ENTENDENDO OS TERMOS NEURODIVERSIDADE (FATO/PARADIGMA) E NEURODIVERGÊNCIA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

  • Autor
  • Victor Emmanuel Souza Dumont
  • Resumo
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    Resumo Simples

    Introdução

    Este trabalho delimita dois termos comumente confundidos na educação inclusiva: neurodiversidade e neurodivergência. Propõe-se que “neurodiversidade” opere em dois planos complementares: (i) descritivo, como fato da variação neurocognitiva humana; e (ii) normativo-epistêmico, como paradigma que reorienta critérios de normalidade/valor e o desenho de práticas, políticas e avaliações. Por contraste, “neurodivergência” é definida como posição relacional e situada: descreve desalinhamentos dependentes do contexto entre perfis de processamento/comunicação/sensibilidade e normas locais (tempo, linguagem, ambiente sensorial, avaliação). Não equivale a rótulo clínico nem essência pessoal, depende da norma de referência, de quem a institui e com quais efeitos, em sintonia com críticas à “norma de espécie” e com debates sobre injustiça epistêmica (Chapman; Carel, 2022).

    Fundamentos Teóricos

    No plano factual, a noção de neurodiversidade ganha visibilidade nos anos 1990, em diálogo com a ideia de biodiversidade e com críticas à naturalização de normas de funcionamento (Blume, 1998). No plano paradigmático, pesquisas recentes mostram que sua força está em deslocar o foco do “déficit individual” para ecologias de participação/aprendizagem e para a historicidade dessas normas (Chapman, 2021; Chapman; Carel, 2022). Para mitigar confusões, adota-se a diretriz: “neurodiversidade” descreve coletivos (espécie, comunidades), ao passo que “neurodivergência” qualifica posições frente a normas situadas (Walker, 2014). Incorpora-se, ainda, correção historiográfica que contesta narrativas de paternidade única do conceito e evidencia genealogia coletiva (Botha et al., 2024).

    Metodologia

    Pesquisa teórico-bibliográfica e documental. Realizou-se análise conceitual de textos clássicos e contemporâneos, examinando controvérsias de origem, variações de uso em literatura acadêmica e ativista e implicações para decisões curriculares, avaliativas e organizacionais. O percurso envolve leitura crítica, fichamento analítico e matriz de distinções operacionais para formação docente.

    Análise parcial dos resultados

    Os achados, até então, indicam que reservar “neurodiversidade” para populações e empregar “neurodivergência” como posição relacional reduz ambiguidades (como chamar indivíduos de “neurodiversos”) e evita reificações. Esse esclarecimento desloca a gestão escolar de respostas remediativas para desenho antecipatório: em vez de “quais adaptações esta pessoa precisa?”, pergunta-se “que configurações de participação, linguagem, tempos e critérios assumem a variação como regra desde o início?”. A revisão também identifica risco de mitos de origem e apropriações acríticas do vocabulário, por isso, recomenda-se explicitar a base normativa de cada uso e adotar procedimentos de desenho universal e de revisão contínua dos critérios avaliativos. Em síntese, sugere-se que a distinção fato/paradigma (neurodiversidade), articulada à noção relacional de neurodivergência, oferece mapa conceitual robusto para decisões pedagógicas e leitura crítica de normativas.

    Conclusões parciais

    A precisão conceitual proposta gera três ganhos: (i) substitui remediações pontuais por arquiteturas de apoio e critérios que internalizam a variação no planejamento; (ii) fornece linguagem comum para equipes e redes, reduzindo ruído terminológico; (iii) sustenta a integração entre avaliação, currículo e arranjos de participação sob princípios de justiça epistêmica. Próximas etapas aplicarão a matriz a documentos curriculares e protocolos avaliativos, testando sua utilidade em formação de professores e na revisão de práticas escolares.

    Referências

    BLUME, Harvey. Neurodiversity. The Atlantic, set. 1998. Disponível em: https://www.theatlantic.com/magazine/archive/1998/09/neurodiversity/305909/. Acesso em: set. 2025.

    BOTHA, Monique et al. The neurodiversity concept was developed collectively: An overdue correction on the origins of neurodiversity theory. Autism, v. 28, n. 6, p. 1591–1594, 2024. DOI: 10.1177/13623613241237871. Disponível em: https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/13623613241237871. Acesso em: set. 2025.

    CHAPMAN, Robert. Neurodiversity and the social ecology of mental functions. Perspectives on Psychological Science, v. 16, n. 6, p. 1360-1372, 2021. DOI: 10.1177/1745691620959833. Disponível em: https://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/1745691620959833. Acesso em: set. 2025

    CHAPMAN, Robert; CAREL, Havi. Neurodiversity, epistemic injustice, and the good human life. Journal of Social Philosophy, v. 53, n. 4, p. 614-631, 2022. DOI: 10.1111/josp.12456. Disponível em: https://philpapers.org/rec/CHANEI-8. Acesso em: set. 2025.

    WALKER, Nick. Neurodiversity: some basic terms & definitions. 2014. Disponível em: https://neuroqueer.com/neurodiversity-terms-and-definitions. Acesso em: set. 2025.

     

  • Palavras-chave
  • neurodiversidade; neurodivergência; inclusão escolar.
  • Área Temática
  • Eixo 1 - Educação Inclusiva, Acessibilidade e Tecnologias Assistivas
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