O PAPEL DO DOCENTE NA PRÁTICA INCLUSIVA NA INSERÇÃO DA PESSOA AUTISTA NO MERCADO DE TRABALHO
Eixo 4. Currículo, Prática Pedagógica e Formação Docente.
Palavras-Chave: Papel do Professor, inclusão, Transtorno do Espectro Autista (TEA), Mercado de Trabalho
Introdução
A educação visada ao ensino de pessoas com deficiência surge no Brasil logo após um período de exclusão das mesmas na sociedade, as quais sofreram segregação e dificuldade para inserir-se socialmente e participar de atividades sociais e laborais. A docência no ambiente acadêmico também visa preparar especificamente a inserção da pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no mercado de trabalho, pois o mesmo enfrenta desafios observados pela falta de políticas públicas de capacitação profissional dos professores, falta de conhecimento dos mesmos sobre as particularidades e multiplicidades do espectro autista e a falta substancial de produção científica sobre o tema.
Este estudo está inserido no Eixo 4, Currículo, Práticas Pedagógicas e Formação Docente, que visa analisar e compreender a relação entre a relevância do professor e a possibilidade de inserção da pessoa portadora do TEA no mercado laboral, buscando entender suas particularidades que podem ser trabalhadas e aprimoradas pelos docentes no ambiente acadêmico.
Diante do exposto, tendo como base a proposta bibliográfica dos seguintes autores: Adriana Martins Silva e Rosane Domingues Lameiro (2022), Francisca Thanísia de Freitas Falcão (2023), Cláudio Bezerra Leopoldino (2015), Mariana Valente Teixeira da Silva Talarico e Amanda Cristina dos Santos Pereira (2019), Andrew Jacob, Melissa Scott, Marita Falkmer e Torbjörn Falkmar (2015), Rafael Lazzari de Marco, Maria Beatriz Nanni Daniel, Eduardo Nanni Calvo, Bruna Lazzari Araldi (2021), pretende-se descrever algumas fundamentações destacadas por estes autores e suas contribuições do ensino adequado para a pessoa com Transtorno do Espectro Autista.
Metodologia
Este estudo possui uma abordagem qualitativa com caráter bibliográfico, baseado na compreensão das obras dos autores engajados no campo da educação. Foram selecionadas as publicações de Silva e Lameiro (2022), Falcão (2023), Leopoldino (2015), Talarico e Pereira (2019), Jacob et al. (2015), Marco et al. (2021) por seus respectivos critérios científicos reconhecidos e publicados em revistas e instituições reconhecidas.
A escolha dos autores se justifica pela relevância de suas publicações, as quais englobam a prática docente e o impacto da mesma na vida da pessoa com Transtorno do Espectro Autista, possibilitando associar a análise dos estudos com a inserção no mercado laboral e uma consequente melhora da qualidade de vida do indivíduo autista.
Fundamentos Teóricos
A qualificação docente de profissionais voltados ao ensino especial inicia-se categoricamente no Brasil após momentos turbulentos de marginalização social das minorias consideradas deficientes, tendo como marco histórico a Fundação do Instituto Meninos Cegos (atual Instituto Benjamin Constant).
A aplicabilidade institucional da educação especial segundo Silva e Lameiro (2022), norteia-se a partir da aplicação da Declaração de Salamanca, a qual afirma o respeito mútuo às diferenças, habilidades e individualidades de cada indivíduo no âmbito da educação, notando-se, a partir desse momento, a reformulação de políticas públicas que visam cada vez mais ampliar a perspectiva inclusiva.
Falcão (2023), por outro lado, destaca que somente políticas públicas não são suficientes, sendo necessária a capacitação adequada dos professores, que não se restringe apenas a teoria, mas também de compreender as individualidades de cada acadêmico. Portanto, a autora enfatiza que o professor deve realizar pesquisas bibliográficas que o atualize acerca dos recursos direcionados a sua auto capacitação e participe de congressos e cursos que o ajude a adquirir conhecimento para lidar com as particularidades dos estudantes portadores de TEA.
Talarico e Pereira (2019), elucidam que o direito ao trabalho dos adultos com TEA é assegurado pela lei de cotas 8213/91, devendo a escola auxiliar na preparação para tal inserção laboral com a atuação dos professores. E segundo Falcão (2023), os professores devem realizar suporte individualizado, aconselhamento e apoio, identificação de necessidades especiais e educacionais e adaptação de práticas pedagógicas e metodológicas de ensino. Associado a isso, o estímulo à produção científica para ampliar o conhecimento populacional acerca deste tema.
Marco et al. (2021) confirmam a afirmação supracitada avaliando o melhor desenvolvimento da neuroplasticidade com a identificação e intervenção precoce do portador de TEA com a atuação de equipes multidisciplinares como fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional e principalmente do psicopedagogo, visto que, interferências diferenciadas praticadas pelos docentes proporcionam melhora do quadro do espectro. Além disso, afirmam que com essas intervenções é possível estimular a linguagem, integração sensorial e comportamentos positivos, desenvolvendo habilidades básicas de pensamento que ajuda o portador do TEA a inserir-se, por exemplo, no mercado laboral.
Leopoldino (2015) reforça ainda os benefícios da inserção de autistas no mercado laboral e afirma que o mesmo ao efetivar-se, se auto beneficia com uma melhor qualidade de vida, sociabilidade e independência de terceiros para autossustento. Jacob et al. (2015) ainda afirmam que o empregador também pode ser beneficiado, visto que, pessoas com TEA possuem alto nível de confiabilidade, precisão em tarefas visuais, boa memória de longo prazo, alta capacidade de atenção aos detalhes, aceitação em realizar tarefas repetitivas e atividades que necessitam de isolamento das demais pessoas. Os autores ao elucidarem os benefícios trazidos com a contratação de pessoas com TEA defendem integração e harmonia social.
Conclusões
O papel do docente na formação dos acadêmicos com Transtorno do Espectro Autista firma um laço de comprometimento de mudança da realidade dos mesmos. As contribuições de Silva e Lameiro (2022), Falcão (2023), Leopoldino (2015), Talarico e Pereira (2019), Jacob, Scott, Falkmer e Falkmer (2015), Marco, Daniel, Calvo, Araldi (2021) elucidam que a atuação dos professores, quando realizada de forma correta, impacta positivamente na carreira profissional e a consequente transformação social voltada para a valorização da pessoa autista.
Dessa maneira, os desafios atuais da falta de pesquisa científica, incentivo público e capacitação inadequada de professores devem ser superados no Brasil. Visto que, como destaca Leopoldino (2015), a integração de pessoas com autismo no mercado laboral fomenta benefícios tanto para o portador da deficiência quanto para o empregador, sociedade e governo, já que gastos públicos com assistencialismo são reduzidos.
Referências
A FORMAÇÃO DE PROFESSORES NA PERSPECTIVA DA INCLUSÃO DE ESTUDANTES AUTISTAS: UMA REVISÃO NARRATIVA (Francisca Thanísia de Freitas Falcão, 2023).
A inclusão no mercado de trabalho de adultos com Transtorno do Espectro do Autismo: uma revisão bibliográfica (Mariana Valente Teixeira da Silva Talarico e Amanda Cristina dos Santos Pereira, 2019).
A formação de professores no Brasil no contexto da educação especial. SILVA, A. M.; LAMEIRO R. D. Revista Ibero Americana de Humanidades, Ciências e Educação- REASE, São Paulo, v. 8, n. 1, p. 578, jan. 2022. ISSN 2675-3375. Disponível em: . Acesso em: 12 jun. 2023.
Inclusão de autistas no mercado de trabalho: uma nova questão de pesquisa. LEOPOLDINO, Claudio Bezerra. Revista Eletrônica Gestão & Sociedade, v.9, n.22, p. 853-868 Janeiro/Abril – 2015..
Tea e neuroplasticidade: Identificação e intervenção precoce. (Rafael Lazzari de Marco, Maria Beatriz Nanni Daniel, Eduardo Nanni Calvo, Bruna Lazzari Araldi). Brasilian Journal of Development -11-11-2021
The Costs and Benefits of Employing an Adult with Autism Spectrum Disorder: A Systematic Review. (Andrew Jacob ,Melissa Scott ,Marita Falkmer ,Torbjörn Falkmer, 2015).
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