EDUCAÇÃO INCLUSIVA: DO PLANEJAMENTO À PRATICA, A RELEVÂNCIA DE UM PLANO DE AULA PARA A ACESSIBILIDADE.

  • Autor
  • Joelma Arantes Vaes
  • Co-autores
  • Daniel Santos Braga
  • Resumo
  •  

    Relato de experiência

    Introdução

    Com objetivo de contemplar pesquisas e experiências voltadas à promoção de uma educação inclusiva, este relato de experiência considera a diversidade de sujeitos e suas necessidades. Para tanto, este relato apresenta análise de um Plano de aula elaborado e aplicado em uma turma de terceiro ano do Ensino Fundamental – Anos iniciais de uma Escola Municipal de Juiz de Fora – MG.

    Fundamentos Teóricos

    A análise deste Plano de aula destaca a avaliação da aprendizagem, uma vez que este tema tem ampla discussão acadêmica, principalmente, em se tratando da educação especial. Para tanto, dois textos de referência norteiam os fundamentos teóricos deste estudo: Gonçalves e Madeira-Coelho e Silva, Lopes e Quadros. Silva, Lopes e Quadros apresentam algumas reflexões trazidas por Lanuti e Mantoan (2024), nas quais evidenciam que a escola, ainda que seja a instituição oficial e historicamente reconhecida no compromisso de transmitir o conhecimento, reafirma padrões sociais homogêneos. Nesse sentido, entendem que a escola seleciona suas práticas de modo a se enquadrar no sistema e escolhe também como continuar encaminhando a estrutura social e cultural. No Brasil, historicamente, a escola esteve a favor das classes dominantes, e em contraponto a essa realidade, as políticas públicas tendem a garantir os direitos dos alunos. No âmbito da educação especial, (Silva, Lopes e Quadros, 2024) reforçam a garantia ao acesso e a permanência dos alunos Público-alvo da Educação Especial. Em consonância com essa determinação se faz necessário efetivar a prática inclusiva, assegurando a qualidade do processo de ensino e aprendizagem. Desse modo, este relato de experiência registra a relevância da construção do Plano de aula acessível no contexto do Planejamento escolar, realizando práticas educativas que promovam o desenvolvimento potencial dos alunos, independente de sua individualidade. Sob essa perspectiva do respeito à diversidade no trabalho escolar, o planejamento deve estar pautado numa concepção subjetiva, conforme pensado por Gonçalves e Madeira-Coelho (2021). Os autores evidenciam que “o processo avaliativo decorrente da concepção subjetiva da aprendizagem possibilita reconhecer e valorizar as peculiaridades do desenvolvimento de cada estudante” (Gonçalves e Madeira-Coelho, 2021, p.1). Sendo assim, não cabe na escola modelos comparativos e padronizados de avaliação. As propostas avaliativas devem observar as crianças, descobrir como elas resolvem situações desconhecidas, também deve fazer parte da avaliação, perceber como uma criança reage nas interações com seus pares, mesmo que ela não consiga falar ou escrever; isso também é avaliar. Assim, este relato de experiência pôde verificar a importância de um Plano de aula para a acessibilidade.

    Apresentação da experiência

    O Plano de aula foi construído e utilizado por professora com formação em Educação Especial, atuante nas séries iniciais de escolas públicas desde 2000. O objeto de análise deste relato de experiência é um Plano de aula, em relação ao qual foi investigada a presença ou não das práticas inclusivas. A fim de valorizar a importância da mediação nos procedimentos de inclusão, a análise do Plano de aula tomou como referência para crítica discussões provocadas a partir da apreciação do vídeo Cuerdas (Garcia, 2014). A história narra episódios da vida de uma criança com paralisia cerebral, recebida em uma escola de ensino regular por uma colega intrigada com sua condição e disposta a fazer qualquer coisa para que esta criança possa brincar. Nesse sentido, entendemos que essa experiência abrange a temática da Educação Especial na perspectiva inclusiva, realçando a necessidade de acessibilidade nas escolas de educação básica. Entende-se, ainda, ser relevante destacar, neste relato de experiência, a imprescindibilidade da efetivação das práticas para além de um Plano de aula consistente. Ou seja, para que o Plano de aula seja exequível, deve haver consonância com uma política pública social de educação comprometida com as demandas metodológicas para a inclusão, de modo que na Escola Municipal de Juiz de Fora, onde foi aplicado, houve êxito. Trazer um relato de experiência oportuniza refletir ainda sobre a formação continuada docente e sua relevância para o aprimoramento de recursos inovadores nas salas de aula. O vídeo Cuerdas (Garcia, 2014) é uma animação digital que veicula um olhar crítico sobre o que pode ser proposto para as aulas inclusivas na ampliação do conhecimento educacional comprometido, ainda, com as Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs).

    Análise parcial dos resultados

    Tendo construído um Plano de aula com base nos supracitados referenciais teóricos e no vídeo Cuerdas, observou-se que é de suma importância o planejamento meticuloso para um trabalho produtivo em sala de aula. Por isso, este relato de experiência tem como função compartilhar o conhecimento docente, a fim de que esta prática possa ser replicada e aprimorada no âmbito da educação inclusiva.

    Conclusões

    Portanto, a análise do Plano de aula contribuiu para refletir que a aprendizagem deve estar centrada no aluno, principalmente, quando se tem uma interação heterogênea evidente na composição do grupo, de acordo com o plano de aula. Há indicativos de variabilidade didática na proposta, porém nota-se a ausência de colaboração entre os profissionais do ensino regular e da educação especial. Assim como Silva, Lopes e Quadros (2024), observa-se um limbo entre integração e inclusão da criança com deficiência ou transtorno neurodivergente: a inclusão desses alunos avança, reconhecendo a potencialidade do indivíduo e a importância da diversidade, mas a cultura escolar ainda é marcada por visões biológicas da deficiência, por isso este relato enfatiza o quanto é fundamental o Plano de aula para acessibilidade. O trabalho docente tende a permanecer isolado, com pouca partilha de responsabilidade pelo aprendizado e um currículo orientado, principalmente, para a aquisição de habilidades e competências; por isso, elegeu-se, aqui, estudar o Plano de aula como um meio de proporcionar mudanças na implementação de práticas pedagógicas inclusivas. Mesmo com esforços de alguns professores para apresentar propostas alinhadas ao Sistema Multinível, ao Desenho Universal da Aprendizagem e ao Ensino Colaborativo – citados por Silva, Lopes e Quadros (2024) – a inclusão ainda é um caminho a percorrer, exigindo maior cooperação entre profissionais, mudanças curriculares e culturalmente mais inclusivas para efetivar uma educação verdadeiramente para todos.

     

  • Palavras-chave
  • Plano de aula; inclusão; Cuerdas.
  • Área Temática
  • Eixo 1 - Educação Inclusiva, Acessibilidade e Tecnologias Assistivas
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  • Eixo 1 - Educação Inclusiva, Acessibilidade e Tecnologias Assistivas
  • Eixo 2 – Educação e Justiça Social: Identidades, Gênero e Relações Étnico-Raciais
  • Eixo 3 – Políticas Públicas e Gestão Educacional na Perspectiva Inclusiva
  • Eixo 4 – Currículo, Práticas Pedagógicas e Formação Docente
  • Eixo 5 – Educação do Campo, Indígena e Quilombola: saberes, territórios e direitos

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