ENSINO COLABORATIVO E HABILIDADES SOCIAIS: UMA PERSPECTIVA A PARTIR DAS INTERAÇÕES ENTRE PROFESSORES DA EDUCAÇÃO ESPECIAL E ENSINO REGULAR
Eliane Cardoso da Glória
SEMED/ANANINDEUA
Elgloria.nse@gmail.com
Micheline Siqueira de Miranda
UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAPÁ/ UNIFAP
Micheline.miranda.unifap.t4@gmail.com
Eixo: 01
Palavras – chave: habilidades sociais, ensino colaborativo, colaboração, educação inclusiva
Introdução
Este estudo aborda o ensino colaborativo como uma resposta à necessidade de oferecer uma educação de qualidade para pessoas com deficiência. Esse modelo de apoio envolve a parceria entre o professor de educação especial e o professor de ensino regular. O propósito desse estudo é que, a partir das concepções dos professores a respeito da melhoria das interações profissionais, o sucesso escolar dos estudantes público-alvo da educação especial (PAEE) seja garantido.
A relevância do trabalho consiste na necessidade de promover o desenvolvimento de habilidades sociais em professores que atuam no processo de escolarização de estudantes PAEE. O estudo ainda busca, compreender as concepções sobre as relações interpessoais, habilidades sociais e colaboração entre professores de ensino regular e de educação especial, visando melhorar a qualidade das relações profissionais.
Nessa perspectiva, busca-se compreender as concepções sobre relações interpessoais, habilidades sociais e colaboração dos professores de educação especial e ensino regular, em vista de melhorar a qualidade das relações interpessoais entre esses profissionais que atuam diretamente no processo de escolarização de estudantes público-alvo da educação especial.
Fundamentos Teóricos
A Constituição Federal (CF/88) e a Lei de diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), Lei nº 9.9394/1996 foram documentos percussores da educação inclusiva no Brasil. Esses documentos fundamentaram – se em garantir o direito a educação dos estudantes com deficiência (público-alvo da educação especial - PAEE) em escolas regulares. Esses pressupostos da escola inclusiva no Brasil, visavam garantir a matrícula dos estudantes PAEE nas escolas regulares. No entanto, a educação inclusiva, deve ser compreendida para além da matrícula.
Pensar para além da matrícula, é pensar para além do acesso à educação, é ter a consciência de que a matricula dos estudantes com deficiência em si, já não é mais suficiente para garantir os direitos desses sujeitos. É essencial também, pensar na permanência dos estudantes, na qualidade da educação recebida, em seu sucesso escolar, ter apreço à diversidade e a garantia dos direitos daqueles que foram historicamente excluídos.
O estudo ressalta ainda que, apesar de toda a estrutura legal, o Brasil ainda se depara com entraves na efetiva concretização da inclusão nas escolas regulares. Neste sentido, para que a inclusão seja bem-sucedida, além do acesso e da permanência, é fundamental garantir condições favoráveis para o desenvolvimento dos estudantes PAEE (público alvo da educação especial). A inclusão no contexto escolar requer uma rede de apoio com profissionais que atuem de forma coletiva e colaborativa.
Metodologia
A fim de enriquecer a discussão, foi realizado um levantamento bibliográfico desse trabalho, onde, buscou-se pesquisas na biblioteca de teses e dissertações que abordassem mais diretamente a relação professor do ensino regular - professor de educação especial, considerando o trabalho colaborativo e as relações sociais entre os profissionais envolvido nesse modelo de apoio nos contextos escolares. Foram encontradas as produções de Bedaque (2011), Peixinho (2016), Ziviani (2016) Santos (2020). Nesse estudo abordaremos os estudos de Bedaque (2011) e Santos (2020).
Análise de Dados e Discussão
A análise dos dados do trabalho baseou-se na discussão dos trabalhos acadêmicos de Bedaque (2011) e Santos (2020). Os estudos analisados confirmam que o trabalho colaborativo é um meio eficaz e inovador para efetivar a inclusão escolar de estudantes PAEE com mais qualidade nos contextos escolares. No entanto, os autores citados relatam dificuldades na relação entre os professores envolvidos nesse modelo de ensino. Bedaque (2011) concluiu que as aproximações entre professores para um trabalho colaborativo parecem ser processos embrionários e precisam de redimensionamento.
Santos (2020) aponta que os professores especialistas e os professores das salas comuns ainda encontram muitas barreiras para articularem o trabalho de coensino. Essas dificuldades são enfrentadas por ambos os tipos de profissionais. Os estudos ressaltam que, para o sucesso de uma cultura de colaboração, além da formação dos professores, é necessário um suporte sistemático da escola, atenção às habilidades interpessoais, à resolução de problemas e à disposição para aprender com o outro.
Habilidades Sociais na Construção de uma Cultura Colaborativa
O desenvolvimento das habilidades sociais é determinante para a qualidade das relações interpessoais. Os déficits nessas habilidades podem gerar dificuldades e conflitos interpessoais. Neste estudo destaca-se que o campo das habilidades sociais pode melhorar o repertório social profissional dos professores e promover um impacto positivo sobre o desempenho acadêmico e social dos alunos, incluindo aqueles com deficiência.
A prática do coensino exige a construção de uma cultura colaborativa, que demanda tempo e o desenvolvimento de habilidades interpessoais, como confiança, comunicação e resolução de problemas e conflitos. Os autores apontam a importância de programas de formação de professores com a finalidade de analisar as habilidades interpessoais dos profissionais envolvidos nesse modelo de parceria.
Considerações Finais
Ao realizar o levantamento bibliográfico, percebeu-se que o trabalho em colaboração entre professores de educação especial e ensino regular demanda certas habilidades interpessoais. O desenvolvimento dessas habilidades, assim como o ensino colaborativo, são possibilidades para alcançar o sucesso escolar dos estudantes PAEE.
No entanto, o estudo aponta que este não é o único fator determinante para o sucesso escolar dos estudantes. É necessária uma análise mais aprofundada e complexa de como as relações interpessoais são construídas e dos fatores que podem impactar o percurso escolar dos estudantes. O trabalho propõe a reflexão sobre a necessidade de desenvolver comportamentos socialmente habilidosos nas interações entre professores para a construção de uma cultura colaborativa em contextos escolares.
Referências
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