Resumo Simples
Introdução
A presente pesquisa insere-se em um estudo de caso que está sendo desenvolvido no Programa de Pós-graduação em Educação (PPGE) da Universidade Estadual de Montes Claros e tem como propósito compreender de que modo os produtores de leite de Icaraí de Minas – MG mobilizam a Matemática em suas práticas cotidianas. O estudo parte da compreensão de que a Matemática não está restrita aos espaços formais de ensino, mas se manifesta de maneira viva e criativa nas ações do dia a dia, revelando diferentes formas de raciocinar, organizar e solucionar problemas.
Fundamentos Teóricos
A investigação se articula com os pressupostos teóricos de Ubiratan D’Ambrosio (1992, 2005, 2009, 2011), considerado por Barton (2004) um dos autores mais relevantes da área da Etnomatemática. D’Ambrosio (1992) destaca que um dos objetivos centrais da Etnomatemática é possibilitar uma visão crítica da realidade por meio dos instrumentos matemáticos. Assim, diferentes modos de fazer Matemática podem ser identificados no cotidiano das pessoas, que recorrem a uma diversidade de recursos próprios de suas culturas para suprir necessidades. Na perspectiva etnomatemática, não se trata apenas de reconhecer os saberes populares, mas também de transformá-los em aprendizagens significativas e úteis.
Metodologia
A metodologia adotada compreende uma abordagem qualitativa, com procedimentos de pesquisa que incluem estudo de campo, entrevistas narrativas, observação participante e o estudo de caso. Os dados produzidos serão analisados com base na Análise de Conteúdo proposta por Bardin (2016).
Análise parcial dos resultados
Os resultados esperados até o momento visam contribuir para as discussões acerca da Matemática acadêmica, que, segundo D’Ambrosio (2005), é frequentemente compreendida como a ciência que estuda números, formas, relações e medições, marcada pela busca de precisão, rigor e clareza.
Conclusões parciais
Pretende-se lançar luz sobre os saberes e as práticas matemáticas mobilizadas pelos produtores de leite de Icaraí de Minas – MG, de modo a valorizar seus métodos próprios e contrapor a ideia de uma matemática única e universal buscando assim evidenciar distintas concepções matemáticas presentes tanto no conhecimento local quanto no acadêmico, ampliando a compreensão das diversas formas do saber. Ao dar visibilidade a esses saberes, pretende-se contribuir para a valorização das práticas de grupos sociais historicamente marginalizados, reconhecendo a importância de suas produções culturais e cognitivas.
Referências
BARDIN, Laurence. Análise de Conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2016.
BARTON, Bill. Dando sentido a Etnomatemática: Etnomatemática fazendo sentido. In: RIBEIRO, José Pedro Machado; DOMITE, Maria do Carmo Santos; FERREIRA, Rogério (org.). Etnomatemática: papel, valores e significado. São Paulo: Zouk, 2004
D’AMBROSIO, Ubiratan. Etnomatemática e História da Matemática. In: FANTINATO, Maria Cecília de Castello Branco (org.). Etnomatemática – novos desafios teóricos e pedagógicos. Niterói: Editora da Universidade Federal Fluminense, 2009. p. 17-28.
D’AMBROSIO, Ubiratan. Etnomatemática: Elo Entre as Tradições e a Modernidade. Belo Horizonte: Autêntica, 2011.
D’AMBROSIO, Ubiratan. Reflexões sobre História, Filosofia e Matemática. Boletim de Educação Matemática. Rio Claro (SP), Especial, n.2, p.42-60, 1992.
D’AMBROSIO, Ubiratan. Sociedade, cultura, matemática e seu ensino. Educação e Pesquisa, v. 31, n. 1, p. 99-120, 2005. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1517-97022005000100008.
Comissão Organizadora
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