Introdução
Esta pesquisa tem como finalidade reconstituir historicamente o processo de criação da Escola Normal de Montes Claros, em Minas Gerais, desde sua fundação, em 1879, até a conclusão da última turma do curso de Magistério, em 1998. O estudo analisa as influências, o papel desempenhado pela instituição e as transformações nos processos de formação de professores do ensino primário na região norte-mineira. Busca-se responder à seguinte questão: quais fatores sociopolíticos e educacionais influenciaram a implantação e contribuíram para a consolidação da Escola Normal de Montes Claros, assim como para o desenvolvimento educacional e social da região? O embasamento teórico e documental desta investigação apoia-se, principalmente, nas contribuições de Gatti (2002); Nosella e Buffa (2002); Obino (2007); Orso (2012); Saviani (2017); Villela (2011); Vidal (2006); e Garnica e Gomes (2020). Adotando uma abordagem qualitativa, serão realizadas revisão sistemática da literatura, análise de documentos históricos e entrevistas semiestruturadas, à luz da metodologia da História Oral, envolvendo ex-alunos, professores, supervisores, diretores e também os atuais docentes e membros da equipe administrativa. Os resultados esperados indicam as contribuições dessa instituição de ensino para a formação de professores do ensino primário, bem como sua relevância social, econômica e política no contexto do desenvolvimento local.
Fundamentos Teóricos
A partir do século XIX, durante o Período Imperial, foram criadas as primeiras Escolas Normais no Brasil, institucionalizando o início da formação profissional de professores para o ensino primário no país. Aos poucos, essa mudança contribuiu para a substituição do “velho mestre-escola” – que até então atuava quase que exclusivamente no ensino do país – pelo “novo professor do ensino primário” (Villela, 2011, p. 101).
Conforme destaca Buffa (2002), a instituição escolar deve ser analisada como um todo articulado, no qual cada elemento – físico, organizacional, simbólico – contribui para a construção de uma cultura escolar específica, carregada de significados para a sociedade em que está inserida.
Conclui-se que a profissionalização docente iniciada no século XIX representou um marco na transformação do ensino no Brasil, substituindo figuras informais por professores formados. Entender a escola como uma instituição complexa e simbólica, como propõe Buffa, é essencial para promover práticas educativas mais equitativas e alinhadas às necessidades da sociedade.
Metodologia
A partir de uma abordagem qualitativa, fundamentada na perspectiva crítico-dialética, serão realizadas revisão sistemática da literatura, análise documental e entrevistas semiestruturadas, sob a orientação metodológica da História Oral. Os participantes incluirão ex-alunos, professores, supervisores, diretores, bem como os atuais docentes e membros da equipe administrativa.
Análise parcial dos resultados
Os resultados iniciais, provenientes da revisão sistemática, possibilitam o mapeamento das principais produções acadêmicas voltadas à história das Escolas Normais no Brasil, com ênfase na análise de seu papel na formação de professores do ensino primário e em seu impacto nas políticas educacionais.
Conclusões parciais
Portanto, é essencial evidenciar as contribuições da referida instituição de ensino na preparação de professores que cursaram o Ensino Médio, Formação em Ensino Normal, Magistério de 1º grau, assim como sua importância pedagógica para a sociedade local e regional. Além disso, destaca-se a necessidade de valorizar a memória educacional da região e promover reflexões sobre os processos de formação docente em contextos históricos específicos.
Apoio técnico ou financeiro (se houver)
Próprio.
Referências
FARIA FILHO, Luciano Mendes de; VIDAL, Diana Gonçalves. Os tempos e os espaços escolares no processo de institucionalização da escola primária no Brasil. Revista brasileira de educação, p. 19-34, 2000.
JULIA, Dominique. A cultura escolar como objeto histórico. Revista Brasileira de História da Educação, v. 1, n. 1, p. 9-43, 2001.
NOSELLA, Paolo; BUFFA, Ester. As pesquisas sobre instituições escolares: balanço crítico. Navegando na história da educação brasileira, 2002. Disponível em: https://histedbrantigo.fe.unicamp.br/navegando/artigos_pdf/Paolo_Nosella_artigo.pdf. Acesso em: 20 jan. 2025.
OBINO Corrêa Werle, Flávia; BRITTO, Lenir Marina Trindade de Sá; COLAU, Cinthia Merlo. Espaço Escolar e História das Instituições Escolares. Revista Diálogo Educacional, [S. l.], v. 7, n. 22, p. 147-163, 2007. DOI: https://doi.org/10.7213/rde.v7i22.4189. Disponível em: https://periodicos.pucpr.br/dialogoeducacional/article/view/4189. Acesso em: 18 jan. 2025.
VILLELA, Heloisa de Oliveira. O mestre-escola e a professora. In: LOPES, Eliana Marta Teixeira; VEIGA, Cynthia Greive; FARIA FILHO, Luciano Mendes. (Org.). 500 anos de Educação no Brasil. 5. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2011. p. 95-134.
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