MONITORIA EM EDUCAÇÃO ESPECIAL: MEDIAÇÕES NO CURRÍCULO, NAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS E NA FORMAÇÃO DOCENTE

  • Autor
  • Amarantina Alves Porto Silva
  • Co-autores
  • Samily da Costa Batista , Gleicy Kelly Ferreira da Silva
  • Resumo
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    Este trabalho apresenta um relato de experiência sobre a atuação como monitor de educação especial em uma turma do 3º ano do Ensino Fundamental, acompanhando um estudante diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), nível de suporte 3, não verbal, associado à deficiência intelectual. O objetivo foi apoiar o processo de ensino-aprendizagem em parceria com a professora regente, garantindo condições de acesso, permanência e participação nas atividades escolares. A vivência reafirma a importância de práticas inclusivas que respeitem as especificidades de cada aluno e favoreçam seu desenvolvimento integral.

    O estudo fundamenta-se em marcos legais, como a Constituição Federal (1988), a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996) e a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008). Dialoga também com autores que abordam a inclusão e a prática docente: Mantoan (2003) defende a inclusão como participação efetiva e não apenas acesso físico; Freire (1996) destaca a centralidade do diálogo e do respeito às diferenças; Vygotsky (1997) valoriza o papel das interações sociais para o desenvolvimento; Tardif (2014) e Pimenta (2012) ressaltam que a formação docente se constrói na prática e pela reflexão sobre ela.

    Na experiência relatada, foram necessárias adaptações curriculares e metodológicas que considerassem as limitações do estudante, mas também suas potencialidades. Utilizaram-se recursos de comunicação alternativa, como cartões de rotina, figuras ilustrativas e gestos simples, que possibilitaram maior compreensão das atividades e expressão de preferências. As propostas de leitura e matemática foram adaptadas, com uso de materiais concretos e jogos pedagógicos, permitindo aprendizagens mais acessíveis e significativas. Outro ponto central foi a rotina estruturada, que trouxe previsibilidade, reduziu a ansiedade e favoreceu a permanência nas atividades. Paralelamente, houve incentivo à socialização, com mediação para estimular interações com os colegas e participação em atividades coletivas, fortalecendo vínculos e atitudes de cooperação. A promoção da autonomia também foi priorizada em tarefas cotidianas, como guardar materiais e cuidar da higiene pessoal, sendo cada conquista valorizada pela equipe escolar.

    A análise dos resultados evidenciou avanços graduais, mas significativos: maior tempo de atenção, ampliação da participação em sala de aula, evolução em tarefas de rotina e uso de recursos visuais para manifestar necessidades. A experiência impactou não apenas o estudante, mas também a turma, que passou a demonstrar atitudes de empatia e respeito à diversidade. A professora regente destacou a relevância da parceria com o monitor para assegurar continuidade às práticas pedagógicas inclusivas. Para o monitor, a vivência possibilitou aprendizagens profissionais valiosas, mostrando que a inclusão é um processo coletivo que exige diálogo, planejamento e flexibilidade.

    Conclui-se que o papel do monitor vai além do apoio individualizado: ele contribui para transformar o espaço escolar em ambiente acessível, inclusivo e acolhedor. A experiência confirma que a educação inclusiva não é apenas direito garantido por lei, mas também prática que amplia possibilidades de aprendizagem, socialização e autonomia. Ao mesmo tempo, fortalece a equipe docente e contribui para a formação de uma escola democrática e de pertencimento, reafirmando o compromisso com a diversidade e a equidade.

  • Palavras-chave
  • Inclusão escolar; Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Práticas pedagógicas.
  • Área Temática
  • Eixo 4 – Currículo, Práticas Pedagógicas e Formação Docente
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  • Eixo 1 - Educação Inclusiva, Acessibilidade e Tecnologias Assistivas
  • Eixo 2 – Educação e Justiça Social: Identidades, Gênero e Relações Étnico-Raciais
  • Eixo 3 – Políticas Públicas e Gestão Educacional na Perspectiva Inclusiva
  • Eixo 4 – Currículo, Práticas Pedagógicas e Formação Docente
  • Eixo 5 – Educação do Campo, Indígena e Quilombola: saberes, territórios e direitos

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