EDUCAÇÃO ESPECIAL: EXPERIÊNCIA E VIVÊNCIA DO TRABALHO COLABORATIVO DO PROFESSOR DE APOIO NO NÚCLEO DE SOCIEDADE INCLUSIVA DA UNIVERSIDADE, A UNIMONTES

  • Autor
  • Ivanessa Alves Lopes Monção
  • Co-autores
  • Regina Coele Cordeiro , Silvana Diamantino França , José França Neto
  • Resumo
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    EDUCAÇÃO ESPECIAL: EXPERIÊNCIA E VIVÊNCIA DO TRABALHO COLABORATIVO DO PROFESSOR DE APOIO NO NÚCLEO DE SOCIEDADE INCLUSIVA DA UNIVERSIDADE, A UNIMONTES

     

     

    Eixo Temático: Educação Inclusiva, Acessibilidade e Tecnologias Assistivas

    Palavras- Chave: Educação especial, Professor de apoio, Ensino Superior, Núcleo de Sociedade Inclusiva.

     

    Introdução

     

     Este relato de experiência insere-se no campo educação escolar especial, com o objetivo de descrever e discutir algumas das ações vivenciadas pelo professor de apoio no acompanhamento de um acadêmico com laudo médico de Deficiência Intelectual (DI) que estuda na Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES), universidade pública, desde o ano de 2021. As ações foram implementadas nessa universidade, por meio do Núcleo de Sociedade Inclusiva (NUSI/UNIMONTES), com a intenção de contribuir com a aprendizagem e permanência do estudante numa perspectiva educação inclusiva.

     

    Fundamentos Teóricos

     

    Valle e Maia (2010, p.15) afirmam que “a inclusão escolar consiste no processo de adequação da sociedade às necessidades de seus participantes, para que eles, uma vez incluídos, possam desenvolver-se e exercer plenamente sua cidadania.” Nesse sentido, a inclusão escolar das pessoas com deficiência, em quaisquer níveis de ensino, constitui-se em uma prerrogativa atual e fundamental para a construção de uma sociedade na qual todos possam exercer a sua cidadania. Nessa direção, a UNIMONTES é uma das universidades pioneiras no acompanhamento especializado dos/as acadêmicos/as com deficiência por meio de um professor de apoio.

    Nesse sentido, o reconhecimento legal, dos núcleos de acessibilidade implantados em algumas universidades brasileiras, como é o caso do NUSI na UNIMONTES, têm um papel social relevante na promoção do acesso e da permanência dos acadêmicos com deficiência. É importante destacar que no “Ensino Superior, a Educação Especial se efetiva por meio de ações que promovam o acesso, a permanência e a participação dos alunos e estas ações envolvem planejamento, organização de recursos e serviços para a promoção da acessibilidade” (Brasil, 2008).

    Além disso, o NUSI quanto um Núcleo de Sociedade Inclusiva traz no seu bojo a cultura colaborativa, na qual Gomes (2013, p.50) afirma que no ‘trabalho de colaborar (co-laborar)’ “temos ampliada a ideia de trabalho em parceria, que, para além do junto, aponta o trabalho compartilhado, com seus objetivos comuns negociados coletivamente, estabelecendo relações que tendem à não hierarquização e corresponsabilidade pela condução da ações”, operando, assim, em comunidade, ou melhor, em comunidade acadêmica no âmbito da educação especial.

    Dessa forma, o NUSI atua efetivando as políticas públicas da educação especial. A exemplo disso, o atendimento educacional especializado oferecido aos acadêmicos com necessidades especiais busca por adaptações curriculares, metodológicas e avaliativas que atendam as especificidades dos estudantes, por meio da implementação de estratégias e recursos que contribuam com a acessibilidade e a autonomia necessárias nesse nível de formação.

    Diante desse princípio, a Lei Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, estabelece no seu Art. 4º que o dever do Estado com educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, transversal a todos os níveis, etapas e modalidades, preferencialmente na rede regular de ensino, segundo inciso III dessa lei (Brasil, 2013, p.10).

    Ainda, as Diretrizes da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (Brasil, 2008) apontam que o atendimento educacional especializado tem como função identificar, elaborar e organizar os recursos pedagógicos e de acessibilidade.

    Esse atendimento especializado na educação escolar pública pode acontecer na sala de aula regular e nas salas de recursos multifuncionais, no contraturno de estudo do aprendiz. No entanto, as atividades desenvolvidas nesse atendimento não são substitutivas à escolarização, e sim complementares e/ou suplementares à formação dos estudantes com vistas à autonomia e independência no contexto da escola e fora dela. 

     

     

    Apresentação da experiência

     

    O acadêmico acompanhado tem um laudo médico de (DI), definida por Milanez, Oliveira e Misquiatti (2013), como uma incapacidade caracterizada por limitações significativas tanto no funcionamento intelectual (raciocínio, aprendizagem, resolução de problemas) como no comportamento adaptativo, abrangendo habilidades sociais, cotidianas e práticas.

    A primeira ação proposta pelo NUSI foi o acolhimento e a anamnese com o intuito de conhecer o histórico e as necessidades especificas do acadêmico. Com base nas informações coletadas foi possível identificar algumas demandas e dificuldades iniciais que deram origem a alguns encaminhamentos necessários, como: médico, psicológico, apoio pedagógico e a construção do plano de Desenvolvimento Individual (PDI).

    Para Milanez, Oliveira e Misquiatti (2013) o papel do professor responsável pelo Atendimento Educacional Especializado (AEE) é de suporte para aprendizagem. Este profissional deverá avaliar os aspectos que comporão o PDI, que, no caso da deficiência intelectual, relacionam-se com as funções cognitivas, mas, ao mesmo tempo, relacionam-se com a proposta curricular, além de abranger o ensino de linguagens e códigos específicos de comunicação, sinalização e tecnologia assistiva. Nesse sentido, o foco das ações tinha como ponto de partida aquilo que o acadêmico conseguia fazer.

    Diante de algumas das dificuldades específicas do acadêmico, como: interpretação, expressão oral, socialização e compreensão das pessoas; optamos pela seleção de ações e estratégias que trabalhassem de alguma forma com as funções executivas, dentre elas o raciocínio lógico, a atenção, o planejamento, a memória de trabalho e a organização.

    Iniciamos o trabalho pela organização de uma rotina propondo ao acadêmico a implementação de um cronograma de atividades diárias. Nesse cronograma pautávamos as datas das atividades, as leituras, pesquisas e avaliações. Percebemos que essa ação contribuiu positivamente como ferramenta de organização da vida pessoal e acadêmica do estudante.

    No decorrer das ações para o processo de aprendizagem utilizamos diversos recursos, como: vídeos, leituras, mapas conceituais e mentais e momentos de escuta. Também foram utilizadas algumas tecnologias assistivas como leitores de PDF que diminuiu o tempo e o esforço gasto na leitura de alguns textos.

     

    Considerações Finais

     

     Por fim, foi relevante percebermos que a inclusão se faz a partir de um trabalho colaborativo, de escuta e compartilhamento de modos de pensar e agir. Importante compreendermos a complexidade e a multiplicidade de fatores que direta ou indiretamente atravessam o processo de aprendizagem dos acadêmicos com necessidades especiais. Assim, podemos analisar as nossas ações com mais clareza, refutando a culpabilização pelo processo, seja do acadêmico, do professor ou da família, pois esta é uma postura que nos imobiliza e não contribui com transformações.

    Referências:

    BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN). Lei nº 9.394 [Lei Darcy Ribeiro], de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional [recurso eletrônico]. – 8. ed. – Brasília: Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2013. 45 p. – (Série legislação; n. 102)

    ______. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília: MEC/SEESP, 2008. Disponível em:> http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/politica.pdf> Acesso em: 03-08-2023.

    GOMES, Joseleine de Campos. Cultura colaborativa e inclusão escolar. In: SALA, Eliana; ACIEM, Tânia Medeiros (orgs.). Educação Inclusiva: aspectos político-sociais e práticos. Vol. 3 – Jundiaí (SP): Paco Editora, 2013, Capítulo 3, pp. 47-66.

    MINAS GERAIS. Universidade Estadual de Montes Claros. Resolução 080 CEPEX- 2018.

    MILANEZ, Simone Ghedini Costa; OLIVEIRA, Anna Augusta Sampaio de; MISQUIATTI, Andréa Regina Nunes (Orgs) Atendimento educacional especializado para alunos com deficiência intelectual e transtornos globais do desenvolvimento.  São Paulo: Cultura Acadêmica; Marília: Oficina Universitária, 2013. Disponivel em:<https://www.marilia.unesp.br/Home/Publicacoes/af-livro_10_milanez.pdf>. Acesso em 03 de ago. de 2024.

    VALLE, Tânia Gracy Martins do; MAIA, Ana Cláudia Bortolozzi.orgs. Aprendizagem e comportamento humano [online]. São Paulo: Editora UNESP, 2010. 255 p. ISBN 978-85-7983-122-5. Available from

     

     

  • Palavras-chave
  • Educação especial, Professor de apoio, Ensino Superior, Núcleo de Sociedade Inclusiva.
  • Área Temática
  • Eixo 1 - Educação Inclusiva, Acessibilidade e Tecnologias Assistivas
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  • Eixo 3 – Políticas Públicas e Gestão Educacional na Perspectiva Inclusiva
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  • Eixo 5 – Educação do Campo, Indígena e Quilombola: saberes, territórios e direitos

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