A influência do PIBID e a construção da autonomia docente

  • Autor
  • Taís Gabriele Ribeiro Freitas
  • Co-autores
  • Evely Esther Ruas Mendes
  • Resumo
  • A influência do PIBID e a construção da autonomia docente

    Eixo 4 – Currículo, Práticas Pedagógicas e Formação Docente

    Palavras-chave: PIBID; Formação docente; Prática pedagógica.

    Introdução

    A participação no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) representa uma etapa fundamental na formação de futuros professores, pois possibilita o contato direto com a realidade escolar desde os primeiros momentos da graduação. Essa vivência proporciona não apenas a observação, mas também a prática acompanhada e reflexiva, permitindo que o licenciando compreenda os desafios e potencialidades do ambiente educativo. Ao integrar teoria e prática, o PIBID contribui para o desenvolvimento da autonomia docente, oferecendo ao futuro professor condições de construir sua identidade profissional, experimentar metodologias, fortalecer a relação com os alunos e desenvolver uma postura crítica diante das demandas da educação contemporânea.

    Fundamentos Teóricos

    A formação inicial de professores é um processo que demanda articulação entre teoria e prática, de modo a garantir que os futuros docentes tenham condições de compreender e intervir na realidade escolar. No entanto, como destacam Anjos e Costa (2012), os cursos de licenciatura historicamente priorizam conteúdos teóricos nos primeiros anos, deixando a prática concentrada apenas no final, muitas vezes de forma fragmentada. Essa organização gera dificuldades, pois os recém-formados, ao entrarem no ambiente escolar, deparam-se com um “choque de realidade”, sentindo-se despreparados para enfrentar os desafios da profissão.

    Nesse contexto, o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) surge como uma política pública que busca aproximar o licenciando do cotidiano escolar desde os primeiros momentos da graduação, criando condições para uma formação mais sólida e contextualizada. Como ressaltam Noronha e Abreu (2020), o programa fortalece a relação entre universidade e escola, promove a vivência da práxis docente entendida como a articulação indissociável entre teoria e prática, e contribui para que os bolsistas construam uma identidade profissional ancorada na reflexão crítica de suas experiências. Outro aspecto relevante é que o PIBID também favorece a compreensão das barreiras existentes na prática docente, como a falta de autonomia imposta por gestões autoritárias e planejamentos pré-determinados (Anjos; Costa, 2012). Ao vivenciar essas tensões, o licenciando desenvolve a capacidade de analisar criticamente a cultura escolar vigente e, ao mesmo tempo, buscar práticas inovadoras que valorizem a mediação do professor nos processos de ensino e aprendizagem. Essa dimensão reflexiva contribui para a construção de uma docência consciente, que ultrapassa a visão tecnocrática da educação e busca promover aprendizagens significativas.

    Portanto, o PIBID constitui-se como um espaço formativo fundamental para o desenvolvimento da autonomia docente, uma vez que possibilita ao futuro professor experimentar a prática pedagógica de forma crítica, colaborativa e integrada ao contexto real da escola. A experiência vivida no programa não apenas prepara para os desafios da profissão, mas também fortalece o sentimento de pertencimento e identidade com a carreira docente, fatores indispensáveis para a permanência e valorização do magistério.

    Apresentação da experiência

    A experiência ocorreu na Escola Estadual Gonçalves Chaves, localizada na cidade de Montes Claros–MG. Enquanto pibidianas do Programa, auxiliamos em diferentes demandas da escola, como a participação em encenações de contos literários, ornamentação de espaços e murais, apoio em projetos institucionais e acompanhamento de atividades pedagógicas em sala de aula. Essas práticas nos permitem vivenciar o cotidiano escolar de maneira efetiva, compreendendo tanto a dimensão pedagógica quanto a organizacional da escola.

    Ao participar dessas ações, desenvolvemos habilidades de planejamento, trabalho em equipe, conhecimento metodológico e adaptação às necessidades dos alunos e professores. Além disso, a oportunidade de estar em contato direto com os estudantes possibilita compreender suas dificuldades e potencialidades, estimulando-nos a pensar em estratégias didáticas criativas e inclusivas. Essa vivência vai além do simples apoio às atividades: promove a construção da autonomia docente, pois nos desafia a tomar decisões, propor intervenções e refletir criticamente sobre o papel do professor nosprocessos de ensino e aprendizagem. Ao mesmo tempo, fortalece nossa identidade profissional, já que nos reconhecemos como sujeitos ativos na escola e futuros educadores comprometidos com a transformação da realidade educativa.

    Conclusões

    A participação no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) mostrou-se fundamental para integrar teoria e prática durante a formação inicial docente. 

    A experiência vivenciada na Escola Estadual Gonçalves Chaves permitiu o desenvolvimento de competências como planejamento, colaboração e reflexão crítica, ao mesmo tempo em que possibilitou compreender a realidade escolar em suas dimensões pedagógicas e organizacionais.

    O contato direto com alunos e professores favoreceu a construção da autonomia docente, estimulando a proposição de estratégias e intervenções alinhadas às necessidades do contexto educativo. Essa vivência reduziu o distanciamento entre universidade e escola, contribuindo para a formação de uma identidade profissional mais consciente e comprometida com os desafios da educação básica.

    Conclui-se que o PIBID constitui um espaço formativo essencial para a valorização e permanência na carreira docente, ao preparar futuros professores para atuar de maneira crítica e transformadora, desde os primeiros momentos da graduação.

    Agradecimentos

    Agradecemos a Capes pela bolsa de Iniciação à Docência e a Escola Estadual Gonçalves Chaves por nos receber.

    Referências

    ANJOS, Lucélia Carla da Silva dos; COSTA, Ideuvaneide Gonçalves. A contribuição do PIBID à formação docente. II Seminário de Socialização do PIBID – UNIFAL-MG, 16 a 18 maio 2012, Alfenas. UNIFAL-MG, 2012. Disponível em:[http://www.ichs.ufop.br/conifes/anais/EDU/edu2009.htm](http://www.ichs.ufop.br/con ifes/anais/EDU/edu2009.htm). Acesso em: 31 ago. 2025.

    NORONHA, Gessica Nunes; NORONHA, Arimate Alves; ABREU, Mariana Cristina Alves de. Relato de vivências no Pibid: aproximações da construção docente. Rev. Pemo, Fortaleza, v. 2, n. 3, e233748, 2020. Disponível em:[https://doi.org/10.47149/pemo.v2i3.3748(https://doi.org/10.47149/pemo.v2i3.3748). Acesso em: 31 ago. 2025

  • Palavras-chave
  • PIBID; Formação docente; Prática pedagógica.
  • Área Temática
  • Eixo 4 – Currículo, Práticas Pedagógicas e Formação Docente
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