-chave
  • PIBID. Formação docente. Escola pública. Alfabetização.
  • Área Temática
  • Eixo 4 – Currículo, Práticas Pedagógicas e Formação Docente
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  • Eixo 4 – Currículo, Práticas Pedagógicas e Formação Docente
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