PRÁXIS DA DISCIPLINA EDUCAÇÃO DO CAMPO NO CURSO DE PEDAGOGIA UNIMONTES E SUA RELAÇÃO COM AS ESCOLAS FAMÍLIA AGRÍCOLAS

  • Autor
  • Maria Aparecida Afonso Oliveira
  • Co-autores
  • Magda Martins Macêdo , Maria Auxiliadora Amaral Silveira Gomes , Flaviane Alves dos Santos , Hellen Fernandes Santos
  • Resumo
  • PRÁXIS DA DISCIPLINA EDUCAÇÃO DO CAMPO NO CURSO DE PEDAGOGIA UNIMONTES E SUA RELAÇÃO COM AS ESCOLAS FAMÍLIA AGRÍCOLAS

     

     

    Eixo 5 – Educação do Campo, Indígena e Quilombola: saberes, territórios e direitos.

    Palavras-chave: Educação do Campo, Pedagogia, Escola Família Agrícola, Formação de Professores.

     

    Introdução

    Desde o ano de 2010, o curso de Pedagogia da Unimontes incluiu em sua matriz curricular a disciplina Educação nas Escolas do Campo, com carga horária de 72 h/a. A disciplina Educação do Campo, como modalidade da Educação Brasileira, foi incorporada ao Projeto Pedagógico do Curso (PPC), no ano de 2013, também com a carga horária de 72 horas sendo 54 teóricas e 18 práticas, ofertada no 7º período do curso.

    A ementa da disciplina leva em consideração o contexto sócio histórico, econômico-produtivo e político da Educação do Campo no Brasil, bem como diversidade étnica e cultural, movimentos sociais, dentre outros.

     

    Fundamentos Teóricos

    A pesquisa realizada no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), no Curso de Pedagogia, de autoria da egressa Bruna Rafaela Teixeira, intitulado “O perfil campesino das acadêmicas e acadêmicos no Curso de Pedagogia da Unimontes e aspectos de sua formação docente” revelou significativa presença camponesa nas turmas do Curso de Pedagogia.

    A práxis possibilitada pela disciplina reafirma os debates construídos por diversos sujeitos ao longo dos 27 anos da construção histórico-política e pedagógica da Educação do Campo. Conforme Caldart (2004):

     

    A Educação do Campo, além de se preocupar com o cultivo da identidade cultural camponesa, precisa recuperar os veios da educação dos grandes valores humanos e sociais: emancipação, justiça, igualdade, liberdade, respeito à diversidade, bem como reconstruir nas novas gerações o valor da utopia e do engajamento pessoal a causas coletivas, humanas (Caldart, 2004, p. 21).

    Em diálogo com as docentes que ministram a disciplina no curso, é possível perceber o quanto as discussões causam impacto para os acadêmicos. Nota-se que a Educação do Campo, para além das aprendizagens, representa também um ato político em face do atual modelo educacional e das circunstâncias desafiantes enfrentadas pelas populações campesinas.

    As místicas, constituem ação mobilizadora dos movimentos sociais e, ao serem apreendidas nas ações educativas da Educação do Campo, promovem momentos de reflexão coletiva, em que os estudantes se reconectam com suas raízes culturais e com os valores do campo, promovendo o sentimento de pertencimento e resistência. De acordo com Bogo (2012), as místicas:

     

    [...] despertam os militantes para a história como sujeitos conscientes de suas funções sociais. Descobrem as potencialidades das mudanças adormecidas nos contextos sociopolíticos e desvendam, na penumbra dos processos, possibilidades de agregar elementos diferenciadores que impulsionam as mudanças sociais (Bogo, 2012, p. 477).

    Assim, a mística pode ser compreendida como um elemento que educa, politiza, mantém viva a memória de um povo, mobiliza e contribui para a consolidação da identidade cultural do sujeito e dos sujeitos coletivos.

    Já os Círculos de Cultura, inspirados no legado de Paulo Freire, desvelam e ressignificam conhecimentos tradicionais que contribuem significativamente nos debates da Educação do Campo articulando teoria e prática. Freire (1980, apud Henrique e Torres, 2009), pontua:

     

    [...] os Círculos de Cultura são precisamente isto: centros em que o Povo discute os seus problemas, mas também em que se organizam e planificam ações concretas, de interesse coletivo. [...] estabelece-se um dinamismo entre os Círculos de Cultura e a prática transformadora da realidade, de tal modo que passam a ativar-se e reativar-se mutuamente (Freire, 1980 apud Henrique e Torres, 2009, p. 117). 

     

    Esta concepção e estratégia metodológica dialoga com a proposta em questão, de formação de professores do campo, indígenas e quilombolas, para que aprofundem a sua capacidade dialógica, que fortaleçam a consciência sobre a importância da participação e do protagonismo pessoal e de seus educandos, sejam essas crianças, jovens e/ou adultos do campo, indígenas ou quilombolas, para que aprofundem a leitura crítica do mundo e que o espaço escolar seja ressignificado enquanto lugar de desenvolvimento humano.

     

    Apresentação da experiência

    As visitas às EFA’s proporcionam experiências de observação e conhecimento contextual quanto à organização do espaço e tempo escolar e a dinamicidade do corpo discente e docente, de modo a contribuir com a perspectiva formativa crítica de acadêmicos.

    A coordenadora da Escola Família Agrícola Tabocal (EFAT), localizada no município de São Francisco, Nilva Vieira, relata sua visão sobre a interação entre universidade e EFA:

     

    [...] eu vejo como um ato de extrema relevância, tanto para o conhecimento nosso, quanto para os estudantes, eles precisam estar aqui, mas com um pé também na universidade [...]. Precisamos conhecer, precisamos dar visibilidade ao nosso trabalho (Entrevista, outubro, 2024).

     

    A prática de intercâmbio entre universidade e EFA’s, permite que estudantes universitários tenham contato direto com a vivência da cotidianidade possibilitadas pela Pedagogia da Alternância, enredando o seu conhecimento acadêmico junto à realidade vivenciada pelos estudantes na EFA e em suas comunidades campesinas.

    Os debates teóricos e práticas desenvolvidos na disciplina não apenas enriquece a formação acadêmica dos estudantes, mas também os prepara para atuarem de maneira crítica e sensível em diferentes contextos educacionais, especialmente o contexto campesino. Para a egressa Eliene Alves de Souza:

    [...]. Percebi que a Educação do Campo não é apenas uma disciplina, mas uma filosofia que deve ser incorporada à prática pedagógica. Sinto-me mais preparada para atuar em contextos diversos e comprometida em promover uma educação que valorize as especificidades de cada localidade, respeitando as diferenças e promovendo um aprendizado significativo para todos os envolvidos (Entrevista, outubro, 2024).

    Diante disso, reafirma-se que, o debate promovido na disciplina envolve não apenas a educação, mas o projeto popular, justo e sustentável às comunidades que incluem sujeitos camponeses, assentados e acampados, ribeirinhos, quilombolas, indígenas, caiçaras e uma variedade de outros povos e comunidades tradicionais.

     

    Análise parcial dos resultados

    Faz-se importante ressaltar o comprometimento dos professores que lecionam a disciplina em não apenas repassar conteúdos teóricos, mas, trazer diversos elementos que compõem toda uma trajetória histórico-política, pedagógica e sociológica que perpassa o movimento por uma Educação do Campo.

    Outro aspecto relevante são os Trabalhos de Conclusão de Curso relacionados ao tema. Já são inúmeros trabalhos concluídos ainda que a disciplina aconteça em período posterior à construção dos projetos de pesquisa. Compreende-se tal feito como resultado dos eventos realizados pela Universidade, da mobilização política e formativa do Laboratório de Educação do Campo/Unimontes e da Articulação Por Uma Educação do Campo, das Águas e das Florestas no Semiárido Mineiro.

     

    Conclusões

    Estima-se como um dos desafios mais urgentes, o atendimento às diversas populações do campo, com uma educação contextualizada em interação com o ambiente natural, a terra, as águas, as árvores e os animais. Este modus vivendi   requer uma educação que se integre à sua cultura, secularmente gestada e preservada.

    Ademais, os debates promovidos na disciplina contribuem para promover estudos e pesquisas sobre aspectos culturais, sociais, econômicos e políticos do território onde as EFA’s estão localizadas. E, ainda, fortalecem o envolvimento em ações de extensão estreitando os laços entre universidade e comunidade.

    Apoio técnico ou financeiro

    Não houve. A pesquisa organizada para este relato foi realizada pela coordenação e integrantes do Laboratório de Educação do Campo da Unimontes.

     

    Referências

    BOGO, Ademar. Mística. In: CALDART, R. et al. (Org.). Dicionário da Educação do Campo. São Paulo: Expressão Popular, 2012.

    CALDART, Roseli Salete. Por uma Educação básica do Campo: Elementos Para a Construção do Projeto Político e Pedagógico da Educação do Campo. In.: MOLINA, M.C; AZEVEDO, S. M. S. Por Uma Educação do Campo: Contribuições para a construção de um projeto de Educação do Campo. V.5. Brasília, DF: Articulação Nacional Por uma Educação do Campo, 2004.

    HENRIQUES, L. F. C; TORRES, M. Michelangelo. Potencialidades do Círculo de Cultura na Educação Popular. In.: ASSUMPÇÃO, Raiane (Org). Educação popular na perspectiva Freiriana. 3ª Série Educação Popular. São Paulo: Editora e Livraria Instituto Paulo Freire, 2009.

    TEIXEIRA, Bruna Rafaela. O perfil campesino das acadêmicas e acadêmicos no Curso de Pedagogia da Unimontes e aspectos de sua formação docente (Monografia). Universidade Estadual de Montes Claros, Montes Claros, 2021

  • Palavras-chave
  • Educação do Campo, Pedagogia, Escola Família Agrícola, Formação de Professores.
  • Área Temática
  • Eixo 5 – Educação do Campo, Indígena e Quilombola: saberes, territórios e direitos
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  • Eixo 1 - Educação Inclusiva, Acessibilidade e Tecnologias Assistivas
  • Eixo 2 – Educação e Justiça Social: Identidades, Gênero e Relações Étnico-Raciais
  • Eixo 3 – Políticas Públicas e Gestão Educacional na Perspectiva Inclusiva
  • Eixo 4 – Currículo, Práticas Pedagógicas e Formação Docente
  • Eixo 5 – Educação do Campo, Indígena e Quilombola: saberes, territórios e direitos

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