EDUCAÇÃO INFANTIL NO CAMPO NA PERSPECTIVA INCLUSIVA: CONTAÇÃO DE HISTÓRIA NA “SEXTA CULTURAL”

  • Autor
  • ANDREIA BRENDA DA SILVA
  • Co-autores
  • Albenize de Fátima Pinheiro Maciel , Walber Christiano Lima da Costa
  • Resumo
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    Relato de experiência

     

    Introdução

    A Educação Infantil, do ponto de vista legal, tem apresentado muitas conquistas que poderiam vislumbrar avanços significativos em relação à oferta e a qualidade de ensino. Mas na prática, há muito a ser realizado, para de fato, oportunizar que todas as crianças brasileiras entre zero a cinco anos de idade, tenham acesso a frequentarem instituições de ensino direcionadas ao atendimento educacional de sua faixa etária.

    Mesmo que se garanta acesso à educação, um ensino de qualidade nem sempre vem incluso em tal garantia, pois ao se tratar das escolas do campo, infelizmente, foram, historicamente, construídas sob a ideia de que “para a escolinha rural qualquer coisa serve (Arroyo e Fernandes, 1999, p.11”. Para superar essa concepção, é necessário estudos e pesquisas sobre a educação infantil no campo colocando as discussões em torno dessa temática em evidencia.

     

    Fundamentos Teóricos

    Um estudo de Vieira e Teles (2024) sobre grupos de pesquisas no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) entre os anos de 2008 a 2019 revelam que a temática é pouco evidenciada nos grupos de estudos. Dos 962 grupos de pesquisa selecionados apenas 22 se aproximava da temática da educação infantil do campo, formação de professores do campo e organização do trabalho pedagógico.

    Adicionando a questão da educação inclusiva nessa temática a situação se torna ainda mais complexa. A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015) assegura condições de igualdade no exercício de direitos fundamentais para a inclusão social e cidadania da pessoa com deficiência. Em relação ao direito a educação, o artigo 28 incube o Poder Público da criação, desenvolvimento, incentivo, acompanhamento e avaliação para assegurar que os sistemas de ensino em todas as modalidades sejam acessíveis, eliminando as barreiras e promovendo a inclusão (LBI, 2015).

    Caiado e Meletti (2011) em um estudo sobre a interface da educação especial na educação do campo, realizado entre os anos de 2007 a 2010, obtiveram como achados principais que a maioria dos alunos com necessidades especiais que moram no campo estão matriculados em escolas urbanas em sistemas segregados de ensino.  As pesquisadoras alertam que as precárias condições de vida no campo, principalmente, para as pessoas com deficiência, colaboram para o não acesso a escolarização ou o deslocamento das pessoas com deficiência para escolas urbanas.

    Desta forma, Considerando a importância de estudos sobre a temática envolvendo a educação infantil na perspectiva inclusiva na educação no campo, o relato de experiência apresentado nesse texto visa corroborar para o debate dessa tríade, assim como incentivar outros profissionais da educação a percorrer caminhos que ampliem as discussões e publicações sobre a temática.

    Para Mantoan (2004, p.44) “é urgente estimular as mudanças, buscando e divulgando novas práticas pedagógicas, experiências de sucesso, saberes adquiridos em estudos desenvolvidos no cotidiano das nossas escolas”. Práticas pedagógicas simples podem contribuir de maneira grandiosa no processo de inclusão, para isso é necessário dar visibilidade ao fazer pedagógico, por meio de estudos e pesquisas compromissadas em promover a inclusão.

     

    Apresentação da experiência

    A proposta foi elaborada como forma de tentar atrair as crianças, especialmente nas sextas feiras, devido à baixa frequencia exatamente nesse dia da semana, então as professoras propuseram a sexta cultural, um momento coletivo de dança, leitura e contação de história, apresentações das crianças, encenações, jogos e brincadeiras. Para a leitura a professora se vestia com alguma fantasia que chamava a atenção das crianças, proporcionando o encantamento e o despertar da atenção para o que a professora estava fazendo.

    As crianças atípicas demonstravam satisfação em está integrado ao grupo maior de crianças, por vezes sendo necessário o acompanhamento de sua professora para incentivá-la e encorajá-la a participar. Para tornar o momento mais dinâmico, inicialmente as crianças eram convidadas a se alongar e dançar músicas seguindo alguns comandos de movimentos corporais.

    Depois do momento de despertar, era momento de cantar músicas para acalmar e incentivar o ouvir a leitura de um livro, após a leitura as crianças eram estimuladas a falar sobre o que ouviram. É importante destacar a espontaneidade do momento, principalmente, nas encenações que eram organizadas ali mesmo durante o evento, com falas improvisadas e enredo que se ajustava no bem querer das crianças, possibilitando que elas se sentissem protagonista naquele processo lúdico e rico em diferentes aprendizagens.

    As crianças atípicas se destacavam nos jogos, muitas vezes surpreendendo até mesmo sua professora, que não conseguia perceber as habilidades dessas crianças dentro de sala de aula. Com tudo, as professoras passaram a acompanhar outras formas de trabalhar com suas crianças, com um olhar mais sensível para as diferenças e singularidades encontradas em sala de aula.

     

    Análise parcial dos resultados

    A realização da contação de história por uma professora fantasiada de diferentes personagens a cada semana encantava as crianças, além de despertar a curiosidade em saber qual seria a fantasia da próxima sexta-feira. A diversidade de atrações proporcionava que diferentes preferências das crianças fossem evidenciadas, por vezes até desconhecidas pela professora e pela família da criança, que em certas ocasiões diziam que sua criança era muito tímida por isso não autorizava o filho a participar de apresentações escolares.

    As dinâmicas eram registradas por fotos e pequenos vídeos compartilhados com os pais e guardado no acervo da escola. O compartilhamento desses momentos com os pais reforçava a participação direta e indireta da família no ambiente escolar, além de mostrar o motivo de maior interesse do filho em ir para a escola, proporcionando mais credibilidade e reconhecimento ao trabalho desenvolvido pelas professoras.

     

    Conclusões

    A proposta de contação de história no pátio foi como uma porta de entrada para diferentes dinâmicas e atividades, tornando o momento cada vez mais rico em possibilidades de aprendizagens, tanto para as professoras como para as crianças. As professoras foram descobrindo que as dificuldades existem, mais sempre haverá uma forma de realizar um bom trabalho, desde que haja compromisso e vontade de fazer o que está dentro de suas possibilidades.

    Se não há um pátio adequado, que seja debaixo das árvores, se não tem cadeira, usa-se tapete no chão, na falta de recursos pedagógicos, constrói-se com materiais recicláveis, não se trata de romantizar as dificuldades, mas de não ser vencida por ela. A inclusão na educação infantil parte da sensibilidade e compreensão que todas as crianças aprendem e que algumas irão precisar de mais atenção e recursos pedagógicos, cabendo aos professores criarem estratégias pautadas na coletividade, visando à valorização e reconhecimento das individualidades para potencializar o processo de aprendizagem.

     

    Apoio técnico ou financeiro

    Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)

     

    Referências

    ARROYO, Miguel Gonzalez; FERNANDES, Bernardo Mançano. A educação básica e o movimento do campo. Vozes, Brasília. 1999.

     

    BRASIL. Lei nº 13.146, de 06 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Brasília, 2015. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm. 

     

    CAIADO, Katia Regina Moreno. MELETTI, Silvia Márcia Ferreira. EDUCAÇÃO ESPECIAL NA EDUCAÇÃO DO CAMPO: 20 ANOS DE SILÊNCIO NO GT 15. Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, v.17, p.93-104, Maio-Ago., 2011. Edição Especial. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbee/a/fTzh4pXQtgcNGxwPqbZBcwk/abstract/?lang=pt.

     

    VIEIRA, Emília Peixoto; TELES, Isabela Fernandes. O direito à educação infantil do/no campo: um estudo sobre grupos de pesquisas no CNPq 1 2 3. Pro-Posições | Campinas, SP | V. 35 | e2024c0305BR| 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1980-6248-2022-0040BR.

     

    MANTOAN, Maria Teresa Eglér. O direito de ser, sendo diferente, na escola. Revista CEJ, Brasília, n 26, p 36-44, jul/set, 2004. Disponível em: https://revistacej.cjf.jus.br/cej/index.php/revcej/article/view/622

     

     

  • Palavras-chave
  • Educação infantil do Campo; Educação inclusiva; Contação de história
  • Área Temática
  • Eixo 5 – Educação do Campo, Indígena e Quilombola: saberes, territórios e direitos
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  • Eixo 1 - Educação Inclusiva, Acessibilidade e Tecnologias Assistivas
  • Eixo 2 – Educação e Justiça Social: Identidades, Gênero e Relações Étnico-Raciais
  • Eixo 3 – Políticas Públicas e Gestão Educacional na Perspectiva Inclusiva
  • Eixo 4 – Currículo, Práticas Pedagógicas e Formação Docente
  • Eixo 5 – Educação do Campo, Indígena e Quilombola: saberes, territórios e direitos

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