Eixo 4 – Currículo, Práticas Pedagógicas e Formação Docente
Palavras-chave: Formação continuada. Educação Inclusiva. Prática.
Resumo Simples
Introdução
Este estudo investiga a relevância e o impacto da formação continuada em Educação Inclusiva na prática pedagógica de professores do Ensino Fundamental II e do Atendimento Educacional Especializado (AEE) em uma escola pública municipal de Coração de Jesus, Minas Gerais. Parte-se da constatação de que muitos docentes se sentem inseguros e despreparados diante dos desafios da inclusão escolar, mesmo após participarem de formações na área. Busca-se compreender como essa formação influencia o planejamento, a adaptação curricular e a construção de práticas pedagógicas inclusivas voltadas à diversidade presente em sala de aula
Fundamentos Teóricos
A pesquisa fundamenta-se em autores que discutem a formação continuada e a educação inclusiva. Stainback e Stainback (1999) defendem a inclusão como princípio essencial, alertando que separar objetivos para alunos “especiais” gera isolamento. Mantoan (2003; 2011) propõe romper o paradigma que distingue “normais” e “deficientes”, reorganizando o currículo e valorizando o professor. Glat e Pletsch (2013) apontam que a inclusão exige superar o tradicionalismo e adotar práticas colaborativas; Pletsch (2009) reforça a importância de unir teoria e prática. Imbernón (2010) destaca a formação reflexiva e situada, e Freire (1996) lembra que ensinar é criar condições para a construção coletiva do saber, com ética e autonomia. Nunes (2013), Franciski (2022) e Blaczyk (2021) ressaltam a necessidade de metodologias práticas, colaborativas e conectadas à realidade escolar. Assim, a literatura evidencia que a formação continuada deve ser contínua, reflexiva e contextualizada para consolidar uma escola democrática e inclusiva.
Metodologia
O estudo adota uma abordagem qualitativa de natureza exploratória. O campo de pesquisa é uma escola pública municipal em Coração de Jesus/MG. Os participantes serão selecionados intencionalmente (amostra por conveniência ou critério), totalizando um número de 25 professores, divididos entre: professores que lecionam em classes com alunos incluídos e professores do Atendimento Educacional Especializado (AEE). A coleta de dados será realizada por meio de entrevistas semiestruturadas. O roteiro das entrevistas será composto por questões abertas e fechadas que buscam investigar: a percepção dos docentes sobre a qualidade e relevância das formações continuadas em Educação Inclusiva; a aplicabilidade prática dos conhecimentos adquiridos; as dificuldades e os desafios enfrentados no cotidiano escolar e os impactos percebidos na elaboração do planejamento e das práticas pedagógicas inclusivas. Os dados coletados serão submetidos à técnica de Análise de Conteúdo (Bardin, 2016). Após a transcrição e leitura exaustiva do corpus da pesquisa, serão seguidas as etapas de pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados (inferência e interpretação). A análise permitirá a identificação e categorização dos discursos, buscando agrupá-los em temas centrais, tais como: Percepção sobre a Formação, Aplicabilidade Prática, Dificuldades Encontradas e Impactos na Atuação Docente.
Análise parcial dos resultados
A análise de relatos e entrevistas, obtidos em experiências anteriores e etapas preliminares da pesquisa, revela percepção amplamente positiva sobre a formação continuada para lidar com a diversidade em sala de aula. Muitos docentes relatam maior segurança e consciência sobre práticas inclusivas após participarem das formações, mas apontam limitações como excesso de teoria, pouca aplicabilidade prática e falta de acompanhamento posterior. O impacto é maior quando as formações envolvem estratégias práticas e diálogo com a realidade escolar, destacando-se a importância de ações colaborativas entre professores do ensino regular e do AEE para reduzir o isolamento profissional.
Conclusões parciais
Há consenso entre os docentes sobre a importância dos programas formativos, mas os formatos atuais ainda apresentam lacunas que dificultam sua aplicação. Conclui-se que a eficácia da formação depende mais da metodologia adotada (teoria, prática e acompanhamento) do que da quantidade de cursos. O portfólio digital colaborativo proposto mostra-se promissor, ao integrar reflexão, prática e acompanhamento contínuo, reduzindo fragilidades. Os dados reforçam a necessidade de investir em formações contextualizadas, interdisciplinares e práticas, que atendam às demandas reais da escola inclusiva.
Referências
BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2016.
BLACZYK, Cristiane Gralaki. Formação continuada de professores para o processo de inclusão do público-alvo da educação especial no ensino regular. 2021. 239 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Curitiba, 2021.Disponível em: https://catalogodeteses.capes.gov.br/catalogo-teses/#!/. Acesso em:02 de junho de 2025.
FRANCISKI, Sônia Mara de Fátima da Silva. Acessibilidade curricular na escolarização de estudantes com deficiência intelectual: um estudo sobre as práticas pedagógicas inclusivas. 2022. 103 f. Dissertação (Mestrado Profissional em Educação Inclusiva em Rede) – Universidade do Estado de Santa Catarina, Chapecó, 2022. Disponível em: https://catalogodeteses.capes.gov.br/catalogo-teses/#!/. Acesso em:02 de junho de 2025.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
IMBERNÓN, Francisco. Formação docente e profissional: formar-se para a mudança e a incerteza. São Paulo: Cortez, 2010.
MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar: o que é? Por quê? Como fazer? São Paulo: Moderna, 2003.
NUNES, Nilta Moreira Braga. Formação Continuada em Educação Inclusiva. 2013. 130 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Universidade Federal de Rondônia, Porto Velho, 2013. Disponível em: https://catalogodeteses.capes.gov.br/catalogo-teses/#!/. Acesso em:02 de junho de 2025.
PLETSCH, Márcia Denise. Inclusão escolar:a formação de professores para a educação inclusive: legislação, diretrizes políticas e resultados de pesquisa. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2009.
STAINBACK, Susan; STAINBACK, William. Inclusão: um guia para educadores. Tradução de Ana Claudia P. Junqueira. Porto Alegre: Artes Médicas, 1999.
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