Introdução
A formação inicial docente representa um processo complexo, que exige articulação entre conhecimentos teóricos, saberes da experiência e vivências práticas no contexto escolar. Nesse cenário, o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), política pública fomentada pela CAPES, surge como estratégia de aproximação entre universidade e escola, oferecendo aos licenciandos a oportunidade de integrar o cotidiano da educação básica.
Ao possibilitar que o futuro professor observe, reflita e atue nas situações reais da sala de aula, o programa contribui para o fortalecimento da identidade docente e para a compreensão crítica dos desafios da educação pública. Essa inserção é fundamental porque, como defende Freire (1996), ensinar não se resume a transferir conhecimentos, mas exige reflexão, criticidade e compromisso com a transformação social. O presente trabalho, portanto, busca relatar uma experiência formativa desenvolvida por acadêmicas de Pedagogia da Unimontes em escola pública de Paracatu-MG, evidenciando como o PIBID contribui para a constituição de saberes docentes.
Fundamentos Teóricos
A formação docente é composta por múltiplos saberes, entre eles os saberes da experiência, disciplinares e pedagógicos, conforme analisa Tardif (2014). Assim, não basta ao futuro professor acumular conteúdos teóricos: é necessário vivenciar práticas que lhe permitam relacionar teoria e realidade. Gatti (2010) reforça que programas de iniciação à docência, como o PIBID, possibilitam que o licenciando compreenda a diversidade de contextos escolares e desenvolva competências essenciais à docência.
Imbernón (2011) defende que a formação precisa ser contínua e marcada pela reflexão crítica sobre a prática, incorporando os desafios da mudança social e cultural. Saviani (2018), por sua vez, destaca a importância da escola como espaço de emancipação e como lócus privilegiado de socialização do conhecimento, capaz de contribuir para a transformação da sociedade.
Dessa forma, o PIBID não se limita a ser um programa de estágio, mas constitui um campo de formação no qual os acadêmicos vivenciam o papel do professor em sua complexidade, aprendendo a lidar com dificuldades de aprendizagem, a planejar estratégias diversificadas e a reconhecer o valor da prática pedagógica mediada pela criticidade e pela autonomia.
Metodologia
Este relato de experiência está vinculado ao subprojeto de Pedagogia/Unimontes – campus Paracatu, no âmbito do PIBID. Participaram cinco acadêmicas bolsistas, que atuaram no Centro Municipal Educacional Coraci Meireles de Oliveira, em turmas do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental.
O estudo segue abordagem qualitativa, de caráter descritivo, pautado na observação participante e na produção de registros reflexivos sobre as vivências em sala de aula. As acadêmicas acompanharam o planejamento docente, participaram da execução de atividades pedagógicas e realizaram intervenções orientadas pela professora supervisora da escola e pela coordenadora do subprojeto.
A inserção na escola foi organizada em etapas: (a) observação das práticas pedagógicas, (b) apoio às atividades de alfabetização e letramento, (c) realização de práticas interativas (jogos, músicas, atividades lúdicas) e (d) registros reflexivos coletivos sobre os desafios e aprendizagens vivenciadas. Essa metodologia permitiu sistematizar a experiência e evidenciar os sentidos atribuídos ao programa na formação inicial.
Análise de Dados
A experiência mostrou que a inserção das pibidianas no ambiente escolar contribuiu de modo significativo para sua compreensão sobre a realidade da educação básica. Foram observadas dificuldades relacionadas à alfabetização, heterogeneidade no ritmo de aprendizagem e desafios no acompanhamento das atividades pelos alunos.
Por meio das práticas desenvolvidas, as bolsistas constataram a importância de estratégias diversificadas para favorecer a aprendizagem, como o uso de jogos pedagógicos, músicas e atividades que dialogassem com o cotidiano dos estudantes. Essa experiência revelou o quanto a mediação lúdica favorece a motivação e a autonomia dos alunos, criando condições mais adequadas para o desenvolvimento das competências de leitura, escrita e resolução de problemas.
Além disso, as reflexões coletivas mostraram que a experiência permitiu às acadêmicas desenvolver habilidades de planejamento, escuta sensível e adaptação metodológica, fortalecendo sua identidade docente. O contato com as professoras regentes foi fundamental, uma vez que proporcionou troca de saberes entre universidade e escola, confirmando a relevância do trabalho colaborativo na formação docente.
Conclusões
O PIBID revelou-se essencial para a formação inicial docente das acadêmicas participantes, pois possibilitou vivências concretas da prática pedagógica, contato com os desafios da educação pública e reflexão crítica sobre a docência. Constatou-se que o programa favoreceu a construção da autonomia, da criticidade e da identidade profissional das bolsistas, articulando teoria e prática em um processo formativo enriquecedor.
A experiência demonstrou que estar em sala de aula vai além de aplicar conteúdos: significa compreender as singularidades dos alunos, elaborar estratégias pedagógicas significativas e assumir a docência como compromisso social e transformador. Assim, reafirma-se a importância de políticas públicas como o PIBID, que valorizam a formação inicial e contribuem para consolidar a escola como espaço de emancipação e transformação social, como destaca Saviani (2018).
Apoio técnico ou financeiro
Este trabalho contou com apoio do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência - PIBID, financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES.
Referências
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 34. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
GATTI, B. A. Formação de professores no Brasil: características e problemas. Educação & Sociedade, Campinas, v. 31, n. 113, p. 1355-1379, 2010.
IMBERNÓN, F. Formação docente e profissional: formar-se para a mudança e a incerteza. 9. ed. São Paulo: Cortez, 2011.
SAVIANI, D. Escola e democracia. 43. ed. Campinas: Autores Associados, 2018.
TARDIF, M. Saberes docentes e formação profissional. 17. ed. Petrópolis: Vozes, 2014.
Comissão Organizadora
Congresso Internacional Educação e Diversidade
Júnea Tatiane Damasceno Oliveira
Éryka Jovania Pereira
Silvana Diamantino França
Juliane Leite Ferreira e Figueiredo
ALINE MARIA GONZAGA RUAS
Comissão Científica