Introdução - O envelhecimento populacional tem se intensificado nas últimas décadas, tornando-se um fenômeno global e desafiador para as sociedades contemporâneas. No Brasil, esse processo é ainda mais relevante, considerando que a expectativa de vida aumentou de forma significativa e a proporção de pessoas idosas cresce em ritmo acelerado. Nesse contexto, a educação para a terceira idade surge como uma necessidade social, pois possibilita ampliar a participação cidadã, fortalecer vínculos comunitários e estimular a autonomia. Entretanto, a inclusão educacional dessa faixa etária ainda enfrenta barreiras, como o preconceito etário, as desigualdades sociais acumuladas e a dificuldade no acesso às tecnologias digitais, cada vez mais presentes no cotidiano. Assim, o presente estudo tem como objetivo refletir sobre a importância da educação inclusiva para idosos, explorando fundamentos teóricos, metodológicos e práticos que auxiliam na superação das barreiras geracionais e ampliam o acesso ao conhecimento. Fundamentos Teóricos - A educação inclusiva parte do princípio de que todo ser humano tem direito ao conhecimento, independentemente de sua condição social, física ou etária. Paulo Freire (1996) defende que a educação deve ser dialógica, libertadora e voltada à realidade do educando. Para a terceira idade, esse princípio se torna ainda mais urgente, já que os idosos carregam consigo saberes acumulados ao longo da vida, mas enfrentam desafios específicos em ambientes de aprendizagem. Knowles (2015), ao tratar da andragogia, destaca que o ensino para adultos deve valorizar a experiência, o ritmo e a motivação própria do aprendiz. Além disso, a Organização Mundial da Saúde (2015), ao propor o conceito de envelhecimento ativo, coloca a educação como eixo central para garantir qualidade de vida, participação social e bem-estar físico e mental. Assim, a fundamentação teórica que sustenta esta pesquisa integra elementos da pedagogia crítica, da andragogia e das políticas de envelhecimento ativo. Metodologia - A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, de caráter exploratório e descritivo. Inicialmente, foi realizada revisão bibliográfica em obras clássicas e contemporâneas sobre educação inclusiva, envelhecimento e andragogia. Posteriormente, foram analisadas práticas educacionais voltadas à terceira idade em projetos de alfabetização digital e programas intergeracionais. Foram aplicados questionários semiestruturados a um grupo de idosos participantes de oficinas comunitárias de inclusão digital e atividades culturais. Também foram realizadas observações de campo, registrando dificuldades, estratégias de superação e percepções dos participantes sobre sua participação nos projetos. Análise parcial dos resultados - Os resultados preliminares indicam que, embora muitos idosos apresentam resistência inicial em relação ao uso de tecnologias, a maioria demonstra motivação para aprender e superar seus limites. Um dos principais obstáculos é o medo de errar, frequentemente associado à insegurança diante das novas linguagens digitais. Contudo, verificou-se que ambientes acolhedores e metodologias participativas, como aprendizagem colaborativa e atividades intergeracionais, estimulam a confiança e a troca de saberes. Idosos relataram ganhos não apenas no domínio de ferramentas tecnológicas, mas também no fortalecimento da autoestima, na ampliação da rede de contatos sociais e na percepção de pertencimento. Observou-se, ainda, que a interação entre gerações desempenha papel fundamental, pois os mais jovens atuam como mediadores naturais do processo, enquanto os idosos compartilham suas experiências de vida, favorecendo um aprendizado mútuo. Conclusões parciais - A inclusão educacional da terceira idade ultrapassa a simples transmissão de conteúdos: trata-se de promover cidadania, autonomia e integração social. Superar barreiras geracionais exige metodologias ativas, respeito ao ritmo do aprendiz idoso e valorização das suas vivências. Conclui-se, até o momento, que programas educativos inclusivos voltados a esse público podem contribuir para reduzir desigualdades, combater o preconceito etário e fortalecer vínculos intergeracionais. A continuidade da pesquisa permitirá identificar com maior precisão os impactos de longo prazo da educação inclusiva na qualidade de vida dos idosos, apontando caminhos para políticas públicas mais eficazes.
Comissão Organizadora
Congresso Internacional Educação e Diversidade
Júnea Tatiane Damasceno Oliveira
Éryka Jovania Pereira
Silvana Diamantino França
Juliane Leite Ferreira e Figueiredo
ALINE MARIA GONZAGA RUAS
Comissão Científica