Introdução
O presente resumo, apresenta o resultado do trabalho de conclusão de curso que trouxe os jogos e as brincadeiras como essenciais para o desenvolvimento social da criança, devendo ser levados em consideração, o ambiente familiar e educacional, para que a criança se desenvolva de forma plena e autônoma.
A pesquisa responde ao seguinte problema: como os jogos e brincadeiras ajudam no processo de socialização na infância? E teve como objetivo geral analisar como os jogos e brincadeiras ajudam no processo de socialização na infância. E como objetivos específicos: identificar a relação entre os jogos, brincadeiras e socialização; levantar as percepções dos autores sobre os processos de ensino e aprendizagem diante dos jogos e brincadeiras e investigar de que maneira a socialização se consolida diante dos jogos e brincadeiras na infância.
Fundamentos Teóricos
Ao pensar na Educação Infantil, faz-se querer compreender como a aprendizagem precisa ser desenvolvida com crianças, quais recursos são utilizados e quais contribuições são adquiridas por meio da concepção adotada e, mais especificamente, como a socialização das crianças é trabalhada por meio dos jogos e brincadeiras.
Ao se tratar do jogo, há uma dificuldade em definir esse termo, já que existe uma variedade de fenômenos que podem ser considerados jogos, como diz Kishimoto (1996, p. 13), “tentar definir o jogo não é uma tarefa fácil, pois quando se pronuncia a palavra, cada um pode entender de modo diferente”. Ainda segundo Kishimoto (1996, p.13), “tais jogos, embora recebam a mesma denominação, têm suas especificidades”.
O jogo também vai de encontro a diferentes culturas, pois pode ser visto como jogo ou não jogo, como exemplo, uma criança indígena que utiliza de um arco e flecha para caçar um animal, para sua subsistência. Isso pode ser visto por pessoas externas como uma brincadeira.
Quando se pensa em brincadeira infantil, Vygotsky (1991) confirma que esta é uma ação imaginária, que é criada pela criança, a qual, no mundo da fantasia, poderá satisfazer desejos que são impossíveis para a sua realidade. Nesse sentido, Friedmann (1996) pontua que o ato de brincar é a imaginação em ação.
Assim, a Base Nacional Comum Curricular (2018) destaca que o brincar na Educação Infantil traz muitas aprendizagens e potenciais que ajudam a identificar expressões de afetos, a resolução de problemas como também regular as emoções, sendo então um momento de suma importância para as crianças, pois é onde podem construir conhecimentos por meio de ações com seus pares.
No que diz respeito sobre a socialização, Bezerra (2015) entende que existem dois tipos de socialização, a primária e a secundária, mas é importante que primeiro se conceitue o termo, para isso ele define da seguinte maneira:
A socialização (efeito de se tornar social) está relacionada com a assimilação de hábitos culturais, bem como ao aprendizado social dos sujeitos. Isso porque é por meio dela que os indivíduos aprendem e interiorizam as regras e valores de determinada sociedade.
Com isso, Bezerra (2015) diz que a socialização primária indica o primeiro contato da criança com a família, onde começa a compreender as relações sociais e as pessoas que compõem aquele grupo familiar. Já a socialização secundária, indica uma nova visão da criança para com o mundo, onde terá que interagir e adquirir papéis na sociedade que está inserida, de acordo com suas relações sociais.
Para fechar, é de muita importância entender a infância, onde se pode imaginar que é a fase da vida em que começam a fazer descobertas no meio em que se vive. As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil trazem como significado de criança a seguinte definição:
Sujeito histórico e de direitos que, nas interações, relações e práticas cotidianas que vivencia, constrói sua identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina, fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura. (Brasil, 2010, p. 12).
Fica evidente que a criança constrói sua identidade brincando, imaginando, observando, quando estão vivendo em sociedade, por meio das suas trocas em seu dia a dia, seja com pessoas da mesma faixa etária ou não.
Metodologia
A presente pesquisa é de caráter qualitativo e a coleta de dados ocorre por meio do formulário de opinião, em que 10 participantes convidados de forma aleatória com faixa etária entre 11 e 40 anos responderam ao formulário. Para que o anonimato fosse preservado, a identificação dos respondentes não foi necessária, mantendo a ética, segundo o artigo 2º, da Resolução CNS n.º 510, de 2016, além de não ter influência do entrevistador.
Como critério de participação foi preciso ter contato com o ambiente escolar, saber ler e escrever, aceitar responder ao formulário e ter lembranças do seu passado, caso já fosse adulto. Já os critérios de exclusão foram baseados em: não aceitar responder ao formulário, nunca ter ido para a escola, não saber ler e escrever e não responder totalmente o questionário.
Análise de dados
Todos os participantes responderam que a socialização se dá por meio das interações e brincadeiras. Os resultados demonstraram o quanto os jogos e brincadeiras foram relevantes para a socialização tanto na infância quanto em todas as fases da vida, sendo mostrados os impactos que a presença e a falta dessas práticas influenciam de forma positiva e negativa no convívio em sociedade. Por exemplo na resposta de um participante onde diz: “O brincar faz com que antes de tudo a gente socialize, né, e se comunique mais, a gente cria laços. Faz com que a gente tenha mais autonomia e também desenvolve habilidades desenvolvendo novas brincadeiras”, essa resposta nos mostra que o brincar é essencial para que a socialização aconteça de fato. Já a seguinte resposta nos mostra sobre a falta do brincar na vida do participante, onde diz “Mesmo brincando com outras crianças, a falta do brincar constantemente, afetou a parte da sociabilidade, pois era o último a ser escolhido a jogar futebol, por exemplo”.
O questionário também buscou saber se na sala de aula, eram utilizados o uso de brincadeiras no momento da aprendizagem, onde somente a metade dos 10 participantes, respondeu que sim, descrevendo como eram realizadas, como por exemplo: “Cantigas de rodas, Adedonha, Jogos de tabuleiro, como dominós e xadrez, Brincadeira de faz de conta, ex: casinha, escola, médico - faziam com que desenvolvêssemos a imaginação”, essa resposta nos faz refletir sobre como o uso de brincadeiras nesse momento são de suma importância, sendo ferramentas poderosas nesse processo de aquisição de conhecimento, permitindo que os alunos aprendam brincando, desenvolvendo inúmeras habilidades.
Conclusões
Concluiu-se que os objetivos foram alcançados e que é preciso contemplar os jogos e as brincadeiras no dia a dia como também na escola, que é a segunda casa da criança, para que a socialização venha a ser construída na sua vida. Esses momentos com jogos e brincadeiras fazem com que a aprendizagem aconteça de forma colaborativa, uns com os outros, por meio de trocas.
É importante ressaltar que a socialização fora da escola também é de muita importância. Por isso, a família também precisa entender que as trocas por meio dos jogos e brincadeiras são formas de socializar e de contribuir para o crescimento em todas as esferas da vida.
Por fim, esta pesquisa foi muito relevante, pois evidenciou a particularidade entre os jogos, as brincadeiras e a socialização na infância, ajudando a abranger o conhecimento, fazendo com que houvesse uma compressão mais nítida e profunda a partir dos problemas e questões trazidas sobre o tema.
Referências
BEZERRA, J. Processo de Socialização. 2015. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/processo-de-socializacao/. Acesso em: 24 jun. 2024.
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, DF: MEC/CONSED/UNDIME, 2018. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/escola-em-tempo-integral/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal.pdf. Acesso em: 28 ago. 2024.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Brasília: MEC/SEB, 2010. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/diretrizescurriculares_2012.pdf. Acesso em: 2 jul. 2024.
FRIEDMANN, A. O direito de brincar: a brinquedoteca. 4. ed. São Paulo: Abrinq, 1996.
KISHIMOTO, T. M. Jogo, brinquedo, brincadeira e educação. São Paulo: Cortez, 1996.
VYGOTSKY, L.S. A Formação Social da Mente. 6. ed. São Paulo, SP. Martins Fontes Editora LTDA, 1991.
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