Este resumo tem como objetivo apresentar um estudo feito através das discussões desenvolvidas na disciplina Teorias da Educação Moderna e Contemporânea do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEdu/UFR), investigando os desafios enfrentados pelos estudantes no processo de aprendizagem da Língua Inglesa, buscando compreender fatores como imposições culturais interferem na relação dos alunos com o idioma, adotando uma perspectiva decolonial para refletir criticamente sobre a Língua Inglesa no contexto educacional brasileiro, valorizando a escuta dos estudantes e ampliando o debate sobre o ensino de línguas em contextos marcados por desigualdades. Assim, o estudo propõe caminhos para a construção de uma educação linguística mais justa e humanizada.
Introdução
O ensino da Língua Inglesa no contexto escolar tem ganhado destaque especialmente por sua relevância como ferramenta de comunicação global, sendo necessário não apenas reconhecer sua importância em áreas como tecnologia e educação, mas também problematizar seus efeitos nas relações sociais e culturais, refletindo sobre suas implicações. A discussão teórica irá relacionar autores estudados no âmbito da disciplina Teorias da Educação Moderna e Contemporânea: Fernandes (2010) e Libâneo (2021); Certeau (1994) e Barthes (1999).
A relevância deste estudo reside na tentativa de reconhecer os alunos como sujeitos ativos. A metodologia adotada foi a bibliográfica, ao analisar textos e materiais dos autores citados relacionando-os ao ensino de Língua Inglesa sob um olhar decolonial, refletindo criticamente sobre o ensino do idioma em escolas públicas, visando à construção de práticas pedagógicas mais significativas e valorizando o conhecimento prévio do mundo do estudante.
Fundamentos Teóricos
No decorrer da disciplina “Teorias da Educação Moderna e Contemporânea”, foram estudados textos de autores fundamentais para a compreensão crítica da prática educativa: Fernandes (2010) e Libâneo (2021). Ambos contribuem para pensar a educação como processo de formação do ser humano, sob perspectivas complementares.
Segundo Fernandes (2010), a educação é o próprio processo de tornar-se humano. Aprender é atravessar experiências que nos transformam. Na aprendizagem de uma língua estrangeira trata-se de uma travessia marcada por inseguranças e amadurecimento. Muitos alunos não apenas enfrentam barreiras cognitivas, mas lidam com o “não pertencer” a esse universo linguístico. A partir de uma abordagem filosófica-existencial, propõe que aprender não é apenas adquirir técnicas, mas passar por um processo de maturação interior, como a saída da caverna no mito de Platão.
Libâneo (2021) adota uma perspectiva mais sociológica e pedagógica, ancorada no contexto histórico e cultural da educação. Para ele, a pedagogia deve compreender como se aprende melhor em realidades marcadas por desigualdades e múltiplas culturas, lidando com a dificuldade linguística, e também com o medo de errar e o distanciamento cultural da língua, vista muitas vezes como “imposta”.
Os pensamentos de Certeau e Barthes oferecem contribuições relevantes para uma abordagem pedagógica que valorize as narrativas dos alunos e reconheça suas múltiplas formas de experienciar o mundo. Certeau (1994) propõe compreender o cotidiano como espaço legítimo de produção de saberes. Seus estudos inspiram práticas educativas que valorizam os usos e sentidos criados em interações diárias. No ensino de inglês, isso significa reconhecer que os alunos também aprendem em contextos informais. Ao valorizar essas vivências, o professor promove uma pedagogia do reconhecimento da diferença.
Complementando essa perspectiva, Barthes (1999) entende o aluno como leitor plural e afetivo, marcado por múltiplas vozes e experiências. Aplicando esse olhar ao ensino de línguas, a aprendizagem deixa de ser um processo mecânico e torna-se uma prática em que as emoções, desejos e bloqueios também ensinam, propondo que o aluno seja lido como texto vivo, cujas contradições e afetos precisam ser acolhidos.
Sob um olhar decolonial de acordo com Mignolo (2009), o estudo parte da compreensão de que as formas de ensinar e aprender uma língua estrangeira ainda reproduzem estruturas de poder herdadas do colonialismo, que afetam a forma como os sujeitos latino-americanos se constituem e se relacionam com a Língua Inglesa. Assim, ensinar inglês não se resume à transmissão de conteúdos, mas aos vínculos e às experiências que ali se constroem.
Metodologia
O presente estudo fundamenta-se em uma metodologia de caráter bibliográfico. De acordo com Gil (1987), a pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído de livros e artigos científicos, possibilitando a construção de um quadro teórico consistente para a análise do objeto de estudo. Nesse sentido, buscou-se dialogar com diferentes autores que discutem sobre a educação relacionando com a língua inglesa, a perspectiva decolonial e os aspectos afetivos na aprendizagem.
Assim, a análise bibliográfica realizada buscou integrar diferentes perspectivas teóricas, compondo uma base sólida para compreender os desafios enfrentados pelos alunos no processo de aprendizagem da língua inglesa em contextos marcados por colonialidades e afetividades.
Análise de dados
A análise de dados foi realizada através dos autores: Fernandes (2010), Libâneo (2021); Certeau (1994) e Barthes (1999), estudados no âmbito da disciplina Teorias da Educação Moderna e Contemporânea, cursada no Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEdu/UFR), relacionando-os com a aprendizagem da Língua Inglesa sob uma perspectiva decolonial.
Fernandes (2010) e Libâneo (2021) revelam visões complementares sobre a educação. Fernandes entende-a como travessia existencial, em que aprender exige coragem, paciência e liberdade, sendo processo de transformação e construção de si. Por outro lado, Libâneo (2021) adota uma perspectiva sociológica e pedagógica, destacando a importância de práticas que considerem a diversidade cultural e a formação crítica e cidadã. Essa articulação entre os dois autores amplia a compreensão dos desafios enfrentados na aprendizagem da Língua Inglesa e fundamenta a necessidade de práticas pedagógicas que integrem acolhimento, diálogo e construção de sentido.
O ensino da Língua Inglesa no Ensino Médio envolve desafios que ultrapassam vocabulário e gramática, exigindo considerar dimensões afetivas e socioculturais. Inspirados por Certeau (1994) e Barthes (1999), valoriza-se o cotidiano, as narrativas e práticas culturais dos alunos, reconhecendo-os como sujeitos plurais e afetivos. Sob uma perspectiva decolonial Mignolo (2009), problematiza-se a reprodução de estruturas coloniais no ensino. Aprender inglês torna-se prática significativa quando valoriza as narrativas dos alunos e reconhece suas múltiplas formas de experienciar o mundo.
Conclusões
O estudo partiu do desejo de ampliar a visão da educação como processo de formação integral, ético e afetivo, dialogando e contribuindo para repensar o ensino de Língua Inglesa como uma travessia subjetiva e cultural, e não apenas como aquisição técnica de um idioma estrangeiro. Do ponto de vista do estudo, destaca-se a importância em considerar os alunos como sujeitos ativos em seus percursos formativos. Essa escuta atenta se configura como elemento-chave para uma pedagogia mais sensível, crítica e significativa. Sendo fundamental adotar práticas pedagógicas que valorizem a diversidade e promovam o uso significativo da língua inglesa.
Por fim, espera-se que os resultados deste estudo contribuam não apenas para o aprimoramento da prática docente, mas também para o fortalecimento de políticas educacionais que reconheçam a importância da valorização das subjetividades e da construção de uma educação linguística mais justa, inclusiva e acolhedora.
Referências
BARTHES, Roland. S/Z. Coleção Signo. Tradução de Maria de Santana Cruz e Ana Mafalda Leite. Lisboa: Edições 70, 1999.
CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: 1. Artes de fazer. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.
FERNANDES, Marcos Aurélio. O que é mesmo educação?. Revista Educativa - Revista de Educação, Goiânia, Brasil, v. 13, n. 1, p. 161–175, 2010. Disponível em: https://seer.pucgoias.edu.br/index.php/educativa/article/view/1253. Acesso em: 05 jun. 2025.
GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 1987.
LIBÂNEO, José Carlos. As teorias pedagógicas modernas ressignificadas pelo debate contemporâneo na educação. In: SANTOS, Akiko; LIBÂNEO, José Carlos (orgs.). Educação na era do conhecimento em rede e transdisciplinaridade. Campinas: Alínea, 2021. Disponível em: https://www.fclar.unesp.br/Home/Graduacao/Espacodoaluno/PET-ProgramadeEducacaoTutorial/Pedagogia/capitulo-libaneo.pdf. Acesso em: 10 jun. 2025.
MIGNOLO, Walter D. Epistemic disobedience, independent thought and de-colonial freedom. Theory, Culture & Society, Los Angeles, London, New Delhi, Singapore: Sage, v. 26 (7-8), p. 1-23, 2009.
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