COLABORAÇÃO E INCLUSÃO: A EXPERIÊNCIA DO NÚCLEO DE SOCIEDADE INCLUSIVA DA UNIMONTES.
Eixo: Educação Inclusiva, Acessibilidade e Tecnologias Assistivas
Palavras chave: Educação Especial; Educação Superior; Ensino Colaborativo.
Introdução
Este relato de experiência situa-se no campo da educação especial na perspectiva inclusiva no ensino superior, tem como o objetivo de refletir sobre a atuação do professor de apoio no acompanhamento a acadêmicos com deficiência na Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), por meio do Núcleo de Sociedade Inclusiva (Nusi). Nesse sentido, buscamos investigar como se configuram as práticas do professor de apoio no acompanhamento aos estudantes público-alvo da educação especial na Unimontes, a partir das ações do Nusi.
Fundamentos teóricos
A prática desenvolvida está ancorada nos princípios da educação inclusiva e na perspectiva colaborativa de ensino. Fundamenta-se nas Diretrizes da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2008), que orientam a garantia do acesso, da permanência e da aprendizagem de estudantes público-alvo da educação especial.
O trabalho do professor de apoio, no âmbito do NUSI foi aprovado pela Resolução 080/Cepex/2018 e, dialoga com autores como Gomes (2010; 2013), que abordam a cultura colaborativa como base para ações inclusivas no ensino, e com Souza (2020), ao destacar a importância do Atendimento Educacional Especializado no ensino superior como espaço de mediação pedagógica e organizacional.
Cumpre destacar que o Ensino Colaborativo, nas palavras de Marin e Braun (2013) é uma proposta de trabalho que envolve a cooperação entre o professor regente e o professor da educação especial na qual ambos compartilham saberes específicos com o propósito de organizar e realizar estratégias pedagógicas que garantam a participação e a aprendizagem de alunos público alvo especial. Essa fundamentação sustenta as ações descritas no relato, ancoradas na escuta ativa, no planejamento individualizado e na promoção da autonomia dos acadêmicos acompanhados.
Apresentação da experiência
Os acompanhamentos ocorreram conforme as demandas dos estudantes, em sala de aula e no contraturno. O Atendimento Educacional Especializado (AEE) envolveu ações de apoio pedagógico à aprendizagem, planejamento, escuta ativa e adaptação de rotinas acadêmicas em relação à avaliação e materiais de apoio.
O público alvo foi um acadêmico com deficiência física, do curso de Licenciatura em Educação de Física, no acompanhamento em sala de aula e nos estágios. Outrossim, outros dois acadêmicos, com diagnóstico de Transtorno Espectro Autista (TEA), receberam apoio em dias alternados: um em sala de aula e o outro, do curso de Ciências Sociais, no AEE, com foco na organização da escrita do Trabalho de Conclusão de Curso.
As ações desenvolvidas foram pautadas no acolhimento e na construção de estratégias didático pedagógicas que promovessem autonomia, organização acadêmica e acesso ao currículo. O levantamento da pratica inicial subsidiou a elaboração do Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) de cada acadêmico, com base nas singularidades de cada estudante. Conforme Milanez, Oliveira e Misquiatti (2013), o professor de apoio exerce papel de suporte à aprendizagem, organizando rotinas acadêmicas funcionais.
Dentre as estratégias utilizadas, destacam-se a criação de cronogramas personalizados, o uso de roteiros de leitura e a mediação na produção de textos. Também foram feitos encaminhamentos para apoio psicológico e pedagógico, evidenciando a dimensão intersetorial da prática inclusiva.
Considerações finais
A experiência relatada evidencia que a inclusão exige trabalho colaborativo, escuta atenta e estratégias individualizadas. A atuação do professor de apoio no Nusi reafirma seu papel primordial como mediador e articulador entre as demandas de organização do tempo e do espaço dos acadêmicos com deficiência e o contexto da Educação Superior.
Ademais, foi possível compreender a inclusão como um processo coletivo colaborativo e com princípios éticos para fortalecer a construção de uma universidade inclusiva, plural e acessível, comprometida com a acessibilidade, permanência e terminalidade qualificada dos estudantes público-alvo da educação especial.
Referências
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília: MEC/SEESP, 2008. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/politica.pdf>. Acesso em: 03 maio 2025.
MARIN, Márcia; BRAUN, Patrícia. Ensino Colaborativo como prática de inclusão escolar. In: GLAT, Rosana; PLETSCH, Márcia Denise (organizadores). Estratégias educacionais diferenciadas para alunos com necessidades especiais. Rio de Janeiro: EDUERJ, 2013.
GOMES, A. V. A educação especial na perspectiva da inclusão escolar: O atendimento educacional especializado para alunos com deficiência intelectual. Brasília: MEC, 2010.
GOMES, Joseleine de Campos. Cultura colaborativa e inclusão escolar. In: SALA, Eliana; ACIEM, Tânia Medeiros (orgs.). Educação Inclusiva: aspectos político-sociais e práticos. Vol. 3 – Jundiaí (SP): Paco Editora, 2013, Capítulo 3, pp. 47-66.
MILANEZ, Simone G. C.; OLIVEIRA, Anna Augusta S.; MISQUIATTI, Andréa R. N. (orgs.). Atendimento educacional especializado para alunos com deficiência intelectual e transtornos globais do desenvolvimento. São Paulo: Cultura Acadêmica; Marília: Oficina Universitária, 2013. Disponível em: <https://www.marilia.unesp.br/Home/Publicacoes/af-livro_10_milanez.pdf>. Acesso em: 03 maio. 2025.
SOUZA, Carla Salomé Margarida de. A educação especial no ensino superior: o atendimento educacional especializado na Universidade Estadual de Goiás. Curitiba: CRV, 2020.
Comissão Organizadora
Congresso Internacional Educação e Diversidade
Júnea Tatiane Damasceno Oliveira
Éryka Jovania Pereira
Silvana Diamantino França
Juliane Leite Ferreira e Figueiredo
ALINE MARIA GONZAGA RUAS
Comissão Científica