Este trabalho apresenta relato de experiência pedagógica realizada com alunos do Ensino Fundamental, em parceria entre o curso de Pedagogia da Universidade Estadual de Montes Claros – Unimontes, Campus Paracatu-MG, por meio do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência - PIBID, e a Escola Municipal Joaquim Adjuto Botelho. O projeto buscou responder às dificuldades de alfabetização observadas em sala de aula, desenvolvendo práticas inovadoras, com foco no uso de jogos pedagógicos.
O PIBID tem se consolidado como política pública relevante para a formação de professores, aproximando universidade e escola básica, ao mesmo tempo em que possibilita aos acadêmicos vivenciarem práticas concretas e refletir sobre elas. Diante das dificuldades diagnosticadas, a proposta foi integrar atividades lúdicas ao processo pedagógico, visando potencializar o desenvolvimento integral dos alunos.
A intervenção pedagógica realizada neste estudo ancora-se na perspectiva histórico-cultural, cuja base está em Vigotsky (1998). Para o autor, o desenvolvimento humano ocorre pela mediação social, em que pensamento e linguagem se articulam como processos indissociáveis. Nessa perspectiva, o professor assume papel essencial como mediador, criando condições para que o estudante avance daquilo que já domina para novas aprendizagens, no que Vigotsky denomina zona de desenvolvimento proximal – ZDP.
Nesse contexto, o jogo se configura como atividade central na infância, pois promove a internalização de funções psicológicas superiores atenção, memória, linguagem, raciocínio lógico e criatividade. Kishimoto (2011) reafirma a relevância do brincar como recurso pedagógico que, quando intencionalmente planejado, amplia o desenvolvimento cognitivo, social e emocional da criança, favorecendo aprendizagens significativas.
Autores brasileiros, como Rego (1995), aproximam a teoria histórico-cultural do contexto educacional contemporâneo, destacando que a aprendizagem ocorre por meio da interação entre sujeitos em situações socialmente mediadas. Libâneo (2013) acrescenta que práticas pedagógicas inovadoras devem articular metodologias ativas, participação discente e mediação crítica, rompendo com a mera transmissão de conteúdos.
Além disso, Saviani (2008) aponta que a prática pedagógica precisa articular teoria e prática de modo dialético, para que o conhecimento escolar cumpra sua função de humanização e emancipação. Nessa direção, o uso de jogos pedagógicos assume duplo papel: ao mesmo tempo em que motiva e engaja os estudantes, possibilita a ressignificação do processo de alfabetização, tornando-o mais inclusive e integral.
Por fim, ao considerar o brincar como fenômeno cultural e educativo, Huizinga (2001) reforça que o jogo extrapola a dimensão do entretenimento, constituindo-se em elemento estruturante da formação humana. Assim, a fundamentação teórica aqui apresentada sustenta a importância de estratégias lúdicas e inovadoras para potencializar o processo de ensino-aprendizagem, integrando aspectos cognitivos, sociais e afetivos.
Inicialmente, foram realizadas observações sistemáticas em sala de aula, com registro de dificuldades apresentadas pelos estudantes, especialmente em leitura e escrita. A partir desse diagnóstico, elaborou-se um plano de intervenção fundamentado em jogos pedagógicos como estratégia metodológica.
As atividades envolveram bingo das sílabas, jogos da memória com palavras e imagens, quebra-cabeças de vogais, palavras cruzadas e jogos de interação coletiva. O desenvolvimento das ações foi acompanhado por meio de observação participante, registros descritivos e relatos reflexivos dos bolsistas, permitindo a análise da evolução dos alunos ao longo do processo.
Os resultados parciais evidenciam que o uso de práticas inovadoras, especialmente de caráter lúdico, favoreceu a motivação e o engajamento dos alunos. A participação nas atividades mostrou-se significativa, refletindo em avanços tanto na alfabetização quanto no desenvolvimento socioemocional.
Observou-se melhora na consciência fonológica, no reconhecimento de palavras e na fluência leitora. Além disso, os jogos coletivos possibilitaram o desenvolvimento de habilidades como cooperação, autonomia, criatividade e resolução de problemas.
Outro ponto relevante foi o papel da mediação docente: ao adotar postura investigativa e dialógica, o professor atuou como facilitador do aprendizado, promovendo maior protagonismo discente. Esse aspecto confirma que inovação pedagógica não depende apenas de recursos, mas de uma concepção de ensino voltada à interação, problematização e valorização da experiência do aluno.
A experiência demonstrou que os jogos pedagógicos, quando planejados e contextualizados, são ferramentas eficazes para potencializar a alfabetização e ampliar aprendizagens significativas. As práticas pedagógicas inovadoras contribuíram para atender diferentes ritmos e estilos de aprendizagem, fortalecendo a formação integral dos alunos.
Reforça-se que a inovação pedagógica se constitui não apenas pelo uso de metodologias diferenciadas, mas por uma mudança de concepção docente, comprometida com a formação de sujeitos críticos, reflexivos e preparados para os desafios da sociedade contemporânea.
Este trabalho contou com apoio do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência – PIBID, financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES.
BOM TEMPO, Edda. A brincadeira de fazer de conta: lugar do simbolismo, da representação, do imaginário. In: KISHIMOTO, Tizuko (Org.). Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. 14. ed. São Paulo: Cortez, 2012. p. 63-79.
KISHIMOTO, Tizuko. O jogo e a educação infantil. 12. ed. São Paulo: Pioneira, 2011.
KRAMER, Sônia. Educação infantil: formação de professores e práticas pedagógicas. São Paulo: Contexto, 2006.
REGO, Teresa Cristina. Vygotsky: uma perspectiva histórico-cultural da educação. Petrópolis: Vozes, 1995.
VIGOTSKY, Lev S. A formação social da mente. 7. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
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Congresso Internacional Educação e Diversidade
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