ENSINAR PARA TRANSFORMAR: EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO PRÁTICA PEDAGÓGICA NO PIBID

  • Autor
  • Nara Amorim Silva
  • Co-autores
  • Bianca Fernandes Medeiros , Edna Fernandes de Araújo Silva , Nathália Gonçalves de Souza , Aldi Vieira Cangussu , Bernarda Elane Madureira Lopes
  • Resumo
  • Introdução

    A educação ambiental, quando inserida no currículo escolar, amplia a compreensão crítica dos estudantes acerca da relação entre sociedade e natureza e contribui para a formação de cidadãos comprometidos com práticas sustentáveis. No contexto da formação inicial de professores, esse tema torna-se ainda mais relevante, pois permite que futuros docentes experimentem metodologias capazes de articular conteúdos escolares a problemas sociais concretos. Nessa perspectiva as acadêmicas do curso de Pedagogia, bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID/CAPES), desenvolveram, no primeiro semestre de 2025, um projeto de educação ambiental em uma Escola Estadual do município de Brasília de Minas, com turmas dos anos iniciais do Ensino Fundamental. O objetivo central foi sensibilizar os alunos quanto à preservação ambiental, incentivando a reflexão crítica sobre problemas cotidianos, como desmatamento, poluição e mudanças climáticas, e propondo práticas de cuidado com o meio ambiente. A iniciativa também buscou contribuir para a formação docente das bolsistas, uma vez que possibilitou a vivência de práticas pedagógicas planejadas, desenvolvidas em equipe e avaliadas de acordo com os resultados obtidos junto aos alunos. 

    Fundamentos Teóricos

    A educação ambiental é reconhecida por organismos nacionais e internacionais como um campo estratégico para a formação de valores, conhecimentos e atitudes. De acordo com a Política Nacional de Educação Ambiental (Lei nº 9.795/1999), trata-se de um processo permanente que deve estar presente em todos os níveis e modalidades de ensino. No âmbito escolar, essa dimensão educativa assume caráter interdisciplinar e transversal, integrando-se ao currículo como elemento essencial à formação cidadã. Segundo Gadotti (2000), a educação ambiental exige práticas pedagógicas transformadoras, que não apenas informem, mas que também promovam consciência crítica sobre as consequências das ações humanas. De forma semelhante, Carvalho (2008) enfatiza que trabalhar essa temática significa estimular nos estudantes a capacidade de perceber a interdependência entre dimensões sociais, econômicas e ecológicas. Jacobi (2003) observa que a educação ambiental deve estar relacionada a processos de participação e corresponsabilidade, permitindo que crianças e jovens compreendam seu papel ativo na preservação do planeta. A reflexão é complementada por Loureiro (2004), ao afirmar que a educação ambiental deve “despertar o desejo de cuidar do mundo em que vivemos”, unindo reflexão crítica e encantamento pela natureza. Paulo Freire (1996) acrescenta que todo aprendizado precisa estar vinculado à realidade do sujeito e às questões que dão sentido à sua vida. Assim, práticas pedagógicas que associam conteúdos escolares a problemas concretos — como a crise ambiental — tornam-se mais significativas e favorecem tanto a aprendizagem quanto a formação de valores éticos.

    Apresentação da experiência

    O projeto foi planejado coletivamente pelas bolsistas do PIBID e pela supervisora da escola, partindo da necessidade de desenvolver ações de sensibilização ambiental com os alunos do Ensino Fundamental. O planejamento incluiu a definição de objetivos, escolha dos recursos didáticos, organização dos espaços e elaboração das atividades de registro e exposição dos resultados. A atividade foi iniciada com a exibição de vídeos e documentários curtos que abordavam de forma lúdica e acessível temas como reciclagem, poluição e consumo consciente. Essa estratégia teve como finalidade provocar curiosidade e criar um ponto de partida para a reflexão. Logo após, organizou-se uma roda de conversa em que os alunos puderam compartilhar impressões, fazer perguntas e relatar experiências cotidianas relacionadas ao meio ambientem. Um dos principais desafios enfrentados foi a seleção de materiais adequados à faixa etária, que conseguissem equilibrar informação e entretenimento. Com o apoio da equipe escolar, a dificuldade foi superada, e os recursos escolhidos mostraram-se eficazes na promoção do engajamento dos estudantes. Na sequência, os alunos foram convidados a elaborar produções escritas — frases, pequenos textos e cartazes — com propostas de soluções para preservar o meio ambiente. Esses trabalhos foram expostos em murais ornamentados no espaço escolar, criando um ambiente de valorização da produção discente e de diálogo com toda a comunidade escolar. As reações dos alunos revelaram surpresa com algumas informações apresentadas e entusiasmo em pensar soluções criativas para problemas ambientais. Muitos relataram mudanças em atitudes cotidianas, como o uso racional da água, a redução do desperdício e o incentivo à separação de resíduos em casa. Do ponto de vista da formação docente, o projeto possibilitou às bolsistas exercitar competências essenciais: planejamento pedagógico, trabalho em equipe, mediação de debates, articulação entre teoria e prática e avaliação processual. O envolvimento da comunidade escolar reforçou a percepção de que a educação ambiental, quando trabalhada de forma integrada, pode se tornar um eixo estruturante da prática pedagógica.

    Análise parcial dos resultados

    A análise dos resultados do projeto permitiu observar diferentes dimensões do impacto da atividade junto aos alunos e à comunidade escolar. Em primeiro lugar, verificou-se elevado nível de engajamento dos estudantes, que participaram ativamente das rodas de conversa e se mostraram motivados pela linguagem acessível dos vídeos utilizados. Essa participação se refletiu também no uso mais frequente de termos relacionados à temática ambiental, demonstrando apropriação gradual do vocabulário específico. No que se refere à compreensão conceitual, as produções escritas revelaram que os alunos conseguiram identificar problemas ambientais, como a poluição e o descarte inadequado de resíduos, relacionando-os a consequências diretas para a vida cotidiana. Alguns textos apresentaram soluções simples, como a redução do desperdício de água e a separação do lixo, evidenciando a capacidade de propor alternativas viáveis ao seu contexto. Outro aspecto relevante foi a emergência de atitudes e mudanças comportamentais. Relatos espontâneos indicaram que algumas crianças passaram a adotar práticas mais responsáveis, como jogar o lixo corretamente durante o recreio e comentar com familiares a importância da reciclagem. Embora sejam transformações iniciais, apontam para o potencial de continuidade do trabalho pedagógico. Além disso, a exposição dos murais com os trabalhos escritos favoreceu a circulação do tema em toda a escola, despertando o interesse de outras turmas e de professores, que manifestaram intenção de replicar a experiência em diferentes componentes curriculares. Esse desdobramento evidencia a força da transversalidade da educação ambiental no espaço escolar. Apesar dos avanços, é importante reconhecer os limites da experiência: a intervenção foi pontual e não contou com instrumentos avaliativos sistemáticos que permitissem mensurar os impactos em longo prazo. Ainda assim, os resultados qualitativos obtidos sugerem que a atividade cumpriu o papel de sensibilizar os alunos, estimulando reflexões críticas e primeiras mudanças de atitude em direção a práticas mais sustentáveis.

    Conclusões

    O projeto demonstrou a relevância da educação ambiental como prática pedagógica nos anos iniciais do Ensino Fundamental. A combinação de recursos audiovisuais, rodas de conversa e produções textuais favoreceu aprendizagem significativa e mobilizou atitudes de cuidado com o meio ambiente. Para as bolsistas, a experiência configurou espaço formativo, ao articular planejamento, mediação e avaliação processual com um tema socialmente vivo. Conclui-se que a inserção sistemática da educação ambiental no cotidiano escolar fortalece a formação cidadã e a formação inicial de professores, contribuindo para uma escola comprometida com a sustentabilidade e com a transformação social. Recomenda-se a continuidade do projeto com instrumentos de avaliação mais robustos e integração com ações permanentes da escola, de modo a consolidar resultados e ampliar impactos.

    Referências

    BRASIL. Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 28 abr. 1999.

    CARVALHO, Isabel Cristina de Moura. Educação ambiental: a formação do sujeito ecológico. São Paulo: Cortez, 2008.
    FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
    GADOTTI, Moacir. Pedagogia da Terra. São Paulo: Peirópolis, 2000.
    JACOBI, Pedro Roberto. Educação ambiental, cidadania e sustentabilidade. Cadernos de Pesquisa, n. 118, p. 189-205, 2003.
    LOUREIRO, Carlos F. B. Educação ambiental e gestão participativa na explicitação e resolução de conflitos. Gestão em Ação, Salvador, v. 7, n. 1, p. 13–22, jan./abr. 2004

  • Palavras-chave
  • Educação ambiental, prática pedagógica, formação docente
  • Área Temática
  • Eixo 4 – Currículo, Práticas Pedagógicas e Formação Docente
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  • Eixo 1 - Educação Inclusiva, Acessibilidade e Tecnologias Assistivas
  • Eixo 2 – Educação e Justiça Social: Identidades, Gênero e Relações Étnico-Raciais
  • Eixo 3 – Políticas Públicas e Gestão Educacional na Perspectiva Inclusiva
  • Eixo 4 – Currículo, Práticas Pedagógicas e Formação Docente
  • Eixo 5 – Educação do Campo, Indígena e Quilombola: saberes, territórios e direitos

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