Introdução
Assumir a função de coordenador do Campus da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), em Almenara, representou um marco importante em minha trajetória profissional. Há dois anos e meio venho exercendo esta função, enfrentando desafios significativos e, ao mesmo tempo, vivenciando conquistas que reafirmam a relevância da presença da universidade na região do Vale do Jequitinhonha. Este relato de experiência tem como objetivo apresentar as dificuldades encontradas no início da gestão, especialmente em relação à articulação com a administração municipal da época, e destacar as ações desenvolvidas pela coordenação, em conjunto com professores e acadêmicos, que possibilitaram avanços institucionais relevantes. Além disso, evidenciar com a mudança de gestão municipal, em 2025, contribuiu para estabelecer novas condições de parceria e estruturar caminhos mais sólidos para a promoção da educação superior em uma perspectiva inclusiva e alinhada às políticas públicas locais.
Fundamentos Teóricos
A gestão educacional em instituições públicas de ensino superior envolve dimensões administrativas, acadêmicas e políticas, que exigem uma constante articulação entre universidade, poder público e comunidade. Segundo Lück (2009), a gestão democrática pressupõe processos de liderança que dialoguem com os diferentes atores sociais, promovendo uma cultura de corresponsabilidade. No contexto das políticas públicas, Libâneo (2012) ressalta que a universidade precisa atuar não apenas como espaço de ensino e pesquisa, mas também como agente de transformação social, especialmente em regiões historicamente marcadas por desigualdades.
No campo da inclusão a Lei Brasileira de Inclusão estabelece diretrizes fundamentais para que as instituições de ensino assegurem condições de acesso, permanência e participação de todos. Isso implica reconhecer a diversidade como valor e adotar práticas que garantam a equidade no processo educativo. Assim, o papel da coordenação vai além da gestão burocrática, assumindo a função de mediação entre as demandas sociais, os recursos institucionais e as políticas públicas.
Apresentação da experiência
Ao assumir a coordenação do Campus de Almenara, encontrei um cenário adverso. A relação com a gestão municipal da época era frágil e, em muitos momentos, marcada por entraves políticos e administrativos que dificultavam o diálogo e inviabilizavam parcerias essenciais para o desenvolvimento das atividades acadêmicas. Apesar disso, compreendendo a relevância da universidade para o município e para a região, não foi possível paralisar as ações.
Nesse contexto, optamos por mobilizar os recursos internos da instituição e fortalecer a atuação coletiva entre coordenação, docentes e discentes. Diversos eventos foram organizados diretamente pelo campus, envolvendo palestras, oficinas, minicursos e projetos de extensão que impactaram não apenas a comunidade acadêmica, mas também a população local. Destacam-se atividades voltadas para a formação continuada de professores da educação básica, oficinas de redação para o ENEM e para vestibulares, ações culturais e debates sobre saúde mental e inclusão educacional.
Essas iniciativas consolidaram uma identidade institucional ativa, capaz de resistir às adversidades políticas externas e de reafirmar o compromisso social da universidade. Os estudantes desempenharam papel fundamental nesse processo, atuando na organização, execução e divulgação dos eventos, fortalecendo o vínculo entre a Unimontes e a comunidade de Almenara.
Análise parcial dos resultados
A experiência inicial, marcada pela ausência de apoio da gestão municipal anterior, evidenciou a importância da autonomia universitária e da capacidade de mobilização interna. Mesmo em condições limitadas, a coordenação conseguiu garantir a oferta de atividades significativas, fortalecendo a visibilidade do campus. Essa postura ativa criou condições para que a instituição se mantivesse presente no cenário educacional local, ainda que sem grandes aportes externos.
A partir de 2025, com a mudança na gestão municipal, novas possibilidades se abriram. O diálogo estabelecido entre a coordenação da Unimontes e a prefeitura resultou em parcerias mais produtivas, ampliando a oferta de apoio estrutural e a cooperação em projetos. Essa mudança representou um marco no processo de consolidação do campus, criando perspectivas mais favoráveis para a implementação de políticas inclusivas e para a valorização da universidade como parceira estratégica no desenvolvimento regional.
Assim, a experiência demonstra como a gestão educacional, quando pautada no compromisso com a inclusão e com as políticas públicas, pode superar barreiras institucionais e produzir resultados que vão além da esfera acadêmica, impactando diretamente a sociedade.
Conclusões
O exercício da coordenação do Campus de Almenara da Unimontes, ao longo de dois anos e meio, revelou-se uma experiência desafiadora e, ao mesmo tempo, transformadora. As dificuldades enfrentadas no início, em virtude da falta de articulação com a gestão municipal da época, exigiram criatividade, resiliência e engajamento coletivo para manter o funcionamento das atividades acadêmicas.
Os resultados alcançados, especialmente a realização de eventos e projetos articulados pela própria universidade, mostraram que é possível construir alternativas mesmo em contextos adversos. A partir de 2025, a mudança de cenário político-administrativo possibilitou avanços estruturais e parcerias mais consistentes, criando condições para um trabalho ainda mais inclusivo e alinhado às necessidades locais.
Essa trajetória reforça a importância do papel da coordenação como espaço de mediação e de liderança, capaz de articular políticas públicas, promover a inclusão e consolidar a universidade como agente de transformação social.
Apoio técnico ou financeiro (se houver)
Referências
LIBÂNEO, J. C. Organização e gestão da escola: teoria e prática. Goiânia: Alternativa, 2012.
LÜCK, H. Dimensões da gestão escolar e suas competências. Curitiba: Positivo, 2009.
Comissão Organizadora
Congresso Internacional Educação e Diversidade
Júnea Tatiane Damasceno Oliveira
Éryka Jovania Pereira
Silvana Diamantino França
Juliane Leite Ferreira e Figueiredo
ALINE MARIA GONZAGA RUAS
Comissão Científica