POVOS ORIGINÁRIOS E TRADICIONAIS: UM INTERCÂMBIO CULTURAL ENTRE A ALDEIA KATURÃMA E OS ESTUDANTES DO 5º ANO DA ESCOLA MUNICIPAL PADRE VICENTE ASSUNÇÃO / ANEXO DO MUNICÍPIO DE BRUMADINHO - MG

  • Autor
  • THAYS CRISTINA RODRIGUES CANGUSSU DE FREITAS
  • Resumo
  • Introdução:

    Os povos originários do Brasil referem-se aos grupos indígenas que já habitavam o território antes da chegada dos colonizadores portugueses. Existem atualmente mais de 300 etnias e povos diferentes no Brasil, que mantêm suas culturas e línguas vivas. (IBGE, 2010) De acordo com o Censo de 2022, a população indígena no Brasil é de aproximadamente 1,7 milhão de pessoas, distribuídas em diferentes regiões do país, com a região Norte concentrando a maior parte. A diversidade sociocultural desses povos, constitui um patrimônio da humanidade, que pode ser evidenciada, tomando algumas poucas populações, como exemplares da aldeia Katurãma, presente na cidade de São Joaquim de Bicas em Minas Gerais. A aldeia supracitada conta com mais de vinte famílias, compostas por pessoas de todas as idades, sendo elas adultos, idosos e crianças.

    Com intuito de apresentar e valorizar a cultura indígena e tradicional da nossa região, convidou-se os povos originários Pataxó e Pataxó Hã hã hãe, sob liderança da cacica Ãngohó, a realizarem uma visita na Escola Municipal Padre Vicente Assunção/Anexo. O objetivo era realizar um intercâmbio cultural entre a aldeia e os estudantes do 5º ano da escola, uma vez que o tema central da mostra cultural destes estudantes, no ano de 2025, são os povos tradicionais brasileiros.

    Ressalta-se que esta ação está de acordo com as habilidades da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) relativas aos povos indígenas, que abrangem o conhecimento e a valorização de sua cultura e patrimônio, a compreensão dos seus modos de vida tradicionais, a discussão sobre seus direitos territoriais e as questões históricas e contemporâneas que os afetam.

    Por isso, com o propósito de ensinar temáticas relacionadas aos povos originários na prática, através das habilidades previstas pela BNCC para o 5º ano, utilizou-se como orientação didática a habilidade (EF05HI02), que foca em identificar mecanismos de organização social e poder político; além da habilidade (EF05HI01), que visa a abordagem da formação de culturas e povos, ligando-os ao espaço geográfico.

    Outra habilidade relevante, também utilizada durante este projeto, foi a (EF05HI05), que associa a noção de cidadania à conquista de direitos dos povos, incluindo a diversidade cultural, juntamente com a habilidade (EF05HI04), que conecta cidadania ao respeito pela diversidade étnica e humana. (BRASIL, 2018).

     

    Fundamentos Teóricos:

    A Aldeia Katurãma, localizada na comunidade Vale do Sol, em São Joaquim de Bicas (MG), é habitada por indígenas das etnias Pataxó e Pataxó Hã-Hã-Hãe, que preservam tradições, espiritualidade e modos de vida ancestrais. O nome “Katurãma”, que significa boa sorte, foi escolhido por uma anciã da comunidade durante um ritual à luz da lua cheia, simbolizando proteção e prosperidade para o povo (Comunidade Indígena da aldeia Katurãma, 2022)

    A conquista do território atual, em 2021, representou uma vitória importante, especialmente após as dificuldades enfrentadas pela comunidade devido ao desastre da barragem da Vale em Brumadinho, ocorrido em 2019. A área conquistada é considerada sagrada e está inserida em uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), o que garante não apenas a preservação ambiental, mas também a continuidade das práticas culturais e espirituais das etnias Pataxó e Pataxó Hã-Hã-Hãe.

    Além da valorização de suas tradições, a aldeia conta com estruturas que fortalecem sua autonomia, como a Unidade Básica de Saúde Indígena (UBSI), inaugurada em 2023, e o projeto “Patashopping”, voltado para a comercialização de artesanato e produtos agrícolas. Eventos culturais, rituais e ações educativas são realizados frequentemente, fortalecendo a identidade indígena e promovendo a troca de saberes com visitantes e estudantes de toda região. A aldeia Katurãma se destaca como um espaço de resistência, memória e esperança, onde passado e futuro se encontram para reafirmar a importância da terra, da cultura e da espiritualidade para os povos originários do Brasil.

    Apresentação da experiência

    Por esse motivo, as professoras dos 5º anos da E. M. Padre Vicente Assunção/Anexo, da cidade de Brumadinho/MG, entraram em contato com a cacica Ãngohó, propondo um intercâmbio cultural. Prontamente, uma data foi agendada para que o intercâmbio pudesse acontecer na Escola Padre Vicente Anexo. Nos dias anteriores a visita, as professoras introduziram, dentro do conteúdo de geografia e história, a importância dos povos originários brasileiros e como se deu a sua história ao longo de 525 anos.

    Instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), no dia 9 de agosto de 1995, comemora-se o Dia Internacional dos Povos Indígenas; esta data busca promover ações que interrompam todos os tipos de agressões sofridas por esses povos em seus territórios, após mais de cinco séculos de imposição de modelos de sociabilidade trazidos por colonizadores europeus. Nesse sentido, as professoras aproveitaram a data comemorativa para realizar em suas turmas, rodas de conversas com os estudantes com intuito de promover a contextualização do ensino de história, atrelado a disciplina de produção de texto; por isso, neste dia os estudantes puderam expor suas ideias, conhecimentos e argumentos em produções textuais relacionadas a temática dos povos originários.

    No dia 29 de agosto de 2025, ocorreu o intercâmbio cultural em nossa escola. Neste dia, recebemos 9 integrantes da aldeia Katurãma. Ao chegarem na escola, os convidados se apresentaram e ensinaram aos nossos estudantes algumas palavras usuais do seu cotidiano, como bom dia, obrigado, boa noite, etc. Após a apresentação, os estudantes foram divididos em grupos, para que participassem, em sistema de rodízio, de uma oficina de cestaria e de um momento em que poderiam receber pinturas corporais caso fosse da sua vontade.

    Ao longo da manhã, os integrantes da aldeia Katurãma também apresentaram na quadra da escola, um pouco da sua cultura através da sua música e dança, com instrumentos e coreografias típicas do povo Pataxó e Pataxó Hã-Hã-Hãe. Ressalta-se que outras ações ainda serão realizadas até o dia 08 de novembro de 2025, com intuito de criar atividades para a exposição que as turmas farão na presente data. Nesse sentido, busca-se com essas atividades, promover o conhecimento dos nossos estudantes sobre os povos originários e sua cultura, temáticas essas, tão importantes para a história do nosso país.

    Análise parcial dos resultados:

    Com essa iniciativa foi possível romper com visões equivocadas e com a desinformação relacionadas aos povos originários. Percebeu-se que após o intercâmbio cultural, as crianças compreenderam a importância destes povos para a formação da nossa sociedade, reconhecendo-lhes o valor cultural e político.

    Ademais, foi possível realizar um trabalho sobre os povos originários, de forma transversal e integradora, dentro dos conteúdos de português, arte, história, geografia e produção de texto. Na disciplina de arte, as crianças puderam explorar, conhecer e analisar criticamente práticas e produções artísticas dos povos Pataxó e Pataxó Hã-Hã-Hãe, o que permitiu um diálogo com as diversidades e o reconhecimento da sua arte como um meio cultural, histórico e social.

    Na disciplina de Geografia, as crianças puderam identificar a presença e a sociodiversidade de culturas para compreender suas características e suas territorialidades. Na disciplina de história, foi possível ensinar sobre a diversidade cultural e sobre as múltiplas configurações identitárias presentes em nossos país.

    Vale mencionar ainda, que atividades como essa propiciam na disciplina de Português/Produção de texto a contemplação da leitura e a confecção de produções textuais relacionadas a diversidade cultural e linguística dos povos originários.

    Portanto, considera-se que esta atividade alcançou o seu objetivo, pois ela promoveu a análise e a valorização do patrimônio cultural, material e imaterial, de uma cultura diferente, o que favoreceu a construção de um vocabulário amplo e um repertório para os estudantes participantes, que agora são capazes de reconhecer a profundidade e a complexidade do tema apresentado.

    Conclusões:

    Conclui-se que a educação sobre as culturas indígenas é de fundamental importância para estimular a compreensão, o respeito e a preservação da diversidade cultural do Brasil. Esse aprendizado contribui não só para desconstruir estereótipos, mas para reconhecer o valor das tradições e reforçar a identidade das comunidades indígenas.

    Além disso, ao propor momentos como esse, promove-se o resgate das culturas indígenas, que possuem uma história riquíssima, com linguagens, tradições, saberes e modos de vida únicos. Por isso, ao tratar desse tema, possibilitamos que nossos estudantes se tornem cidadãos conscientes e críticos, empáticos, e com respeito as diferenças, com consciência sobre os direitos humanos e sobre a justiça social, tão necessários em nossa sociedade na atualidade.

     

     

     

  • Palavras-chave
  • Educação; Povos originários; Intercâmbio cultural
  • Área Temática
  • Eixo 5 – Educação do Campo, Indígena e Quilombola: saberes, territórios e direitos
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  • Eixo 1 - Educação Inclusiva, Acessibilidade e Tecnologias Assistivas
  • Eixo 2 – Educação e Justiça Social: Identidades, Gênero e Relações Étnico-Raciais
  • Eixo 3 – Políticas Públicas e Gestão Educacional na Perspectiva Inclusiva
  • Eixo 4 – Currículo, Práticas Pedagógicas e Formação Docente
  • Eixo 5 – Educação do Campo, Indígena e Quilombola: saberes, territórios e direitos

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